SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Governo federal corta R$ 7 bilhões da Educação e nomeia Cid Gomes ministro da área

O governo federal começou 2015 demonstrando a relatividade do conceito de “Pátria Educadora”, defendido pela presidente Dilma Rousseff (PT) em seu discurso de posse para seu segundo mandato. No dia 8 de janeiro, o governo anunciou um corte de R$ 7 bilhões no orçamento do Ministério da Educação. Dias antes, ainda no fim de 2014, Cid Gomes (PROS) foi anunciado como ministro da área, mesmo após sua difí­cil relação com os professores enquanto foi governador do Ceará.
 

Os cortes anunciados no dia 8 atingem todos os ministérios, e visam economizar recursos para alcançar o superávit primário e garantir o pagamento dos juros da dí­vida públicaa meta é economizar o equivalente a 1,2% do PIB deste ano. Há três categorias de gastos no orçamento da União: as despesas obrigatórias – em sua maioria salários de servidores e aposentadorias -, as despesas de custeio para manutenção da máquina pública – luz, água, equipamentos, passagens aéreas, etc. – e os investimentos. Os cortes se referem aos gastos discricionários, não obrigatórios, que tratam de valores referentes a questões como custeio (limpeza, vigilância, viagens de servidores, compra de materiais, consumo de gasolina e energia elétrica, etc) e investimentos em pesquisa, melhoria do ensino, modernização das estruturas, entre outros. Por conta de os cortes serem proporcionais aos gastos desse tipo em cada ministério, a Educação foi a mais atingida em valores absolutos, chegando a uma previsão de quase R$ 600 milhões de cortes por mês, em um total de R$ 7,042 bilhões (cerca de um terço do previsto).

 
O teto mensal para as despesas discricionárias da Educação foi reduzido de R$ 1,7 bilhão para aproximadamente R$ 1,2 bilhão. O segundo maior corte foi no Ministério da Defesa, de R$ 156,4 milhões, redução quase quatro vezes menor do que na Educação. No total, a tesourada nos ministérios significará uma redução de R$ 1,9 bilhão por mês, ou R$ 22,7 bilhões anuais.
 

Essa decisão acontece quase simultaneamente com a nomeação de Cid Gomes para o Ministério da Educação (embora, ressalte-se, os cortes não tenham passado por ele, e sim pela Presidência e pelo Planejamento). Justamente Cid Gomes, que, ao enfrentar uma greve de professores enquanto era governador do Ceará, externou com clareza sua posição sobre o trabalho em Educação: Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado . Naquele momento, um docente graduado, em regime de 40 horas, recebia um vencimento de R$ 1,3 mil.

 
A chegada de Cid Gomes ao Ministério é uma sinalização de que não apenas recursos serão cortados, como também que serão mantidos a prioridade de investimentos no setor privado, os processos de terceirização, o sucateamento dos espaços de Educação Pública, e a expansão do conceito de Educação como mera formação de mão de obra para a iniciativa privada. Segundo análise de Roberto Leher, professor titular de Polí­ticas Públicas em Educação da Faculdade de Educação da UFRJ e de seu programa de pós-graduação, colaborador da ENFF e pesquisador do CNPQ, publicada no site Correio da Cidadania (, a escolha do novo ministro “aponta um aprofundamento da contrarreforma e, pelo retrospecto de seus mandatos como governador, um recrudescimento do confronto do governo com os trabalhadores da educação básica e superior”.

 
Nesse contexto, é fundamental a união entre todas as categorias do serviço público federal para defender mais investimentos no setor e valorização dos trabalhadores, tendo a Educação como uma das prioridadesinclusive com a busca da destinação de 10% do PIB para o setor. Mas é preciso ter claro que não basta um maior volume de investimentos, sendo necessária também uma reorientação desses investimentos de forma a avançar na construção de uma Educação verdadeiramente emancipadora e libertadora, uma Educação pública, gratuita e de qualidade para todos.

 
Texto: Alexandre Haubrich.