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Teve início na noite de sexta-feira, 23 de agosto, a XVIII Plenária Nacional Extraordinária da Fenajufe, no Carlton Hotel, em Brasília. Na abertura, foi realizado um debate sobre conjuntura, cujo objetivo foi balizar as discussões sobre o plano de lutas, tendo em vista as recentes manifestações que perpassaram o país.
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Na mesa de conjuntura, quatro dçbatedores trouxeram informações sobre o cenário internacional e nacional, político e econômico e sobre a situação da categoria nisso tudo. Celso Luiz de Sá (coordenador do Sindicato dos Técnicos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e ex-coordenador da Fasubra), Rodrigo Dantas (professor de Filosofia Política na UnB e doutor em Filosofia pela UFRJ), José Loguércio (aposentado do TRT da 4ª Região e mestre e doutor em Ciência Política) e João Evangelista Mendes de Sousa (oficial de justiça aposentado do TRT da 15ª Região e suplente na coordenação da Fenajufe) apontaram a crise no capitalismo e no neoliberalismo, como o governo dito de esquerda não é tão de esquerda assim e o poder da mídia na manutenção do status quo. Em comum, todos criticaram a falta da participação do Poder Judiciário na mudança de paradigmas e a falta de credibilidade nas instituições representativas dos trabalhadores.
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Celso Luiz de Sá definiu o Poder Judiciário como um poder conservador do status quo e responsável por reproduzir o estado capitalista no Estado moderno e apontou a dificuldade de boa parte da categoria em lutar contra o sistema por serem, eles mesmos, membros da classe médialogo, beneficiários do sistema como está. No entanto, o palestrante também disse que, exatamente por serem servidores do Judiciário, essas pessoas são importantes, pois estão dentro do Judiciário e podem operar a mudança. Luiz de Sá ainda lançou um alerta: não se iludam com Joaquim Barbosa [presidente do Supremo Tribunal Federal (STF); ele é um conservador e deseja manter o Judiciário como está .
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As manifestações de junho deste ano e as reviravoltas da economia brasileira foram o ponto de partida de Rodrigo Dantas, o segundo a falar aos participantes da Plenária da Fenajufe. Apresentando problemas surgidos a partir da crise do capitalismo, o palestrante explicou como o Brasil hoje está no mesmo nível dos países que sofrçram com a crise de 2008. Apesar de enÂxergar um descrédito geral das instituições representativas dos trabalhadores, ele acredita que a categoria tem a oportunidade de fazer a maior mobilização de massa do país. É preciso organizar a luta dos trabalhadores de forma unificada, em escala nacional, global. Construir um grande movimento e uma pauta de reivindicações dos trabalhadores que altere a correlação de forças no país , considerou.
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Já José Loguércio, servidor aposenÂtado do TRT da 4ª Região, começou sua fala questionando as diferenças enÂtre esta e a última plenária no quesito conjuntura e concluiu que o plano de fundo permanece o mesmo: uma granÂde crise do capital, que ele acredita ser o prenúncio do fim do neoliberalismo. Para Loguércio, há um problema de soberania das nações, com tentativas de subjugarem umas às outrashaja vista o que aconteceu (e acontece) no Iraque, na Síria, na Líbia e no Egito. Ele disse que é uma ilusão acreditar que o país um dia já foi governado pela esquerda . Para ele, além do Executivo, Legislativo e Judiciário, os poderes do Estado hoje são as igrejas, a mídia, os bancos e as forças armadas . Segundo José Loguércio, a resposta para o que a população foi às ruas pedir em junho é um Estado maior e mais indutor, mais soberania, mais democracia e mais distribuição de renda; mas, para isso, são necessárias profundas reformas no Brasil .
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O último debatedor foi o oficial de justiça aposentado do TRT da 15ª Rçgião João Evangelista Mendes de Sousa, que trouxe uma abordagem diferente de seus antecessores: abordou estritamente a situação do servidor do Judiciário Federal dentro desse contexto. De forma ampla, Evangelista criticou a fragmentação da categoria, que, desta forma, é facilmente cooptada por partidos políticos cujos propósitos nem sempre visam o bem estar dos trabalhadores. Ainda falando dos partidos, o aposentado relembrou a origem dos principais partidos ditos de esquerda e no que eles se transformaram hoje, como sua atuação estaria distante de suas propostas de anos atrás. Sempre com foco no Judiciário, o palestrante criticou as disputas partidárias que tiram o foco dos sindicatos da luta do trabalhador e disse que é preciso repensar o modelo sindical atual”.
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Editado por Sintrajufe/RSFonte: Fenajufe
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