Dirigentes sindicais de vários estados do país criticaram duramente a decisão da cúpula do Judiciário Federal de tentar suprimir o direito de greve na Justiça Eleitoral de São Paulo, repressão que se deu poucos dias após o Supremo Tribunal Federal conceder uma gratificação na forma de auxílio-moradia a magistrados. O ataque contra a organização sindical está entre os mais agressivos já registrados na história da categoria. O Tribunal Regional Federal de São Paulo deferiu liminar proibindo a greve no TRE de São Paulo e o TSE pressionou servidores de seu quadro para ir à capital paulista substituir grevistas. A luta é para pôr fim a oito anos de perdas salariais acumuladas e de desrespeito à data-base.
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Também gerou reações a entrevista do ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Dias Toffoli, na qual lamenta o fato de a Constituição Federal assegurar o direito de greve no setor público e diz não entender porque os seus servidores fariam paralisações e protestos por aumento salarial. “É uma vergonha que a cúpula do Judiciário, na mesma semana, se autopresenteie com auxílio-moradia no valor equivalente ao salário inicial de um técnico judiciário e reprima nosso direito constitucional de greve, enquanto não faz absolutamente nada em favor da reposição salarial dos servidores”, disse Cristiano Moreira, da direção do Sintrajufe/RS.
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Reação
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O servidor Pedro Aparecido, dirigente da Fenajufe e do Sindijufe/MT, declarou solidariedade aos trabalhadores de São Paulo e criticou a atuação combinada do governo com a cúpula do Judiciário para cercear um direito constitucional: Não é a primeira vez que o Judiciário se serve do governo federal, através da AGU, para criminalizar as lutas e impedir o direito de greve. Nossa reação tem que ser forte e mostrar no embate direto que o direito se conquista na luta , disse, ressaltando que, no Mato Grosso, a Justiça determinou o corte de ponto antecipado no TRT nos dias de eventuais paralisações na greve passada.
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Para Jailson Lage, da Justiça Federal de Salvador (BA) e dirigente do Sindjufe/BA, a categoria não pode confiar na Justiça e precisa estar organizada e unida nacionalmente para enfrentar os ataques. A luta, afirmou, precisa e vai continuar em São Paulo e em todo o país: Os ataque ao nosso direito de greve são parte de uma estratégia maior que pretende minar com nossa capacidade de lutar. Vão evitar a qualquer custo aumentos para os servidores e, para tanto, vão atacar nossos direitos , disse.
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Indignação
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Não há outra resposta possível que não fortalecer a luta , reforça Cristiano Moreira, que observa no caso as mesmas motivações da repressão às grandes manifestações de junho de 2013, às greves que se seguiram e aos atos que criticaram os gastos com a Copa do Mundo no Brasilataques que tentam conter a reação dos trabalhadores ao corte de direitos decorrentes da crise que abala a economia mundial desde 2008: Não podemos contar com ajuda de ninguém além da nossa própria mobilização , defendeu.
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A greve acabou suspensa pelos trabalhadores no TRE de São Paulo, mas, afirmam os servidores, o recuo é momentâneo e está longe de sinalizar o fim da mobilização: O clima é de absoluta indignação e revolta com a administração, ninguém se sente derrotado ou intimidado , relatou o servidor Adilson Rodrigues, dirigente Fenajufe, ao destacar que se busca evitar que trabalhadores do órgão se tonem alvo da truculência das administrações. A luta para derrubar oito anos de perdas salariais acumuladas e de desrespeito contra os servidores vai continuar.
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Editado por Sintrajufe/RS; fonte: LutaFenajufe, por Hélcio Duarte Filho.








