SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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VII Congresso Estadual do Sintrajufe/RS: depois de painel sobre organização sindical, é aprovado plebiscito para decidir sobre desfiliação do Sintrajufe/RS

 

 
Na tarde de sábado, 8, no VII Congresso Estadual do Sintrajufe/RS, foi realizado o painel Organização sindicalproposta de desfiliação do Sintrajufe/RS da CUT . Os convidados foram o coordenador-geral da Fenajufe Adilson Rodrigues; o representante da CTB e colega da JT José Loguércio; o membro da executiva nacional da CSP-Conlutas Paulo Barela; o presidente da CUT/RS, Claudir Nespolo; e a dirigente da Intersindical e da Assufrgs, Berna Menezes.

 
 
Em sua intervenção, Adilson disse que a categoria passa por um dos momentos mais difí­ceis de sua história, com um congelamento que perdura há oito anos, e que o governo Dilma já sinalizou que continuará. É um congelamento, ressaltou, que alcança todo o funcionalismo, em diferentes graus. Hoje, disse ele, há um questionamento a sindicatos, centrais, governos, partidos e a velhos métodos de organização do poder e delegação excessiva do poder. Desde o nascedouro da CUT, reivindicamos uma ferramenta para organização dos trabalhadores , disse Adilson. Ele lembra que a central organizou, fez grandes greves gerais, mas e agora? Segundo Adilson, houve um lento e paulatino movimento rumo à burocratização da central. Na federação, a desfiliação da CUT ocorreu em 2013. Hoje, ressalta Adilson, são apenas oito os sindicatos da base da Fenajufe filiados à CUT. Não comemoramos essa desfiliação, pois foi um longo esforço para a construção de um projeto que fizesse frente a um processo que continua explorando os trabalhadores , explicou o dirigente. No entanto, ele ressaltou que a CUT parou de travar as lutas dos trabalhadores em detrimento da defesa das pautas do governo. O sonho dos trabalhadores continua o mesmo, disse ele, no entanto, ressaltou que a CUT e o PT mudaram de lado.
 

 
A história da organização sindical e da formação das centrais no Brasil foi discorrida por Loguércio. A CTB nasce com a caracterí­stica de esforço de unir os trabalhadores. Se tem mais de uma central, temos de encontrar temas para trabalhar em conjunto , afirmou. Segundo ele, o que não pode haver é a abertura de espaços para a direita, como o visto em manifestações que reivindicam intervenção militar no Brasil. Está em andamento um novo golpe no paí­s , disse ele, no qual a mí­dia exerce um papel preponderante, como em outros momentos da história. Para Loguércio, o embate de ontem e de hoje é o mesmo: ou um Brasil soberano ou um Estado submisso. O painelista disse, neste momento, que enfraquecer qualquer entidade representativa dos trabalhadores ou central sindical é fazer o jogo do inimigo .
 
 
No segundo turno, se avaliarmos quem estava com quem, tinha Malafaia com Aécio e Crivella com Dilma , disse Barela. Segundo ele, não havia diferenças programáticas entre os dois candidatos. De acordo com o painelista, pensar em um golpe é um devaneio, uma vez que a direita está nos dois projetos e está dirigindo o paí­s. Em um gráfico, Barela mostrou a queda de participação nos congressos da CUT e o caminho que a central tomou rumo à burocratização. Ele apontou que há 47 mil sindicalistas no governo Dilma, sem contar governos estaduais e municipais. Com isso, frisou, a CUT se transformou em correia de transmissão das polí­ticas do governo junto à classe trabalhadora . No entanto, Barela ressaltou que o ponto de ruptura foi antes, com a Reforma da Previdência, apoiada pela central, o que levou a ampla maioria dos servidores romper com a CUT, pela traição à classe trabalhadora. Mesmo aquelas entidades que ainda estão filiadas, e ele deu o exemplo da Condsef, fazem um embate constante: Os companheiros lutam diariamente contra a direção da CUT para levar adiante as pautas dos trabalhadores . Para Barela, o chamado à unidade é que a CUT venha para a rua, venha para a luta.
 
 
Claudir disse que tem observado, entre os trabalhadores, ao participar de atividades dos sindicatos, uma preocupação com a expansão do conservadorismo nas últimas eleições e na defesa das pautas da classe trabalhadora, considerando as dificuldades impostas. Ele afirma que os patrões sempre falaram mal da CUT, que nasceu contra os interesses dos patrões, quando a classe trabalhadora se levantou para combater a ditadura . Ultimamente, disse Claudir, surgiu um outro setor falando mal da CUT, que, segundo ele, quer crescer em cima da central. Ao afirmar que a CUT continua sendo a maior central do Brasil, Claudir disse que é uma falácia dizer que se esgotou o papel polí­tico da CUT . Para ele, esse papel não se esgota enquanto houver injustiça e exploração. Ele pediu que o plenário não se deixasse confundir por conversas demarcatórias.
 
 
Na opinião de Berna, a criação da CUT foi um dos grandes acontecimentos da década de 1980, perí­odo em que os movimentos sindical, social e estudantil ressurgiram com força, derrotando a ditadura. A dirigente ressaltou que a grande frente formada foi responsável por impedir a consolidação do neoliberalismo no paí­s. No entanto, lamentou, com a derrota nas eleições, o neoliberalismo veio. Segundo ela, já na década de 1990, quando dirigentes cutistas aceitaram discutir propostas de reforma da Previdência no governo FHC, começou a virada e a derrota da esquerda dentro da central. Com a eleição de Lula, a primeira sinalização foi para os mercados e houve a Reforma da Previdência. Berna lembrou que os mesmos parlamentares do PT que haviam votado contra dessa vez votaram a favor. A dirigente enfatizou que não nega nenhum avanço do governo Dilma, mas, ressaltou, eles não são suficientes. Segundo Berna, a esquerda precisa se unir, exigir de Dilma um programa mí­nimo e reajuste para os servidores, fim do fator previdenciário, data-base. Para a dirigente, unidade se vê na prática .
 
 
 
Após painel, aprovado plebiscito para categoria decidir sobre desfiliação do Sintrajufe/RS da CUT
 
Depois do painel, teve iní­cio o debate da categoria sobre a desfiliação do Sintrajufe/RS da CUT. O primeiro ponto apreciado foi a proposta de realização de plebiscito sobre o tema. A proposta foi aprovada por 75 votos a favor, 55 contrários e 5 abstenções.
 

 
Outro ponto debatido foi a posição do Congresso de levar à categoria indicativo de desfiliação do sindicato da CUT. A proposta foi aprovada por 71 votos a favor, 40 contrários e 11 abstenções. O plebiscito será realizado ainda neste ano. O sindicato fará ampla divulgação junto à categoria.

 
Texto: Rosane Vargas, Sintrajufe/RS; fotos: Alexandre Haubrich e Daniel Borges