SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Metade do orçamento é esterilizado com a manutenção do sistema da dí­vida , diz Fattorelli

O que quebra o Estado brasileiro é o pagamento religioso da dí­vida pública, que nunca foi auditada, e não o reajuste dos servidores. Essa frase, da coordenadora do movimento Auditoria Cidadã da Dí­vida Pública, Maria Lúcia Fattorelli, deu o tom da palestra A dí­vida pública e os serviços públicos , realizada no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, dia 6. Mais do que uma palestra, foi um ato polí­tico da campanha salarial unificada do funcionalismo, que, além das reivindicações salariais, exige serviços públicos padrão FIFA! . Um dia antes, os servidores fizeram um ato nacional em frente ao Ministério do Planejamento, quando foram recebidos por representantes do governo.

A partir de dados oficiais, Fattorelli explicou que o pagamento com dos serviços da dí­vida (rolagem, pagamento de juros e amortizações) consumiu, em 2013, 40,13% de todas as receitas federais: R$ 718 bilhões. Em 2014, a lei orçamentária prevê um gasto superior a R$ 1 trilhão. Metade do orçamento é esterilizado, como a manutenção do sistema da dí­vida , disse. Para Fattorelli, há fortes indí­cios de que a dí­vida pública é manipulada, para beneficiar os grandes bancos e especuladores, que detêm os seus tí­tulos. Por isso, ela defende a auditoria da dí­vida, iniciativa garantida pela Constituição Federal, e cita como exemplo o Equador, que anulou 70% de sua dí­vida após auditá-la, dando uma lição de soberania ao mundo .

Sistema da dí­vida

Coordenando os trabalhos da Auditoria Cidadã há 14 anos, Fattorelli explicou que o pagamento da dí­vida não é isolado, trata-se de sistema de endividamento . É a utilização da dí­vida às avessas, que em vez de aportar, subtrai recursos . Segundo explicou, quando o Tesouro emite tí­tulos e os vende, deve receber aportes, mas, na maioria das vezes não houve essa entrega , disse, referindo-se ao histórico da atual dí­vida pública brasileira, que foi gerada a partir de 1970, no milagre econômico , durante a ditadura civil-militar.

De acordo com Fattorelli, o sistema se reproduz internacional e regionalmente, nos estados, e opera a partir do modelo econômico adotado no Brasil, com controle de inflação por meio das altas taxas de juros e manutenção do superávit primário, que é obtido com o contingenciamento de gastos. Assim não sobram recursos para reajuste de servidores, ou manutenção da estrutura do Estado , conclui a palestra. O resultado é a intensificação das privatizações, pelas mãos do PT, que está fazendo pior do que FHC, privatizando a estrutura do Estado: estradas, portos, aeroportos, petróleo .

O sistema da dí­vida opera, além disso, privilegiando os agentes financeiros (basta ver os recordes de lucros dos bancos); a partir de um sistema legal, que vem sendo construí­do no Brasil desde a Constituição de 1988 e do sistema polí­tico: Quem foram os grandes financiadores da campanha de Dilma e Alckmin, na campanha de 2010? , questionou. Há ainda outros dois pilares que sustentam o sistema da dí­vida: a corrupção e a grande mí­dia, que é financiada pelos mesmos grupos econômicos que se beneficiam do pagamento da dí­vida pública.

Ataques à Previdência

A segunda maior fatia do orçamento da União vai para a Previdência, o que explica por que a grande mí­dia ataca a previdência social , fabricando notí­cias sobre um déficit que não existe. Fabricam esse déficit para manipular a cabeça dos trabalhadores e fazer seguidas reformas da previdência. Vão tirar de onde ainda tem, que é da previdência , disse Fattorelli, que defendeu a luta pelo fortalecimento da Previdência pública.

A palestrante ressaltou que é preciso lutar pelo reconhecimento da nulidade da Reforma da Previdência, de 2003. Essa reforma é nula, precisamos lutar para que essa nulidade seja reconhecida. Se não fosse a compra de votos, a reforma não teria sido aprovada , destacou.

Fattorelli também criticou o Funpresp, aprovado por Dilma Rousseff, que privatiza o sistema de previdência dos servidores públicos. Esses fundos de pensão pegam um dinheiro legí­timo e compram derivativos, que são papéis sem lastro, papéis podres. Na Europa, a quebra dos fundos de pensão está levando milhares de idosos ao pânico, muitos estão cometendo suicí­dio , disse, fazendo referência à crise econômica iniciada em 2008.

Fattorelli ainda afirmou que não dá para ter ilusão no governo do PT e questionou: de que lado a CUT vai ficar? . Ela lembrou que, em 2013, a população foi às ruas exigir saúde e educação e que, na campanha que está começando agora, os servidores públicos vão ter que mostrar para a sociedade que lutamos por um serviço público de qualidade . 

Para ela, conhecendo os dados sobre a dí­vida pública sentimos a responsabilidade de lutar cada vez mais. Tomar conhecimento deles gera um poder social, esse poder é que vão gerar mudanças . 

Editado de Sintrajud.