
Foto: Tércio Ribas Torres, Agência Senado
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Contrariando todas as expectativas, empurrado pela força de uma greve que atingiu mais de 80 cidades no Rio Grande do Sul e todos os estados do país, foi aprovado na noite desta terça-feira, 30, o PLC 28/2015, que trata da reposição salarial dos servidores do Judiciário Federal. Agora, o projeto segue para sanção da presidente Dilma Rousseff (PT). No RS, centenas de colegas se concentraram durante todo o dia nas varas trabalhistas, em Porto Alegre, em ato-vigília pela aprovação. Em Brasília, caravana enviada pelo Sintrajufe/RS participou de atividade que reuniu mais de cinco mil servidores em frente ao Senado Federal, além de centenas de outros colegas pressionando senadores no interior do Congresso, garantindo a aprovação do projeto.
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Em Porto Alegre, vigília reuniu centenas de servidores nas varas trabalhistas
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Desde o início da manhã, os colegas começaram a se reunir em frente ao prédio das VTs. Um café da manhã deu início à atividade, que seguiu durante todo o dia com um ato-vigília. Centenas de colegas de todos os ramos do Judiciário passaram pelo local ao longo do dia. Enquanto isso, no Senado, era realizada uma sessão temática a respeito do pré-sal, e os líderes das bancadas realizavam uma reunião para discutir a pauta. Às 18h15min, já de volta ao plenário, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AP) encerrou a sessão temática e marcou para às 18h20min o início da sessão ordinária. O PLC 28/2015, que era originalmente o nono item da pauta, acabou levado para o início, e foi o primeiro a ser votado, após uma medida provisória que trancava a pauta.
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Foto: Marcos Pereira, especial
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Nas galerias, centenas de servidores do Judiciário Federal de todo o país pressionavam pela votação do projeto. Do lado de fora do Senado, mais de cinco mil colegas, buzinavam e demonstravam a força e a indignação da categoria com as perdas salariais que já chegam a 49,62%, e com a proposta irrisória apresentada pelo governo na última semana. Os colegas presentes em Brasília sofreram forte repressão por parte do Batalhão de Choque da PM do Distrito Federal. Apesar da repressão, todos seguiram no entorno do Senado fazendo barulho e defendendo a aprovação do projeto de reposição.
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A sessão teve início com debates sobre a medida provisória 670/2015, que tratava do reajuste na tabela do imposto de renda, em discussão que se estendeu até às 20h. Nas galerias, continuava a pressão. Nas varas trabalhistas, os colegas seguiam reunidos aguardando o resultado.
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Governo é derrotado e projeto acaba aprovado
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A definição sobre a inversão de pauta se deu após longo debate. Foram cerca de duas horas em que diversos senadores e senadoras se posicionaram na tribuna. O senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, apresentou requerimento defendendo o adiamento da votação por 30 dias. Vários senadores, porém, se pronunciaram contrários à medida, defendendo a votação imediata do projeto. O governo acabou derrotado, com partidos da própria base posicionando-se pela votação ainda na noite de terça. O adiamento foi rechaçado e a inversão de pauta, requerida pelo senador Randolfo Rodrigues (Psol-AP), aprovada em votação simbólica, levando o PLC 28/2015 a ser o segundo item da pautalogo após a MP já votada anteriormente.
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No plenário, senadora lembra interlocução com o Sintrajufe/RS
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Vários senadores defenderam o projeto, lembrando as grandes perdas salariais da categoria e o longo período sem reposição. Entre esses senadores, falas incisivas vieram dos representantes do Rio Grande do Sul, Ana Amélia Lemos (PP), Lasier Martins (PDT) e Paulo Paim (PT), com os quais o Sintrajufe/RS realizou diversas reuniõesinclusive nesta terça-feira, em Brasília, nas quais esclareceu sobre a necessidade de garantir a reposição. Ao pedir a palavra no plenário para defender a inversão de pauta para aprovação do projeto, a senadora Ana Amélia Lemos mencionou o contato com os diretores Andrés Cevallos, Cristiano Moreira e Eduardo Dutra, e o trabalho do Sintrajufe/RS junto aos senadores.
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Finalmente, depois de um longo dia de lutas em Brasília e em diversos estados do país, o PLC 28/2015 foi aprovado às 22h30min desta terça. A aprovação foi resultado da forte de greve que tomou o país desde o início de junho. Há informação, inclusive, de que as negociações se encaminhavam para adiamento da votação desta terça-feira, mas a pressão dos colegas presentes a Brasília e a força da greve nacional forçou a apreciação. Na votação do mérito da proposta, o PT liberou seus senadores e todos os outros partidos votaram SIM pela aprovação do projeto. O resultado final foi de 62 votos favoráveis, nenhum contrário e nenhuma abstenção.
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Agora, aprovado no Senado Federal, o projeto segue para sanção da presidente Dilma Rousseff (PT), que tem quinze dias para definir se torna lei o PLC 28/2015 ou se decide pelo veto. A categoria precisa continuar mobilizada para que a grande vitória conquistada nesta terça-feira no Senado se transforme na aprovação final do projeto e na reposição salarial que os servidores do Judiciário Federal tanto têm buscado nos últimos anos.
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Luta da categoria garantiu aprovação, e precisa seguir para reposição se tornar realidade
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O diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira destaca a importância da mobilização da categoria: “Foi a força dessa imensa greve que nos trouxe até aqui e, inclusive, foi a pressão exercida hoje que garantiu que o projeto fosse apreciado e aprovado. É uma vitória histórica da categoria, que está enfiando goela abaixo do governo o nosso projeto”, comemora. Porém, Cristiano lembra que nada está garantido: “A pressão agora precisa se fortalecer para cobrar da Dilma a aprovação e do Lewandowski que se movimente para fazer o que não fez até agora, expressar a independência do Poder Judiciário e defender junto a Dilma a sanção”, explica.
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Também diretor do sindicato, Andrés Cevallos comemora: “Hoje escrevemos uma página belíssima do movimento sindical do Judiciário Federal. Alcançamos uma vitória muito importante no Senado que nos credencia a conquistar definitivamente o nosso plano. A nossa garra vem sendo demonstrada com a maior greve da história da nossa categoria, greve que nos levará a nossa tão sonhada reposição salarial”.
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Rafael Scherer, diretor de base da Justiça do Trabalho de Porto Alegre, também destaca as ações dos colegas: “vivemos um dia histórico hoje no Senado. A categoria dos servidores do Judiciário Federal nacionalmente está de parabéns”. Rodrigo Mércio, colega do TRE Duque, lembra que é preciso continuar com a mobilização: “hoje estamos subindo mais um degrau, mas é apenas mais um degrau. Somente essa greve foi capaz de nos trazer até onde estamos, e somente a greve forte irá nos levar até a vitória”, afirma.
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Greve continua: ato público na quarta-feira e assembleia geral na quinta
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Na quarta-feira, 1º de julho, será realizadoato público unificado com os colegas do Judiciário Estadual, às 14h, com caminhada até o Tribunal de Justiça. Haverá passeatas simultâneas saindo das varas trabalhistas e da Justiça Federal. Depois, na quinta-feira, 2 de julho, às 14h, a categoria no Rio Grande do Sul realiza assembleia geral para avaliar os resultados e os caminhos de mobilização, tendo em vista a necessidade de ampliar a pressão e fortalecer a greve. A assembleia será nas varas trabalhistas.









