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Na noite da última quarta-feira, 8, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, recebeu representantes da Fenajufe em reunião para tratar da reposição salarial dos servidores do Judiciário Federal. No encontro, que havia sidoagendado no dia 9 de setembro, o presidente do STF revelou que conversou com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, para tratar dos projetos salariais do Poder Judiciário, e que a partir dessa reunião foi acertada a negociação entre a representação do Supremo e o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça.
A ministra do Planejamento designou, ainda, uma equipe técnica para acompanhar a negociação junto aos representantes do Judiciário. Uma primeira reunião entre o corpo técnico e o diretor-geral do STF, Amarildo Oliveira, já foi realizada na mesma quarta-feira. A notícia foi bem recebida pelos servidores: “É importante e necessário o fato do Poder Judiciário finalmente ter começado a negociar com o governo , disse Adilson Rodrigues, da coordenação-geral da Fenajufe e um dos servidores que participaram da conversa.
Greve garantiu a negociação, mas nada está definido
O dirigente sindical destacou, porém, que nada está assegurado e que será preciso ainda muita mobilização por parte da categoria para que haja avanços na luta pela reposição de oito anos de perdas salariais. A pressão da greve em todo pais, a realização dç ato na posse do presidente do STF, quando a presidente Dilma estava presente com seus ministros, o efeito devastador da paralisação massiva e a ameaça de deflagração de greve noTRE de SP e demais estados, tudo isso foi decisivo para que a cúpula do Judiciário finalmente começasse a se mexer , avaliou.
Para o diretor do Sintrajufe/RS Ruy Almeida, o início das negociações demonstra a necessidade de que a categoria se mantenha mobilizada: “A greve, os atos públicos e os apagões realizados pela categoria são responsáveis pelos avanços conquistados até aqui”. O diretor destaca o ato realizado pela categoria em Esteio-RS, na abertura da Expointer, quando a presidente Dilma esteve presente: “Foi o único ato realizado na presença da presidente fora de Brasília, e com certeza ela entendeu nosso recado. Os servidores em todo o país devem seguir mobilizados, construindo novos atos e paralisações para forçar o governo a ceder”, afirma.
Participaram da reunião, representando os servidores, além de Adilson, os diretores da Fenajufe Alexandre Martins, Cledo Vieira e Mara Weber. Pelo sindicato de Brasília (Sindjus/DF), participou Jailton Assis. Pelo STF, Lewandowski, o diretor-geral do tribunal Amarildo Oliveira, dois juízes auxiliares e o chefe da Segurança.
Possível contraproposta
Não foi a primeira vez, desde que Lewandowski assumiu a presidência ainda interinamente, que o secretário de Relações do Trabalho se reuniu com representantes do STF para tratar do assunto dos salários. Mas, segundo Amarildo, o tom da conversa não foi o mesmo dareunião anterior – dessa vez, Sérgio Mendonça disse estar autorizado por escalões superiores do governo para negociar com o Poder Judiciário.
De acordo com o Supremo, a negociação em curso trata dos projetos que envolvem salários de servidoresPL 7920/2014 (reposição salarial), PL 319/2007 (AQ para técnicos com ensino superior), aumento de FCs e CJse de magistrados (adicional por tempo de serviço, reposição da inflação, entre outros). Os representantes do governo receberam os dados sobre todas as propostas, com as respectivas estimativas de impacto financeiro, com o compromisso de analisar e apresentar uma contraproposta oficial do governoa próxima reunião deverá ocorrer na semana de 13 a 17 de outubro.
Protestos antes do 2º turno
O presidente do STF, por mais de uma vez, disse que a prioridade serão os servidores e defendeu a unidade da categoria neste momento. Disse ainda que está disposto a realizar novas reuniões com os dirigentes sindicais, caso necessário, mas que preferia que o processo fosse acompanhado pela direção-geral do Supremo.
Nada ficou assegurado, mas a impressão que ficou foi de que a pressão decorrente das mobilizações nacionais dos servidores, mesmo que em ritmos desiguais, está surtindo efeito. Novas manifestações e possíveis paralisações, para pressionar o governo Dilma e a cúpula do próprio Poder Judiciário Federal, devem ser convocadas para os próximos dias, antes do segundo turno das eleições. O desafio é converter a crescente insatisfação da categoria com a falta de perspectivas concretas de reajuste e com o modo como vem sendo tratada pelo governo e administrações em mobilizações mais fortes e coesas nos próximos dias.
Editado por Sintrajufe/RS; fonte: Hélcio Duarte Filho, LutaFenajufe Notícias








