SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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STF orienta tribunais a incluir previsão para proposta salarial no Orçamento

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, concordou com a proposta de recomposição salarial elaborada na comissão de negociação. Por intermédio da direção-geral do órgão, orientou que os demais tribunais e conselhos superiores incluam previsão orçamentária para isso. O de acordo do ministro ocorre entre dois apagões do Judiciário Federal, movimentação que busca expandir a greve, que acontece em quatro estados, e aumentar a pressão sobre o governo Dilma Rousseff (PT) e o Supremo.

A proposta que saiu da comissão será ainda levada a assembleias dos servidores nos estados e à reunião ampliada da Fenajufe que ocorre neste domingo, 1º.

O texto que deverá substituir o do PL 6.613/09, que está parado na Comissão de Finanças da Câmara, prevê a utilização da tabela de vencimentos básicos deste projeto, sobre a qual seria aplicada a GAJ de 90%. Tal percentual já é o valor que a Gratificação Judiciária atingirá em janeiro, quando for concedida a terceira e última parcela do reajuste conquistado na greve de 2012.

Resultado da mesa foi levado a Barbosa

O resultado das negociações foi levado a Joaquim Barbosa, ontem, pelo coordenador da mesa, Rubens Dusi, que integra a administração do STF. Na mesma data, o diretor-geral do Supremo, Miguel Fonseca, encaminhou ofí­cio aos demais diretores-gerais orientando a inclusão da previsão de recursos na proposta de orçamento para que o projeto salarial possa ser implantado em 2015.

A mesa de negociação foi instalada no iní­cio de maio, resultado de uma reivindicação nacional dos servidores que vinha sendo feita havia oito meses. O grande desafio agora é pressionar os tribunais a incluir a previsão orçamentária e o STF a não permitir que o governo Dilma volte a interferir na autonomia do Poder Judiciário , disse Adilson Rodrigues, coordenador-geral da Fenajufe. Ele avalia que, com isso, ganha cada vez mais peso a necessidade de estender e ampliar a greve nacional da categoria, que hoje acontece no Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso e Bahia. Hoje e amanhã, ocorre novo apagão, com paralisação de setores que ainda não estão na greve.

A preocupação com a quebra da autonomia entre os poderes tem base no que vem ocorrendo nos últimos anos. O PL 6.613 está na Câmara desde 2009. De lá para cá, as previsões de inclusão de recursos para ele foram sistematicamente excluí­das da proposta orçamentária pelo Executivopor Lula, primeiro, depois por Dilma, ambos da gestão petista no Planalto.

Muitos ativistas sindicais que integram o movimento LutaFenajufe alertam para que erros cometidos por determinados segmentos sindicais que atuam na categoria não se repitam. Não há como fazer a recomposição salarial avançar sem uma grande pressão sobre o governo Dilma Rousseff, que já anunciou reiteradas vezes que não pretende permitir quaisquer previsões de reajustes salariais antes de 2016dois anos após o término do mandato para o qual foi eleita em 2010.

˜Só avança sob pressão™

É justamente a proximidade da eleição presidencial de outubro que aciona com mais força o sinal de alerta. Foram em perí­odos assimem 2006 e 2010que dirigentes sindicais ligados ao governo e à CUT defenderam o recuo das mobilizações e votos de confiança ao Planalto. Em 2006, a greve ainda foi mantida em São Paulo e no Paraná e logo depois retomada, conquistando o PCS-3. Em 2010, alguns sindicatos dirigidos por sindicalistas próximos ao governo chegaram a anunciar que a vitória do PCS-4 já estava assegurada e defenderam a suspensão das mobilizações. Deu no que todos já sabem.

Para que a história de 2010 não se repita, é preciso investir muito na mobilização e impulsionar a greve. E não alimentar ilusões de que é possí­vel conquistar qualquer coisa sem isso. A conclusão rápida dos trabalhos da comissãoque precisa ser mantida para tratar de outros pontos em pauta, como carreira e condições de trabalhoé um passo importante, observou Adilson. Agora, cabe à categoria avaliar a proposta, defender eventuais adequações necessárias e cobrar a inclusão e a manutenção da previsão orçamentária. É uma luta difí­cil que não pode parar e que exigirá a unidade e a participação de toda a categoria, disse o dirigente da Fenajufe.

Por Hélcio Duarte Filho, LutaFenajufe Notí­cias