Â
Em assembleia geral do Sintrajufe/RS realizada no último sábado, 14, nas varas trabalhistas de Porto Alegre, a categoria aprovou a retomada da mobilização da categoria, com paralisação de duas horas, com ato público na 1ª Instância da Justiça Federal, no dia 8 de abril. A atividade faz parte do calendário de mobilização da categoria.
Ao abrir a assembleia, o diretor Cristiano Moreira fez um relato sobre as atividades de mobilização unificada dos servidores públicos federais (SPFs) e também sobre as ações da direção na luta pela reposição salarial, desde os primeiros meses do ano. O sindicato entregou, recentemente, a pauta de reivindicações da categoria aoTRF, aoTRT e aoTRE, além doSTM, em Brasília, sempre cobrando das administrações um empenho que não foi visto no ano passado. Em todos os encontros, a direção do sindicato lembrou a indignação dos servidores por terem sua pauta preterida frente à da magistratura. Foram dados, também, informes a respeito dolançamento da campanha salarial unificada em reunião ampliada do Fórum Gaúcho de SPFs, em fevereiro, e da participação da categoria noAto Classista Independente contra os ataques de Dilma, Sartori e Fortunati, no dia 12 de março.
No espaço aberto para debater a mobilização da categoria, enquanto colegas usaram a palavra para sugerir formas de fazer frente à intransigência do governo e à falta de ação do STF, que não se movimenta para exigir que o governo respeite a autonomia do Judiciário, outros propuseram debater um suposto golpe para derrubar o governo. O colega aposentado José Loguércio afirmou que está em jogo um golpe sim, patrocinado pelo governo dos EUA, empresas do petróleo . O colega da JT Walter Oliveira ressaltou que nossa mobilização pressupõe defender o Brasil, a democracia, o pré-sal. A categoria tem de fazer uma defesa clara e segura contra o golpe , afirmou.
O diretor Ruy Almeida ressaltou que a categoria segue, há nove anos, com perdas salariais acumuladas, vivendo um grande arrocho salarial, e que é preciso retomar a luta: Nenhum governo é imbatível e este governo também não é , afirmou. Por isso, ressaltou, o sindicato hoje atua em duas frentes: a luta unificada com os servidores federais e luta por reposição salarial.
De acordo com o diretor Cristiano Moreira, há uma direita fortalecida, mas foi o governo Dilma que nomeou um banqueiro no Ministério da Economia, que nomeou a miss motosserra na Agricultura, que retira direitos dos trabalhadores. O diretor Fagner Azeredo chamou a atenção que, em uma assembleia geral convocada para retomar a mobilização, o que se viu foi a defesa de um partido, de um governo que nos deixa nove anos sem reajuste, que ataca os direitos da classe trabalhadora . Ele afirmou que, independentemente de governo ou partido, se houver ataques à categoria, vai ter luta, sim .
Além do ato no dia 8 de abril, a assembleia também votou outros pontos. A categoria aprovou uma resolução que prevê a divulgação e a entrega ao presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, de umacarta  encaminhada pelo Gabinete Pessoal da Presidente da República, em resposta a um colega aposentado do Judiciário Federal de Minas Gerais, que escreveu a Dilma, pedindo que volte atrás no corte dos valores do projeto de reposição salarial. Assinada pelo diretor do gabinete Cláudio Soares Rocha, na carta é dito ao colega que a presidente nada pode fazer, pois esse assunto (remuneração da categoria) é exclusivo do Judiciário, e que Dilma respeita a autonomia entre os Poderes. A carta foi lida na assembleia pelo diretor Ruy Almeida, que a classificou como repleta de cinismo.
Foi aprovada, ainda, uma resolução a favor da Petrobras pública, e rejeitada a proposta de criação de uma comissão contra um golpe de estado.
No segundo ponto de pauta, a assembleia apreciou quatro requerimentos de instalação de Comissão de Ética contra servidores sindicalizados, por alegado descumprimento do art. 8º do Estatuto do Sintrajufe. Presente à assembleia, um dos colegas signatários dos requerimentos apresentou, ao microfone, as razões dos requerentes e logo após solicitou a retirada de três pedidos. Após ouvir a defesa oral do colega envolvido no quarto requerimento, em uma primeira votação a assembleia entendeu, por maioria, que não poderia aplicar qualquer punição ao colega, mas apenas arquivar o pedido ou encaminhá-lo à Comissão de Ética do Sintrajufe/RS. Em uma segunda votação, a assembleia decidiu, por maioria, pelo arquivamento do pedido.
No encerramento da assembleia, os colegas bateram palmas por um minuto, em homenagem à colega e ex-diretora do Sintrajufe/RS Silvana Klein, que faleceu em fevereiro.
Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS








