SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Carreiras exclusivas: Fenajufe mantém a luta contra a divisão da categoria; Judiciário Federal: Casa Grande e Senzala?

São bastante preocupantes, as atitudes e as pressões que acontecem no STF e nos tribunais superiores para criação de carreiras exclusivas naqueles órgãos.

Primeiramente, tivemos a criação, a partir da portaria 46/2014, de uma comissão para apresentação de estudos acerca da proposta de criação de uma carreira própria para o quadro de pessoal do Superior Tribunal de Justiça. Posteriormente, criou-se uma provável proposta também no STF de criação de uma carreira própria a ser discutida por aquela Corte.

A criação de carreiras exclusivas nos tribunais superiores trará muitos prejuí­zos para a categoria, que já passa de 120 mil trabalhadores no paí­s, pois quebra a isonomia com os demais servidores do Judiciário Federal. Além disso, os presidentes dos tribunais superiores terão que interceder apenas com os seus servidores diretos, quebrando a unicidade.

A distinção salarial na proposta causará também uma grande indignação da categoria, pois os servidores passaram pelos mesmos concursos, realizam as mesmas atribuições, lutaram juntos pelos vários planos de cargos e salários, pela manutenção de direitos e melhores condições de trabalho.

Para o STF e os tribunais superiores, é muito cômodo se valerem da angústia dos colegas servidores daqueles órgãos, premidos pela desvalorização salarial imposta pelo próprio PJU, por meio de sua constante omissão em fazer valer sua autonomia orçamentária perante o Executivo. Assim, com quadros relativamente pequenos de servidores, podem achar que não teriam dificuldades em aprovar os projetos de reajustes dos seus quadros , pelo crivo dos poderes Executivo e Legislativo, podendo, assim, apresentarem propostas de reajustes bem generosas, enquanto esqueceriam e não se empenhariam na aprovação de reajustes justos para o restante da categoria que faz parte do Poder Judiciário e que presta serviços diretos à população.

As propostas também apresentam inconstitucionalidades por quebrarem a unicidade das carreiras. Antes do primeiro PCS, em 1996, havia várias normas que regulamentavam as carreiras dos servidores do Poder Judiciário. O chamado PCS1 foi uma vitória que unificou a carreira e criou condições para o seu desenvolvimento.

Há, inclusive, várias controvérsias em jurisprudências que discutem se, na criação das carreiras especí­ficas , poderiam ingressar apenas novos servidores ou, até mesmo, se mantida a nomenclatura dos atuais cargos nessas novas carreiras especí­ficas , com vencimentos superiores, esses valores teriam que ser estendidos aos demais servidores.

As propostas atuais de criação de carreiras exclusivas retrocedem (mais de 15 anos) na valorização do Judiciário e de seus servidores, buscando criar uma divisão da carreira e enfraquecendo a categoria ao criar servidores de 1ª e 2ª classes, uma verdadeira Casa Grande e Senzala , onde a Casa Grande passaria a ter valorização salarial, melhores condições de trabalho, enquanto a senzala teria salários rebaixados e desvalorização da sua carreira, mesmo que os servidores do paí­s sejam regidos, atualmente, pelas leis que implementaram o Plano de Cargos e Salários, prejudicando cada vez mais a prestação de serviços à sociedade.

A Fenajufe tem a compreensão de que esses vários anos de uma polí­tica do STF e do governo federal, principalmente na última negociação com o governo Dilma, de desvalorizar a carreira aprofundando a terceirização, a precarização do trabalho e impondo um grande arrocho salarial, contribuem com a ilusão de uma parte da categoria que pensa que, se apartando do conjunto dos servidores do Judiciário, conseguirá alcançar um avanço salarial, desistindo de lutar para buscar um verdadeiro Plano de Carreira, que valorize o seu salário e garanta sua dignidade como servidor da carreira judiciária.

E, na audiência desta quinta-feira (13/03), da Federação com o chefe de gabinete do presidente do STF, Silvio Albuquerque, os coordenadores João Evangelista e Saulo Arcangeli reafirmaram a posição da Fenajufe contrária às carreiras exclusivas e cobraram a resposta do STF à instalação da Mesa de Negociação permanente que discutirá, entre outros pontos, um Plano de Carreira único para os servidores do judiciário federal e também a pauta enviada pela Fenajufe, que até agora não foi respondida. 

Na ocasião, foram informados Albuquerque que, em relação às carreiras especí­ficas , há muita pressão dos próprios servidores daquele órgão que encaminharam abaixo-assinado ao presidente Joaquim Barbosa. Esclareceu que o presidente do STF ainda não tem posição sobre o assunto e que, em relação ao apoio dos outros ministros daquela Corte, há bastante especulação sobre a posição favorável deles. Também informou que o ministro Joaquim Barbosa pretende colocar essa discussão em reunião administrativa para que o colegiado de ministros do STF decida sobre o assunto.

A categoria do Judiciário Federal necessita, neste momento, criar uma grande unidade, para que possa, na campanha salarial 2014, combinar a luta pela reposição das perdas e pela data-base com um verdadeiro Plano de Carreira, que valorize toda a categoria do paí­s, não privilegiando poucos e prejudicando aqueles que contribuem para construir o Poder Judiciário Federal.

Por isso, a Fenajufe exige do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça a suspensão dessa discussão e que o ministro Joaquim Barbosa instale, imediatamente, a mesa de negociação permanente e garanta a elaboração de um verdadeiro Plano de Carreira, que valorize o conjunto da categoria judiciária que integra todas as suas instâncias.

Fonte: Fenajufe
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