SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Maior sindicato do RS, Cpers decide desfiliar-se da CUT; Sintrajufe/RS seguiu mesmo caminho em 2014

Em assembleia realizada na última sexta-feira, 27, o CpersCentro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul, o maior sindicato do Rio Grande do Sul, com mais de 81 mil sócios, decidiu desfiliar-se da Central única dos Trabalhadores (CUT). A direção do sindicato era contrária à desfiliação, pauta levantada por grupos ligados à antiga gestão do Cpers.

A assembleia, que tinha também como pauta a organização da luta contra os cortes de gastos do governo de José Ivo Sartori (PMDB), acabou focada na questão da CUT. Foram 1588 votos pela desfiliação, contra 1129 pela manutenção da ligação com a central. O Cpers era filiado à CUT havia 19 anos, e essa foi a primeira assembleia geral após a mudança na direção, ocorrida no ano passado. Antes, em congresso estadual, a categoria havia encaminhado a deliberação sobre a pauta da desfiliação.

Diversas entidades sindicais acompanharam a assembleia que decidiu pela desfiliação, entre elas o Sintrajufe/RS, representado pelo diretor Fagner Azeredo. Para Fagner, “a desfiliação do Cpers, o maior e um dos mais combativos sindicatos do RS, representa um grande avanço para a reorganização da classe trabalhadora. É necessário que os sindicatos se pautem sempre pela independência e autonomia em relação a governos, partidos e patrões, e hoje isso passa por estar desvinculado da CUT, central que desde 2003 atua como braço sindical do governo”.

Em entrevista ao site do jornal Zero Hora, a presidente do Cpers, Helenir Aguiar Schürer, lamentou a decisão da categoria, que esteve presente com mais de 6 mil professores no Ginásio Tesourinha, em Porto Alegre: a assembleia mostrou claramente que a oposição está mais preocupada em dividir a categoria, visto que priorizou a votação (da desfiliação) ao invés de focar nas reivindicações. Vamos encaminhar a desfiliação, mas vamos lutar para unir o magistério e focar nas nossas lutas , afirmou Helenir.

Ao site Jornalismo B, Rejane Oliveira, ex-presidente do Cpers e principal nome da oposição, disse pensar diferente: “o que divide a categoria é o Cpers dizer que quer o piso e defender a carreira e a CUT defender o contrário. Tivemos que fazer grandes batalhas e a CUT usava a imprensa para se posicionar contra a categoria. Isso divide. Agora vamos fazer a luta com as pautas da categoria e com a unidade de quem quiser lutar. Quem quiser defender governos, que faça em seu nome, nós vamos defender os trabalhadores , explicou.

Rejane também ressaltou a importância da decisão: vivemos, no último perí­odo, filiados a uma central que usava o prestigio do Cpers e a representatividade da categoria para ir aos governos pedir retirada de direitos dos trabalhadores. Nossa categoria tem uma história de tradição, de luta, de coragem, para defender os interesses dos trabalhadores, e a CUT se utilizou disso para defender os governos. Não podemos permitir que um sindicato com a história do Cpers e uma categoria com a história que a nossa tem continue com a CUT, uma central que desistiu de defender os trabalhadores e partiu para defender os governos .

Sintrajufe/RS tomou o mesmo caminho em novembro de 2014

No final de 2014, os servidores do Judiciário Federal no Rio Grande do Sul tomaram decisão semelhante àquela que agora tomam os professores do estado. Em plebiscito realizado em novembro, 82,9% dos votos válidos decidiram que o Sintrajufe/RS não deveria mais seguir vinculado à CUT. Na ocasião, foram 2.158 votos, dos quais 1.775 no “SIM” à desfiliação. Votaram na opção “NÃO ” 366 colegas (representando 17,09% dos votos válidos). Além disso, houve quatro votos brancos e 13 nulos. 

Em 2013, o 8º Congresso Nacional da Fenajufe também decidiu pela desvinculação da federação em relação à CUT. “A decisão da categoria dos professores, que é uma das categorias mais lutadoras do nosso estado, apenas reforça o acerto da categoria do Judiciário Federal em ter se desvinculado da CUT. Nossa luta é independente de governos e patrões, o que hoje infelizmente se contrapõe à atuação dessa central”, avalia o diretor do Sintrajufe/RS Ruy Almeida.

Sintrajufe/RS, com informações de Jornalismo B