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O primeiro painel do VII Congresso Estadual do Sintrajufe/RS tratou da conjuntura do país e das lutas necessárias a partir dessa leitura de conjuntura. A mesa, mediada pelo diretor Cristiano Moreira, teve como debatedores Mathias Luce, diretor do Andes/SN, doutor em História e professor do Departamento de História da Ufrgs; e Silvio César Camargo, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Unicamp.
Precarização do trabalho
Mathias Luce foi o primeiro a falar, afirmando que, no próximo período, deveremos enfrentar uma agudização da crise capitalista no país. Para ele, há um esgotamento de uma conjuntura anterior favorável, que permitia mitigar alguns efeitos das tendências de precarização . Luce criticou o governo federal, dizendo estarmos diante de um governo que vai prosseguir buscando dividir a classe trabalhadora .
O professor apresentou dados que mostram a precarização do trabalho, como o fato de que 40% das força de trabalho cumpre jornada maior do que as 40 horas legais. Também trouxe estatística do INSS que mostra que os acidentes de trabalho dobraram na última década, e lamentou o aumento do endividamento da classe trabalhadora. Luce ainda criticou os fundos de pensão e o Funpresp, caracterizado por ele como dilaceramento da nossa solidariedade, do conjunto das categorias do serviço público federal . Para ele, há um processo de conversão de direitos em privilégios e uma apresentação de privilégios como se fossem direitoscitando como exemplo a concessão de auxílio-moradia aos juízes e magistrados. Luce questionou também a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), que representa o aprofundamento da precarização dos serviços de saúde, e concluiu afirmando que o grande desafio que se coloca é a independência em relação aos governos: Nenhum direito a menos , encerrou.
Crise do capital
Silvio César Camargo foi em caminho semelhante, criticando qualquer possibilidade de caracterização do atual governo como um governo de esquerda. Camargo fez uma retomada da trajetória da classe trabalhadora nas últimas décadas, avaliando que houve mudanças importantes a partir da década de 1970: Há dificuldade em compreender o período histórico em que vivemos, e sem isso não temos como compreender a conjuntura dos últimos anos , explicou. Para ele, o fordismo vem sendo superado, e as exigências sobre o trabalhador têm aumentado: Hoje o trabalhador que não consegue desenvolver múltiplas tarefas não consegue emprego , destacou ele.
Em sua avaliação, o capital vive uma crise profunda, e há uma crise também de representatividade. Nesse sentido, fez referência ao debate que seria travado à tarde, sobre a possibilidade de desfiliação do Sintrajufe da CUT: O capitalismo pode ter se modificado, mas continua sendo o capitalismo. E, enquanto o capitalismo existir, a única coisa que nos resta é continuar lutando , concluiu Camargo.

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Ao final do painel, foi aberto espaço para a manifestação dos delegados, que trataram entre outros temas, das possibilidades de atuação da classe trabalhadora frente à conjuntura, e a questão das centrais sindicais inseridas nesse contexto. Alguns defenderam que, apesar dos problemas, o atual governo aumentou o número de servidores e de universidades e escolas federais, por exemplo. Em contraposição, outros colegas apontaram que há uma precarização do serviço público, com o avanço das terceirizações e a privatização de empresas públicas, além da desvalorização dos servidores, que têm o salário congelado.
Texto: Alexandre Haubrich; fotos:Â Rosane Vargas








