SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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STF diz que parcelou proposta antes de negociar para facilitar diálogo

De acordo com o diretor-geral do STF, Amarildo Vieira de Oliveira, a razão que levou o ministro Ricardo Lewandowski, presidente eleito e em exercí­cio do Supremo Tribunal Federal, a enviar ao Congresso Nacional a proposta salarial dos servidores já fatiada em seis parcelas semestrais, teria sido facilitar a negociação e o diálogo com o governo e a sociedade. Pouco antes, o chefe da mais alta corte do paí­s recebeu a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, mas dessa conversa, que não seria ainda um iní­cio formal de negociação, não teria saí­do qualquer acordo.

Essas informações foram repassadas ao dirigente da Fenajufe Adilson Rodrigues no dia seguinte aos cortes nas previsões de recursos para os projetos salariais do Poder Judiciário e MPU. Promovidos pelo governo Dilma Rousseff (PT) à revelia do Supremo, os cortes levaram os servidores em greve a promover, de 1º a 5 de setembro, a Semana da Indignação em todo o paí­s. O Comando Nacional de Greve indicou a continuidade e ampliação da paralisação, e alguns estados que já realizaram assembleias – como Brasí­lia, Rio Grande do Norte e São Paulo – mantiveram a greve.
 

Novo projeto, mesma tabela
 

O envio da proposta salarial teve algumas surpresas. A tabela salarial é a mesma do substitutivo ao texto original do PL 6613/2009, que já se encontrava na Comissão de Finanças da Câmara, mas o parcelamento e a apresentação como outro projeto não estavam previstos. O próprio Amarildo havia informado a representantes sindicais dos servidores no dia 27 de agosto, uma quarta-feira, que a proposta seria reenviada na forma de substitutivo ao PL 6613 e com previsão de aplicação integral. Eventual parcelamento, disse, ficaria para momento posterior, no transcorrer das negociações.
 

Poucos dias antes, numa rápida conversa com dirigentes sindicais, Lewandowski havia mencionado a intenção de formular um “plano b”, sem especificar o que seria isso. Cogitou-se o parcelamento. Na ocasião, os servidores observaram que seria ruim já fatiar o projeto antes mesmo de negociar qualquer coisa. Teme-se que isso leve a um parcelamento maior ou, no caso de não haver avanços, signifique um projeto não aprovado e já fatiado.

 
O risco voltou a ser alertado por Adilson no contato com o diretor-geral do STF: “Disse que rebaixar proposta antes de iniciar negociação é um erro, que pode dar margem para que a proposta nem seja considerada e até rebaixada mais ainda”, relatou o servidor. A decisão, no entanto, teria partido do próprio Lewandowski. Com a primeira etapa da implantação rebaixada ao custo de R$ 1,473 bilhão, o ministro avaliou que ficaria mais fácil dialogar com governo, sociedade e mí­dia. Já a formatação em um novo projeto, segundo o diretor do STF, teria decorrido de uma orientação técnica de assessores parlamentares – não houve detalhamento sobre isso.

 
Ministra do Planejamento no STF
 

O Supremo mandou o novo projeto (PL 7920/2014) para o parlamento na quinta-feira, 28, dia seguinte à reunião dos servidores com Amarildo, mesma data em que Miriam Belchior esteve com Lewandowski. A princí­pio, a titular do Planejamento foi ao Supremo para uma formalidade: comunicar ao presidente do órgão que o orçamento do Poder Judiciário seria outra vez cortado. No dia seguinte, a presidenta Dilma Rousseff enviaria ao Congresso a proposta de lei orçamentária da União sem as previsões de recursos para o projeto salarial. O corte remete ao que acontecera em 2011 e é considerado por muitos juristas inconstitucional: quebra a autonomia financeira entre os poderes. É também visto como um ato que afronta o novo presidente da Corte a poucos dias da posse formal dele, em 10 de setembro.

 
Desconfia-se, no entanto, que a conversa entre Belchior e Lewandowski foi além do mero comunicado do corte. Houve algo mais. A direção do Supremo, porém, não dá pistas sobre isso. Afirma apenas que não foi firmado acordo e nem se deu o iní­cio do prometido processo de negociação. Sobre isso, disse que haveria um enorme esforço para que as negociações comecem na primeira semana de setembro e prometeu empenho para que alcancem êxito. Sempre ressaltando que, além do empenho, o presidente do STF não assegura mais nada. É para fazer com que tanto a negociação quanto o acordo aconteçam que a greve dos servidores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União promove a Semana da Indignação, com atos e apagões nos tribunais. É o tamanho da resposta da categoria ao corte no orçamento que pode apontar o desfecho dessa disputa.
 

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: Hélcio Duarte Filho, LutaFenajufe.