SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Lewandowski fala em avanço no projeto de aumento para juí­zes e “dificuldades” na negociação da reposição dos servidores

Duas semanas após as eleições, o tom da conversa e da avaliação do ministro Ricardo Lewandowski sobre o reajuste salarial mudou. Pela primeira vez, o presidente do Supremo Tribunal Federal disse aos servidores ser possí­vel que apenas os projetos salariais de juí­zes e procuradores sejam aprovados no Congresso Nacional.
 
 

O ministro conversou por cerca de dez minutos com representantes sindicais da categoria no intervalo de uma das mesas do VIII Encontro do Poder Judiciário, em Florianópolis (SC), nessa terça-feira, 11. Lewandowski afirmou que a tendência é que o PL 7917 (subsí­dio dos magistrados) avance rapidamente no Congresso Nacional porque os parlamentares dependem da aprovação desse projeto para aumentar o teto constitucional e assim reajustarem os próprios contracheques. Já em relação ao PL 7920 (servidores), o ministro explicou que a situação é bastante complicada, uma vez que o Executivo entende que a categoria já foi contemplada com o reajuste de 15,8%, cuja última parcela será efetivada em 2015. Ou seja, o governo não aceita que os servidores do Judiciário tenham reajuste já no próximo ano. Retrucamos que ele deve manter compromisso de isonomia e tratamento conjunto e que a concessão só para juí­zes causaria enorme insatisfação na categoria , relata Tarcí­sio Ferreira, diretor da Fenajufe e um dos que conversou com o ministro. Também participaram os coordenadores da Fenajufe Eugênia Lacerda, Cledo Vieira e João Batista.
 
 
O presidente do STF afirmou, no entanto, que não desistiu de buscar a negociação e que defende uma solução igualitária para juí­zes e servidoresem momento algum, porém, disse que não permitiria aumento só para magistrados. Ao se queixar que o tribunal tenta há uma semana, sem sucesso, falar com o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, incumbido pelo governo de tratar do assunto com o Judiciário e o MPU, acabou revelando que, na prática, as negociações não estão acontecendo. Afirmou que agora irá pessoalmente buscar uma nova conversa com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Não sinalizou, porém, quando isso poderia ocorrer.
 
 
STF fala em mais parcelas
 
 
Segundo Lewandowski, o diretor-geral do STF, Amarildo Vieira, estuda alterações no projeto para facilitar a negociação. Tais mudanças não foram negociadas com a Fenajufeo ministro disse para os servidores procurarem Amarildo para avaliar se concordam ou não com a versão do projeto que está sendo preparada. Elas seriam focadas em um parcelamento maior da proposta, em quatro ou cinco anos, e em possí­vel rebaixamento do impacto em 2015.
 
 
Nem em termos como esses, porém, demonstrou confiança de haver boas perspectivas de avanços. Chamou atenção o fato de o ministro, como nos demais encontros com os servidores, não ter feito uma única referência ao corte orçamentário e à quebra da autonomia entre os poderes por parte do governo Dilma Rousseff (PT). Ao se negar a ir para o confronto com o governo, Lewandowski se afasta dos servidoresque fazem reunião ampliada da Fenajufe no dia 30 de novembro tendo como desafio preparar um novo calendário de mobilizações contra o congelamento salarial e a eventual articulação de uma saí­da que só vê inflação e perda de poder de compra para os do andar de cima. O Sintrajufe/RS, juntamente com sindicatos de outros estados, havia realizado esforços para que a reunião ampliada ocorresse anteriormente, ainda durante a disputa do segundo turno das eleições, mas o pedido foi cancelado por dois dirigentes da Fenajufe.
 

O diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira avalia o resultado da reunião: “Não bastasse a concessão do auxí­lio-moradia para a magistratura, é uma vergonha que o STF cogite reposição apenas para juí­zes, ignorando os oito anos de perdas acumuladas para a nossa categoria. Não podemos aceitar que o Poder Judiciário siga de joelhos para o Executivo”.

 
Editado por Sintrajufe/RS; fonte: LutaFenajufe Notí­cias, por Hélcio Duarte Filho; com informações do Sindjus/DF.