O governo Trump apresentou ao governo Lula (PT) um documento com 21 exigências durante negociações para rediscutir o tarifaço de 50% sobre exportações brasileiras anunciado no ano passado. O documento foi revelado nesta quinta-feira, 17, pelo jornal O Estado de S. Paulo. A lista de demandas incluía interferência no Pix e repasse aos EUA de informações privilegiadas sobre minerais críticos. Segundo a reportagem, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, teria classificado as exigências como “inaceitáveis”.
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Como destaca a reportagem, o presidente Lula já havia acusado o governo Trump de tentar ingerência em assuntos internos do Brasil, violar a soberania do país e tentar interferir no processo eleitoral. Isso logo que o tarifaço foi anunciado.
O documento divulgado pelo Estadão foi apresentado em 16 de outubro de 2025 a uma missão brasileira, na capital dos EUA, Washington, liderada pelo chanceler Mauro Vieira e não havia sido trazido a público. Foi a primeira proposta de acordo após o tarifaço de 50% anunciado pelos EUA em julho do ano passado.
Segundo um dos presentes na viagem, que falou ao Estadão, Vieira determinou que sua equipe avisasse aos estadunidenses que o documento era “inaceitável” e pediu que não fosse apresentado para discussão nas reuniões formais mantidas naquela data, no que teria sido atendido. O governo Trump retomou o tarifaço em junho de 2026.
Exigências buscavam interferir nas eleições e na economia do Brasil
Em conjunto, as exigências ultrapassam questões comerciais e significam uma tentativa de interferência em questões políticas e econômicas do Brasil. Abaixo, são destacadas algumas delas.
| Sem restrições | “O Brasil compromete-se a não adotar nem manter quaisquer restrições à importação de bens remanufaturados.” | Na prática, isso ampliaria a entrada de produtos daquele país no mercado nacional enquanto os EUA manteriam restrições aos produtos brasileiros. |
| Neutralidade | “O Brasil deverá aderir ao princípio da neutralidade competitiva no que diz respeito ao papel do Banco Central.” | Uma interferência nas regras que orientam a maior autoridade monetária brasileira como regulador de meios de pagamento, como o Pix. Companhias americanas como Mastercard e Visa, além de sistemas de pagamento eletrônico, como Google Pay e Apple Pay, também dos Estados Unidos, têm interesse nesse mercado lucrativo. |
| Punições | “O Brasil não deverá penalizar instituições financeiras brasileiras por cumprirem sanções financeiras dos EUA.” | A demanda coloca interesses dos EUA acima das legislações brasileiras relacionadas ao mercado financeiro. Um exemplo de ações desse tipo foi a sanção a políticos e magistrados brasileiros com a aplicação da Lei Magnitsky. |
| Minerais críticos | “O Brasil deverá informar aos Estados Unidos, antecipadamente, sobre potenciais transferências de ativos antes de uma venda no setor de mineração/minerais críticos e deverá proporcionar às empresas dos EUA a oportunidade de participar de um processo de licitação antes da concessão de aprovação regulatória brasileira.” | Essa demanda coloca os EUA como detentores de privilégios quanto a informações e comércio de parte da riqueza do Brasil. Os minerais críticos são recursos minerais raros e essenciais para setores estratégicos, como tecnologia, defesa e transição energética. |
| Aeronaves | “Companhias aéreas brasileiras comprometem-se a adquirir aeronaves comerciais fabricadas nos EUA.” | A medida favoreceria diretamente empresas estadunidenses e condicionaria parte das compras das companhias aéreas nacionais, obrigando-as a adquirir aeronaves da Boeing. |












