SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Sintrajufe/RS realiza debate sobre condições de trabalho e saúde do trabalhador

Hoje à tarde, a atividade de greve se concentrou nas varas trabalhistas, onde foi realizado o debate Condições de trabalho e saúde do trabalhador , com a presença da médica Larissa Murussi e da psicóloga Eduarda Cirolini Burial, da assessoria de saúde do Sintrajufe/RS. A atividade serviu como um espaço de apresentação de demandas da categoria à assessoria e ao sindicato, gerando uma troca de experiências e vivências profissionais entre os colegas.

Durante a apresentação do painel, Larissa e Eduarda fizeram considerações gerais sobre conceitos em matéria de saúde do trabalhador, e explicaram que os processos de trabalho estão, cada vez mais, causando adoecimento, e lançaram a pergunta: como adoecem os servidores do Judiciário Federal? Nesse momento, foi aberto espaço para a manifestação dos servidores, para que contribuí­ssem com seus relatos.

Vários colegas, das justiças do Trabalho e Federal, usaram o microfone para falar de suas experiências. Os casos relatados foram os mais diversos: LER/Dort e outros tipos de doença por conta do trabalho, assédio moral, falta de atenção das administrações aos problemas, polí­tica de metas, aumento da carga de trabalho e aumento do í­ndice de adoecimento psicológico, problemas oftalmológicos e sobrecarga de trabalho com a implantação do processo eletrônico.

O teletrabalho, que tem sido visto de forma positiva por alguns colegas, foi tratado com ressalva. Nas manifestações, os servidores disseram que essa nova forma de trabalho pode trazer isolamento e um sentimento de falta de pertencimento ao conjunto da categoria; no futuro, pode prejudicar até mesmo as mobilizações. Setores da categoria como agentes de segurança e oficiais de justiça, que têm um trabalho diferenciado, também foram lembrados nos relatos, por suas peculiaridades e problemas de saúde que exigem atenção.

O diretor Fagner Azeredo lembrou que o Judiciário Federal tem uma composição de mais de 50% de mulheres. Em decorrência da cultura machista, ressaltou o diretor, não só o assédio moral, mas também o assédio sexual é um problema grave a ser enfrentado. Ele afirmou a necessidade de que os casos sejam denunciados.

Indo ao encontro dos relatos, Larissa e Eduarda mostraram dados da Pesquisa de Saúde realizada pelo Sintrajufe/RS em 2012, em que a categoria indicava falta de possibilidade de crescimento no trabalho, polí­tica de metas e polí­tica de capacitação e treinamento como principais fatores de desmotivação. Além disso, um grande percentual de colegas indicava estar fazendo uso de anti-inflamatórios, ansiolí­ticos e calmantes e apresentava sintomas de problemas oftalmológicos e osteomusculares. As assessoras de saúde afirmaram que fazer sete a oito pausas é importante para que os servidores não sintam dores no pescoço, nas costas, nos cotovelos, nos punhos, nas mãos e nas pernas. O aumento da quantidade de trabalho, disseram, está relacionado sempre ou quase sempre com dores no pescoço, nas costas, nos ombros e nos braços.

Elas ressaltaram que as saí­das individuais ajudam a amenizar, mas os problemas continuam presentes. Portanto, para uma solução eficaz, é preciso ir além e alcançar uma efetiva polí­tica de pausas; a implantação de ações como ginástica laboral; a redução da jornada de trabalho; e lutar contra a polí­tica de metas do Conselho Nacional de Justiça.

Na avaliação da direção, a atividade foi bastante positiva, em função da participação expressiva dos servidores, que interagiram com as profissionais da assessoria de saúde e relataram seus problemas cotidianos. As falas de todos os presentes foram unânimes no sentido de que apenas a atuação coletiva dos servidores e do sindicato pode conquistar melhores condições de trabalho e que essa pauta deve seguir como eixo de luta da categoria.

Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS