SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Servidores devem preparar já a resistência a ataques do “novo” governo

A referência à responsabilidade fiscal e aos bancos no primeiro discurso após a eleição parecem tentar sinalizar que não haverá mudanças, inclusive para os servidores públicos, no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT): “Quero a parceria de todos segmentos, setores, áreas produtivas e financeiras, nessa tarefa que é responsabilidade de cada um de nós. Seguiremos combatendo com rigor a inflação e avançando no terreno da responsabilidade fiscal”, disse a presidente logo após a vitória sobre o candidato Aécio Neves (PSDB) ser confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral, por diferença de três por cento dos votos válidos.
 

Difí­cil acreditar que a citação do sistema financeiro e do cantado ajuste fiscal sejam obras do acaso ou improviso. Assemelha-se, sim, a um recado direcionado ao mercado: esqueçam o que foi dito na campanha, quando a candidata pôs na conta dos bancos a potencial responsabilidade pela pobreza e miséria dos brasileiros e acusou seus opositores de tramarem um brusco ajuste fiscal.
 

Mercado
 

Dois dias após a eleição, os jornais e portais na internet já estampavam a “pressão” do mercado para que o governo aplique medidas impopulares que, inevitavelmente, vão atingir os trabalhadores e os serviços públicoso que Dilma, ao longo da campanha, prometeu não fazer. Investidores querem redução de gastos e ministro com credibilidade no mercado , destacava o portal UOL. Já em seu primeiro discurso após a vitória, Dilma deixou claro que está aberta ao diálogo, não com os trabalhadores, mas com os setores mais conservadores e com o mercado financeiro. Além disso, deixou clara sua opção polí­tica pela responsabilidade fiscal, em detrimento da valorização do serviço público, o que só reforça a necessidade de nos prepararmos para lutar ainda mais no próximo perí­odo , afirma Ruy Almeida, diretor do Sintrajufe/RS, assinalando que os trabalhadores não devem alimentar ilusões com os próximos quatro anos de governo, assim como não deveriam fazê-lo caso tivesse sido o tucano o vitorioso da disputa.

 
Quando atacou os banqueiros, a candidata petista chocou alguns setores conservadores. O objetivo da campanha, no entanto, era evidente: minar o crescimento de Marina Silva, a postulante ao cargo pelo PSB e que tentava se apresentar como terceira via, apesar de uma intensa e exposta parceria com a herdeira do banco Itaú, que divide com o Bradesco a liderança privada no mercado financeiro no paí­s.

 
Não fez menção, e não surpreende, ao fato de que tanto o Itaú quanto o Bradesco figuravam entre os principais financiadores também da campanha de Dilma. Mas a propaganda talvez tenha chocado mais a alguns não pela agressividade contra os bancos, mas por indiretamente ilustrar algo não revelado, mas que em números pode ser traduzido pelo montante de recursos que ao longo dos últimos 20 anos sangraram dos cofres públicos para as contas dos credores das dí­vidas públicas do paí­s, na forma de juros e amortizações: em torno de R$ 14 trilhões, segundo dados oficiais. Deste valor, em 11 anos de governo o PT responde, até o fim de 2013, por R$ 7,7 trilhões. A tí­tulo de comparação, em 2013 os gastos previstos com o Bolsa Famí­lia, principal programa assistencial do governo, estão na casa dos R$ 29 bilhões, alcançando os maiores valores, sejam nominais ou corrigidos, de todos os três mandatos petistas. Multiplicando-se pelos 12 anos de governo petista, não se atinge R$ 350 bilhões, 22 vezes menos do que as despesas com a dí­vida pública, que o governo tanto alardeia ter controlado.

 
Encontro nacional dos servidores

 
Não há nada que indique mudança de rumo e de prioridades nos próximos quatro anos de governoque encerra seu primeiro mandato reafirmando uma polí­tica salarial para o funcionalismo que resultou em oito anos de perdas para os servidores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União. O governo do PT estava vindo com uma polí­tica de arrocho salarial e, com a vitória nas urnas, creio que a intransigência e falta de diálogo com os servidores públicos vão continuar , observa Eugênia Lacerda, servidora do TSE e dirigente da Fenajufe. A perspectiva não é boa. Isso mostra a necessidade de os servidores públicos se reorganizarem em uma luta unificada, a exemplo de 2012, para alterar essa postura do governo dito dos trabalhadores e garantir, ao menos, a reposição inflacionária , defende, destacando a importância de todos os setores participarem do seminário que o conjunto das entidades sindicais dos federais fazem de 14 a 16 de novembro, em Brasí­lia.
 

O fórum é uma oportunidade de os trabalhadores dos serviços públicos se prepararem para um cenário nada animador que se vislumbra para 2015. Durante os últimos 12 anos com o PT no governo fomos bastante atacados em nossos direitos , afirma Saulo Arcangeli, também da coordenação da Fenajufe. Ele cita a Reforma da Previdência e a privatização da seguridade via fundos de pensão, ao lado do arrocho salarial, como exemplos disso: Nos próximos quatro anos de PT precisamos aumentar a unidade de luta dos servidores públicos para nos preparar para os prováveis ataques que virão, diante do aprofundamento da crise econômica e da manutenção da base polí­tica de sustentação do governo, amplamente desfavorável aos trabalhadores , alerta.

 
Para tentar reverter os oito anos de perdas, que já reduzem o poder de compra dos salários em cerca de 50%, os servidores do Judiciário Federal e do MPU devem prosseguir com a campanha pela aprovação dos projetos salariais. Mas, é natural, devem também analisar na próxima reunião ampliada da Fenajufe, em novembro, quais rumos seguir. Dilma e PT agora terão que enfrentar uma agenda negativa que tentaram esconder debaixo tapete durante a campanha [eleitoral] , pontua Adilson Rodrigues, servidor da Justiça Federal de Santos (SP) e da coordenação-geral da Fenajufe. O governo terá que pagar mais caro pelo apoio polí­tico no Congresso, cuja maioria tem perfil conservador e lí­deres mais proeminentes estão envolvidos no escândalo da Petrobras , diz. Tudo isso somado, teremos cenário desafiador a partir de agora, onde o governo estará entre a cruz e a espada de implementar medidas impopulares e correr risco de voltar a ser contestado nas ruas, com retomada das manifestações , analisa, ressaltando que o processo eleitoral demonstrou que os servidores do Judiciário Federal e do MPU romperam definitivamente com PT, responsável pela polí­tica de arrocho que levou à maior perda de poder aquisitivo já enfrentada pela categoria em mais de uma década . E constata: os lí­deres sindicais que seguiram apoiando a reeleição de Dilma serão cobrados pela categoria, que precisa resgatar a sua unidade e partir para um grande movimento nacional de pressão sobre o governo.
 

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: LutaFenajufe, por Hélcio Duarte Filho.