SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

OS DONOS DE PORTO ALEGRE

Aula aberta sobre pesquisa que mostra os “donos de Porto Alegre” apresentou cenário sobre o poder na cidade; Sintrajufe/RS esteve presente

No último sábado, 30, o Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo promoveu aula aberta sobre a pesquisa “Os donos de Porto Alegre”, com o professor Marcelo Kunrath Silva, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). O Sintrajufe/RS, apoiador do Ponto de Cultura e da atividade, esteve presente, representado pelas diretoras Arlene Barcellos, Carmen Regina Ribeiro e Mara Weber.

A pesquisa “Os donos de Porto Alegre” evidencia pontos em comum entre políticos, financiadores de campanhas, integrantes de organizações não-governamentais e empresas responsáveis por uma fatia substancial do PIB gaúcho. As principais famílias e grupos empresariais à frente do financiamento de políticos têm nome e sobrenome, com grande poder econômico, além de prestígio e marcas conhecidas na cidade e no estado.

Conforme a diretora do Sintrajufe/RS Arlene Barcellos, “o professor Marcelo trouxe algo que já se percebe em POA há algum tempo. O setor construtivo que até pouco tempo atrás aparecia discretamente, agora ocupa espaço de destaque na cidade. As principais famílias e grupos empresariais atuam e financiam campanhas, o que leva a mudanças em legislações, conforme os intereses ecônomicos desses grupos que detém muito prestígio e poder econômico. Nessa tarde, reforçamos que somente de forma organizada e coletivamente é que poderemos atuar contra esse avanço, que passa pela concessão de espaços públicos e devastação ambiental”.

A diretora Carmem Regina Ribeiro destaca a importância da atividade: “Foi uma reunião bastante interessante e importante. Houve a rememoração das atividades políticas realizadas ao longo dos anos, com a avaliação do momento político. Eu me senti leiga no assunto, mas percebi a ausência da comunidade quilombola, propriamente dita. Estavam presentes militantes sociais e sindicais. O professor Marcelo Kunrath Silva ressaltou a dominação do poder econômico com a direta participação do poder público através da publicidade. O poder econômico exerce seu poderio através da comunicação com aval do poder público. Ele demonstrou que a atual administração de Porto Alegre foi eleita com pouco mais de 37% dos eleitores que participaram das votações, onde a abstenção chegou a quase 35%, e tratou de temas como financiamento de campanha, corrupção e negócios, destacando que a prefeitura hoje se comporta como um grande ‘balcão de negócios’. Ao final do debate, verifiquei o quanto é importante a capacitação sobre movimentos sociais e militância, em especial a sindical. Todos temos boas noções sobre os temas, mas sinto a necessidade de aprofundamentos”.

Já para a diretora Mara Weber, “o encontro foi bem representativo, com lideranças de várias partes da cidade. Foi um primeiro encontro de formação que estamos buscando fazer, queremos envolver também a comunidade – eu e a também diretora Márcia Coelho estamos no GT de Formação do Ponto de Cultura. E esse tema, ‘os donos da cidade’, foi trazido por uma demanda da própria comunidade, cuja preocupação maior é a habitação, como está se dando o direito à habitação na região. A gente teve, inclusive, uma fala sobre o único campinho de futebol que tinha ali e hoje está sendo ocupado por um empreendimento do Minha Casa, Minha Vida. Mas, mesmo assim, não dialoga com uma reparação para a comunidade, uma manutenção de um espaço de lazer. O professor Marcelo teve muitos dados interessantes para começarmos esse debate. Eu acho que um desafio que a gente tira desse debate é de conseguir articular as nossas ações nos territórios, para que a gente trabalha em rede, e não cada um no seu movimento, na sua ação, desconectadas umas das outras. O campo da esquerda, o campo progressista, precisa começar a articular essas ações para que a gente potencialize o resultado dessas lutas e dessas demandas que a comunidade nos trás. Foi o primeiro encontro de muitos, e queremos, cada vez mais, envolver a comunidade, quem participa da construção do Ponto de Cultura”.