SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Humberto Martins propõe ficha limpa no Judiciário

O corregedor-geral da Justiça Federal, ministro Humberto Martins, criticou a forma como são punidos atualmente na esfera administrativa os magistrados que cometem irregularidades. Em entrevista coletiva na manhã de terça-feira, 30, Martins afirmou que hoje a Corregedoria determina pena de censura ou, em casos mais graves, de aposentadoria compulsória. Ele reconhece, porém, que a aposentadoria compulsória contribui para a sensação de impunidade que predomina na população brasileira.
 

Com o regime republicano, a sociedade está dando seu grito de cidadania e pede não aposentadoria compulsória, mas demissão. É a vez da ficha limpa no Judiciário , afirmou o corregedor. Segundo ele, a magistratura brasileira deve se guiar pela noção de que o juiz não é dono do poder . Ao contrário: Somos inquilinos do poder. O poder é do cidadão brasileiro .
 

Durante a entrevista, o ministroque assumiu o cargo de corregedor em abril, para um mandato de dois anosapresentou dados e expôs o planejamento das ações que pretende desenvolver. Mais do que um trabalho fiscalizador, disse ele, a Corregedoria deve apresentar soluções para os problemas enfrentados nos tribunais regionais do paí­s.
 

Bom senso
 

De acordo com Humberto Martins, atualmente a Corregedoria tem em análise 133 processos. Destes, 51 são disciplinares, 20 são pedidos de providências das partes envolvidasque cobram celeridade na análise das ações “, 23 são de caráter normativo e 39, administrativos. O corregedor explicou que os processos disciplinares envolvem principalmente questões de morosidade nos julgamentos e também de desvio de conduta dos magistrados: A Corregedoria está aplicando rigidez com bom senso, dando uma resposta à sociedade. Afinal, o direito não está do lado de quem dorme , disse. Ele se referia aos milhões de processos que não são julgados em razão da morosidade nos tribunais brasileiros.

 
O ministro deixou claro que não só o desempenho dos juí­zes é responsável pela lentidão na conclusão das ações; para ele, há um excesso de processos chegando aos tribunais: Temos o exemplo do próprio STJ, que é um tribunal de teses, mas continuamos a deliberar aquilo que já está pacificado .
 

Inspeções
 

Humberto Martins pretende fazer pelo menos uma inspeção em cada região da Justiça Federal até o final de sua gestão. Dessa forma, quer promover um levantamento dos processos a serem julgados, estabelecendo uma radiografia dos tribunais com o objetivo de implantar um planejamento estratégico de gestão para cada uma das cinco regiões do paí­s.
 

Tendo em mãos os dados do relatório Justiça em Números 2014, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o corregedor apresentou um diagnóstico da quantidade de processos em cada Tribunal Regional Federal e também da geração de despesas e receitas das cinco regiões.
 

A 1ª e a 5ª Região gastaram mais do que arrecadaram. Porém, na soma das cinco regiões, houve mais ganhos aos cofres públicos do que gastos. Para o ministro, há que fazer justiça com a 1ª Região, que apesar de gastar mais do que arrecada, atende 14 estados brasileiros. Já a 2ª e a 3ª Região são as que mais geram receita, pois atendem estados como Rio de Janeiro e São Paulo, as maiores economias do Brasil. Não se pode julgar menos do que se recebe, nem gastar mais do que se arrecada , alertou o ministro.
 

O Sintrajufe/RS apoia que os magistrados tenham o mesmo tratamento dos servidores, sendo também passí­veis de demissão. Entendemos que hoje a aposentadoria compulsória representa um privilégio em relação a todo o serviço público, e é importante que haja isonomia no tratamento dos magistrados.
 

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: STJ.