SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Sintrajufe/RS se solidariza com a luta pela libertação de Luí­sa Hanune

A Argélia passa por um perí­odo de manifestações populares contra medidas do governo que vêm atacando a soberania do paí­s e entregando empresas estatais à iniciativa privada. Ex-colônia francesa por mais de um século e atualmente rico em petróleo, o paí­s do continente africano sofre com a desigualdade social e vem direcionando a riqueza (o PIB do paí­s vem crescendo há mais de dez anos) e até mesmo os recursos naturais para o capital estrangeiro. Esta é uma das razões que levam, desde fevereiro de 2019, milhões de pessoas às ruas contra o atual regime.

Há 9 meses, trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, sobretudo jovens, protestam por uma nova independência da Argélia , que é governada de fato por uma junta militar. Com frases como vamos invadir a capital , a mobilização ocorre em um cenário de insatisfação mundial que toma as ruas de paí­ses na América Latina, na Europa, na áfrica e no Oriente Médio.


 

Em diversas partes do mundo surgem levantes populares como no Chile, Colômbia, Haiti e Equador. Também no Oriente Médio, em especial no Lí­bano, há dois meses a população se levanta em defesa da soberania e contra reformas econômicas anunciadas pelo governo, explosão social iniciada pela tentativa do governo de taxar chamadas no WhatsApp.

Na França, a reforma na aposentadoria anunciada por Macron é a mais recente causa dos protestos dos coletes amarelos , e uma greve geral está marcada para o dia 5 de dezembro.

Presa polí­tica

Nesse contexto, Luí­sa Hanune, primeira candidata mulher à presidência da Argélia e ativista pela democracia, foi condenada injustamente a 15 anos de prisão em regime fechado pelo Tribunal Militar de Blida. Secretária-geral do Partido dos Trabalhadores da Argélia, ela está presa provisoriamente desde maio, em meio às manifestações populares. Luí­sa foi acusada de complô contra a autoridade do Estado e contra o Exército , uma vez que o Partido dos Trabalhadores argelino também se uniu aos atos. Presa polí­tica, ela teve três habeas corpus recusados pelo Tribunal Militar e segue em regime fechado. Outros lí­deres da oposição também estão sendo perseguidos, e jornalistas estão sendo presos.

Candidata à presidência da Argélia por três vezes e eleita deputada federal por cinco mandatos, Luí­sa tem um histórico de décadas em defesa da democracia. Há 40 anos, ela lutou contra o sistema de partido único na clandestinidade, mas acabou sendo presa duas vezes. Nos anos 1980, foi novamente detida durante um episódio que resultou no assassinato de 500 jovens que protestavam contra o governo. Atualmente, ela atuava também como conferencista internacional pela soberania dos povos e em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras.

 

Campanha Internacional pela Libertação de Luí­sa

 

O Sintrajufe/RS repudia a sua prisão e se junta à campanha internacional que pede a libertação imediata de Luí­sa e outros presos polí­ticos do regime, que já tem a adesão de centenas de sindicatos, movimentos sociais e partidos polí­ticos que se solidarizam contra a prisão de cunho polí­tico. A mobilização em defesa de Luí­sa já chegou a 92 paí­ses e tem o apoio de mais de 900 organizações.