SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Sintrajufe/RS participa de debate com o tema A luta das mulheres e dos trabalhadores contra a Reforma da Previdência

Nessa segunda-feira, 3, o Sintrajufe/RS esteve presente no debate A luta das mulheres e dos trabalhadores contra a Reforma da Previdência . A atividade, realizada no auditório da Faculdade de Educação da Ufrgs, foi uma promoção da Subcomissão da Seguridade Social da Mulher da Câmara dos Deputados. Trabalhadores e estudantes lotaram o local para ouvir as debatedoras: a auditora fiscal aposentada e coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dí­vida, Maria Lucia Fattorelli; a deputada federal e presidente da Subcomissão de Seguridade, Fernanda Melchionna (Psol-RS); a vice-diretora da Faculdade de Educação, Magali Menezes; a deputada estadual Luciana Genro (Psol); a representante do gabinete do senador Paulo Paim (PT-RS) Abigail Pereira; a diretora da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) Ernestina dos Santos Pereira; e a representante do Coletivo de Mulheres do RS contra a Reforma da Previdência Beatriz Gonçalves Pereira.

Maria Lucia Fattorelli abriu a atividade explicando como a crise foi fabricada para justificar medidas restritivas, como a emenda à Constituição (EC) 95/2016, que congela investimentos públicos por 20 anos, a reforma trabalhista, as privatizações e, agora, a reforma da Previdência, que tramita na Câmara dos Deputados como proposta de emenda à Constituição (PEC) 6/2019. Ela alertou que, se aprovada, a reforma desmontará o modelo de solidariedade da seguridade social conquistado com a Constituição de 1988. Além disso, a desconstitucionalização dos direitos pode significar o congelamento dos benefí­cios dos que já estão aposentados e há, ainda, o forte risco de extinção do Regime Próprio dos servidores públicos. Para Fattorelli, a PEC é um suicí­dio econômico , pois a redução dos valores dos benefí­cios diminuirá o poder de compra e retirará dinheiro da economia. O capital financeiro, que abocanha boa parte do PIB com os pagamentos do serviço da dí­vida pública, quer agora se apoderar da aposentadoria dos brasileiros por meio da capitalização, disse a palestrante. A Previdência é nosso maior patrimônio social , afirmou, explicando que não abrange apenas a aposentadoria, mas a proteção da maternidade, do trabalhador que adoece, do acidentado, da velhice: com a capitalização, todas as proteções desaparecem . Na opinião de Fattorelli, a reforma trará mais desigualdade e miséria e, por isso, é preciso explicar para as pessoas, conversar, pressionar os deputados e não deixar que a PEC seja aprovada.

Debatedoras reforçam importância da luta para derrotar a reforma

Fernanda Melchionna reforçou que 85% da economia prometida pelo governo com a reforma sairá justamente dos benefí­cios dos mais pobres e que, como a média de cálculo será alterada, haverá um rebaixamento que atingirá todos, inclusive os servidores públicos. A PEC é perversa com as mulheres; ao aumentar a idade mí­nima e aproximar da dos homens, ignora as jornadas duplas, triplas, as horas a mais de trabalho e os salários menores. A deputada explicou que 44% das mulheres não conseguem atingir sequer 20 anos de contribuição. Na Polônia e na Bolí­via, que adotaram a capitalização, mais de 20% das idosas não alcançam os benefí­cios e vivem em situação de miséria. Melchionna afirmou que o que muda a vida é a luta , o que pressiona o Congresso Nacional é a luta, por isso reforçou a importância da greve geral do dia 14 de junho.

As demais debatedoras ressaltaram que o Brasil é um paí­s com desigualdades de gênero históricas, principalmente em relação às mulheres negras, e que é preciso estar na rua informando, disputando e mostrando que os argumentos do governo não são verdadeiros. Magali Menezes destacou a precarização da educação e a desvalorização dos professores, que são, em sua maioria, mulheres: a reforma não pode passar; e as mulheres são uma resistência importante neste momento .

Luciana Genro salientou a participação das mulheres e da juventude nas mobilizações contra o governo de Jair Bolsonaro (PSL) e afirmou que a redução de apoio ao governo dá ainda mais força para a luta: a greve geral é um marco da reorganização do nosso povo; tenho certeza de que vamos seguir e podemos vencer . Abigail refutou o argumento do governo sobre a reforma acabar com privilégios e afirmou que não se trata de uma reforma, mas de acabar com a Previdência . Ernestina falou sobre a luta das trabalhadoras domésticas para terem reconhecidos direitos básicos e como a deforma da Previdência, como definiu, afetará essa categoria. Beatriz fez uma convocação para que as pessoas vão para as ruas, conversem e informem amigos, parentes, colegas: a reforma não estava no nosso horizonte e não vai estar; vamos lutar para o que sabemos que é bom para o povo .

Diretora do Sintrajufe/RS chama para a mobilização

Quando foi aberto espaço para as considerações do público, a diretora do Sintrajufe/RS Iria Edinger falou em nome do sindicato. Ela falou sobre as lutas da entidade contra a aprovação da agora EC 95/2016 e a reforma derrotada de Michel Temer e também sobre a vitória do Sintrajufe/RS ao suspender, por um perí­odo, a propaganda mentirosa sobre a reforma em 2017, suspensão que está buscando estender à propaganda do atual governo. Iria ressaltou que é importante informar sobre os danos da reforma para o maior número de pessoas possí­vel, inclusive para as que votaram no atual presidente. Nós não queremos esta reforma, que assassina a dignidade das mulheres , buscando retirar direitos conquistados a muito custo. A nossa responsabilidade é salvar a nossa aposentadoria, salvar a previdência dos trabalhadores e das trabalhadoras do paí­s e o futuro dos nossos filhos e nossos netos . Por isso, convocou os presentes a participar da greve geral do dia 14: vamos parar este paí­s .