SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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TJ/RS registra aumento de produtividade com redução de jornada em vara no interior do estado

A possibilidade de ganho em qualidade de vida e de aumento nos í­ndices de produtividade no trabalho com a redução da jornada laboral está em discussão no Judiciário Estadual do RS. Projeto-piloto realizado na comarca de Santa Cruz do Sul, no ano passado, apresentou bons resultados, como a redução de mais de 2,2 mil processos. A experiência foi realizada em dois turnos, revezados por equipes, com expediente das 8h às 19h. Magistrados, servidores e advogados aprovaram a experiência.

O tema foi a tônica de reunião realizada na manhã de terça-feira, 26, no gabinete da presidência do Tribunal de Justiça. No encontro, a coordenadora da Assessoria de Gestão Estratégica e Qualidade (AGEQ) do TJ, psicóloga Miriam Vucetic, e o diretor Sindjus/RS Fabiano Marranghello Zalazar apresentaram os primeiros diagnósticos alcançados pelo Grupo de Trabalho formado por integrantes do TJRS e membros de entidades de classe para analisar o assunto.

O juiz assessor da presidência, Luis Antonio Behrensdorf Gomes da Silva, destacou que o debate foi amplo e maduroe contou com a participação de membros da Ordem dos Advogados do Brasil. “A OAB/RS esteve presente e deu a sua posição sobre o tema. Os servidores conseguiram entender a visão da Advocacia e vice-versa. Essa comunicação tem um grande mérito e conseguimos afinar a conversa”, considerou o magistrado.
Miriam Vucetic citou atos normativos da Organização Internacional da Saúde, da Organização Internacional do Trabalho e do próprio Conselho Nacional de Justiça que preconizam a atenção integral à saúde do trabalhador. “A nossa medida  de parametrização do desempenho não é mais a do horário de trabalho,  mas a meta, isto é, a produtividade e a eficiência com que o realizamos”, afirmou. Ela também citou que, entre os TJs do paí­s, 21 adotam a carga horária dç  6 a 7 horas diárias, com e sem escalas diferenciadas, 5 adotam jornada de 8 horas, com e sem escalas, sendo que um deles, o de São Paulo, além de ter 3 escalas diferentes, inclui a hora de almoço nas 8 horas diárias. Desde 2009, no Judiciário Estadual do RS, servidores e magistrados trabalham das 9h às 18h, com uma hora de intervalo. Fabiano apontou que a medida poderá representar economia e sustentabilidade, com a redução do consumo de eletricidade, água, telefonia e mão de obra terceirizada.

Resultados

A experiência junto à 2ª Vara Cí­vel de Santa Cruz do Sul, tendo como titular o juiz André Luí­s de Moraes Pinto, foi realizada no perí­odo de seis meses. Dois servidores cumpriram expediente das 8h às 15h e outros dois, das 12h às 19h. Nos dois turnos, houve intervalo de meia hora para cada turma. A chefe do cartório, Luana Bratz Scheffel, também trabalhou das 12h às 19h  e ficou responsável por suprir eventuais afastamentos, sem prejuí­zo do atendimento externo.
Nessa unidade, verificou-se que o número de processos, que era de 9.165 em janeiro de 2015, diminuiu para 6.922 em novembro do mesmo ano. A vara passou a ocupar o quinto melhor desempenho entre as 23 varas cí­veis.

Sugestões

Ao final da explanação, o Grupo de Trabalho apresentou sugestões de redução da jornada laboral dos servidores da Justiça Estadual, sem prejuí­zo ao atendimento prestado ao público. Foram sugeridas jornada única dç  7h (12h às 19h); jornada de 6 horas com revezamento de grupos, das 9h às 15h e das 12h às 18h, com intervalos de 30 minutos para cada grupo; 7 horas de jornada, com grupo das 9h às 16h e outro das 11h às 18h, ou das 8h às 15h e das 12h às 19h, todos com meia hora de descanso.

O presidente do TJRS, desembargador José Aquino Flôres de Camargo, recebeu os resultados do GT e afirmou que irá encaminhar a proposta à nova administração. “Me parece uma bela alternativa, até diante das inúmeras dificuldades que temos hoje. Vamos encaminhar a proposição e verificar se é possí­vel pelo menos alargar o estudo”. O corregedor-geral, desembargador Tasso Caubi Soares Delabary, também exaltou o trabalho e os seus resultados e classificou o debate sobre o tema como oportuno. “Esse é o momento de evoluir e de definir questões para uma melhor construção do assunto”, afirmou.

Na avaliação da direção do Sintrajufe/RS, os resultados registrados pelo Tribunal de Justiça em seu projeto-piloto demonstram os benefí­cios da redução de jornada, não apenas na saúde da categoria, mas inclusive com relação à produtividade, já que os servidores trabalhariam com melhor qualidade e com redução de licenças e afastamentos por motivo de saúde. O sindicato requereu, no ano passado, a regulamentação da jornada de 6 horas junto aos tribunais. Agora, frente ao corte de orçamento no Poder Judiciário e ao anunciado esforço de contenção de gastos, a direção deve ratificar o pedido, também como forma de reduzir os gastos administrativos dos tribunais.

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: TJ/RS