SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Plano de Carreira foi tema de painel aberto à categoria e transmitido ao vivo pelo Sintrajufe/RS

No sábado, 27, pela manhã, dentro da programação do XIV Encontro Estadual dos Oficiais de Justiça Avaliadores Federais, foi realizado painel sobre Plano de Carreira, tendo como convidados o coordenador-geral da Fenajufe Adilson Rodrigues Santos; o diretor do Sintrajud/SP Antônio dos Anjos Melquí­ades (Melqui); e o colega do TRT4 Anderson de Mello Reichow. A atividade foi aberta a toda a categoria e transmitida ao vivo pelo site do sindicato, com registro de acessos em várias partes do paí­s.

Primeiro a falar, Melqui fez uma avaliação da conjuntura enfrentada pela categoria. Em sua exposição, afirmou que existe, sim, uma polí­tica salarial para os servidores, mas é de congelamento, com a finalidade de sucatear e privatizar o serviço público com vistas ao desmonte do Estado. Ele lembrou que o documento 319 do Banco Mundial trazia as diretrizes do neoliberalismo, com o alavancamento das privatizações e o desmonte da máquina pública. Em 2008, no entanto, durante a crise internacional, foram os governos que interferiram para salvar bancos e empresas, com um total 50 trilhões de dólares no mundo. Ou seja, quando interessa à classe dominante, o Estado pode intervir, concluiu o painelista. No Brasil, Melqui disse que é possí­vel dividir o movimento sindical em antes e depois de Lula/Dilma. Os que se uniram contra as polí­ticas neoliberais de Fernando Henrique Cardoso se dividiram quando o PT chegou ao governo. O dirigente lembrou que, logo de iní­cio, Lula colocou em pauta a Reforma da Previdência e que, nos últimos anos, os servidores perderam mais de 50 direitos.

Os PCSs são uma forma de amenizar a falta de data-base, de reajuste anual de salário. Para ele, é preciso união da categoria para discutir carreira, negociação coletiva e reposição salarial. Quando o assunto é Plano de Carreira, ressaltou, é preciso encarar temas como desvios de função, redução da jornada, adoecimentos decorrentes das novas tecnologias, respeito à data-base, fim de qualquer proposta de carreiras exclusivas, equiparação com carreiras correlatas de outros Poderes que estão mais valorizadas, busca por reconhecimento como atividade exclusiva de Estado e polí­ticas de combate ao assédio moral.
 
 

 

Modelo remuneratório e desenvolvimento na carreira

De acordo com Anderson, o Plano de Carreira tem de enfrentar não apenas a questão remuneratória, mas outros pontos. O colega entende que, atualmente, a categoria não tem exatamente uma carreira, pois o atual quadro não proporciona desenvolvimento. Anderson, que defende o subsí­dio como modelo remuneratório, disse que é preciso fazer uma discussão sem prejuí­zo da luta por reposição salarial que está em curso. Na discussão anterior sobre subsí­dio, Anderson avalia, não foram considerados fatores importantes, como especificidades de oficiais de justiça, agentes de segurança, saúde e unidade da categoria.

O colega apresentou um modelo que, em sua avaliação, considera o desenvolvimento na carreira e as especificidades de cada cargo. Anderson defendeu que o subsí­dio é compatí­vel com direitos fundamentais como horas extras, adicional noturno e outros, e informou que está sendo buscada jurisprudência para isso. Por fim, disse que é preciso pressionar o Judiciário para que cumpra sua parte na reivindicação de autonomia de seu próprio poder.

Em defesa da democratização

Os servidores públicos personificam o Estado, mas o que é o Estado? , perguntou Adilson. Ele nem sempre está a favor da maioria; da mesma forma, o Judiciário, que muitas vezes não age em favor da Justiça. Por isso, prosseguiu Adilson, a categoria tem o desafio de melhor organizar o Judiciário como um todo; a carreira, com vistas a democratizar esse Poder, que é conservador; e as relações de trabalho.

Adilson ressaltou que os servidores estão sendo desrespeitados sistematicamente em direitos fundamentais, e que a organização da carreira tem de responder a esses ataques. No governo Fernando Henrique, com a Reforma Administrativa, foram retirados vários direitos, e as perdas continuaram com Lula. Não sem a resistência dos trabalhadores, lembrou.

Ele recordou que, até 1996, no PCS-1, a categoria não tinha sequer uma tabela própria. O dirigente fez um breve relato sobre os avanços dos PCS, mas ressaltou que eles não conseguiram ir além da questão salarial e de pequenas questões de carreira, o que ele chamou de quebra galho . Ao discutir carreira, reforçou, é preciso tratar do papel do Estado e de sua missão. Para o painelista, é preciso unidade entre os servidores para que a categoria faça o necessário debate sobre carreira. Segundo ele, essa é uma discussão estratégica para a sociedade como um todo, porque busca a democratização e a transparência do Estado, para que ele não esteja a serviço de uma minoria .

Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS
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