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Além dos 800 trabalhadores já demitidos, pelo menos outros 1300 têm seus empregos em risco, já que a Volkswagen anunciou publicamente entender que existem 2100 funcionários excedentes na fábrica de São Bernardo. A decisão da multinacional foi tomada após a negativa dos trabalhadores em aceitar a proposta do Plano de Proteção ao Emprego (PPE), que impunha a redução do salário como moeda de troca da manutenção dos empregos. Na ocasião o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC defendeu a proposta da empresa, mas foi derrotado pela assembleia da categoria. Já na assembleia que deflagrou a greve, o sindicato apoiou a decisão, mas voltou a defender o PPE como solução.
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A proposta da empresa vai na mesma linha do que foi defendido por um grupo de centrais sindicais lideradas pela CUT e pela Força Sindical em reunião com o Ministério do Trabalho. Em encontro com o então secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcio Holland, em novembro passado, CUT e Força contaram também com o apoio da UGT, da CTB e da Nova Central, e sugeriram que, em momentos de crise, uma das medidas tomadas seja a redução dos salários dos trabalhadores. É o que a Volkswagen tentou aplicar, apoiada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, mas a resistência dos trabalhadores impediu a aplicação da medida e agora se transforma em uma greve de grandes proporções.
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A luta dos trabalhadores da Volkswagenda qual também participam os empregados da Mercedes Benz, onde foram 160 demitidos em dezembrobusca a reversão das demissões e um acordo que os proteja de novas dispensas nos próximos anos. Busca, enfim, que a crise criada pelos patrões não caia na conta dos trabalhadores, aprofundando um problema potencializado pelas recentes medidas anunciadas pelo governo federal, que retiram R$ 18 bilhões da Previdência.
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Mesmo com vendas em baixa, somente em 2013, as montadoras multinacionais enviaram para suas matrizes US$ 3,3 bilhões, valor 35% superior ao de 2012, sendo o setor campeão de remessas de lucros ao exterior. No período entre 2010 e 2013, o montante chegou a US$ 15,4 bilhões. O lucro não é alto por acaso: enquanto o governo brasileiro já gastou R$ 12 bilhões com as reduções de IPI e R$ 27 bilhões em desonerações de impostos para as montadoras nos últimos dez anos, a média da margem de lucro da venda de um automóvel no Brasil é de cerca de 10% do valor pago pelo consumidor final, enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, esse índice é de cerca de 2%. A média mundial é de 5%.
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Em um contexto de crise e no qual empresários e governos têm se colocado contra os interesses dos trabalhadores, é necessário fortalecer as mobilizações por mais direitos. Assim, o Sintrajufe/RS se solidariza com os grevistas do ABC, berço do sindicalismo de luta dos anos 1990, e ressalta a necessidade de união da classe trabalhadora para que a conta da crise não recaia sobre os ombros de quem não pode e não merece carregá-la.
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Texto: Alexandre Haubrich; foto: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.








