SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Servidores querem PL salarial na pauta da transição no STF

Depois da mudança na data da aposentadoria de Joaquim Barbosa, dirigentes sindicais dos servidores do Judiciário Federal reafirmaram que os sindicatos e a Fenajufe devem pressionar o Supremo Tribunal Federal a incluir na pauta do processo de transição da Presidência do tribunal a proposta de recomposição salarial dos servidores. O ministro transferiu a aposentadoria para o dia 5 de agosto, segundo divulgado pela imprensa, sob o argumento de que assim terá como assegurar uma tranquila transferência de comando ao ministro Ricardo Lewandowski.

Os trabalhadores querem que o STF cumpra o que acordou na mesa de negociação: assuma a defesa da proposta salarial contida no substitutivo entregue ao deputado João Dado (SDD-SP), relator do PL 6613/2009 na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, mas não acatada por ele. Cobram ainda que a Presidência do Supremo se posicione de forma firme pela previsão de recursos no orçamento de 2015 para implantação do projeto.

Orçamento e autonomia

O Poder Judiciário tem que defender a sua autonomia orçamentária, não pode permitir que o Executivo continue a quebrar esta autonomia, como em anos anteriores , afirma Adilson Rodrigues, dirigente da Fenajufe e do sindicato de São Paulo (Sintrajud). O servidor avalia que essa é a principal tarefa da categoria após o término da greve. O movimento paredista atingiu cinco estados do paí­s e puxou a mobilização nacional que pautou a demanda salarial e obteve do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nova nota técnica contrária à PEC 59/2013.

Já Pedro Aparecido, dirigente da Fenajufe e do sindicato do Mato Grosso (Sindijufe-MT), avalia que os trabalhadores não podem abrir mão de defender suas propostas neste perí­odo de transição na Presidência do STF: Temos que aproveitar o finzinho de gestão para que o Joaquim Barbosa assine a proposta e inicie a negociação. E, paralelamente, fazer pressão sobre Lewandowski , disse.

Opinião parecida tem Tarcí­sio Ferreira, da coordenação da Fenajufe: O reajuste salarial tem que ser pauta da transição. Até porque ele diz que adiou a aposentadoria para cuidar da transição , observa.

Não houve ainda reunião da Fenajufe com a direção-geral do STF depois que o relator João Dado apresentou seu parecer. O relatório do parlamentar foi favorável à aprovação do PL 6613, desde que haja adequação orçamentária. Porém, João Dado não assumiu o substitutivo levado a ele pelo diretor-geral do STF, Miguel Fonseca, em conjunto com integrantes do Comando de Greve da Fenajufe.

Ao dirigente da Fenajufe Adilson Rodrigues, o coordenador da mesa de negociação, Rubens Dusi, disse que ficara surpreso com a decisão do relator de não acatar o substitutivo. Rubens é da administração do STF e foi designado por Joaquim Barbosa para coordenar a comissão que reuniu representantes da Fenajufe e dos tribunais superiores e elaborou a proposta levada à Câmara dos Deputados.

A categoria se prepara para retomar as mobilizações e pressionar o Supremo a assumir o projeto salarial acordado, defender a previsão orçamentária para ele e enfrentar a já anunciada intenção do governo Dilma Rousseff (PT) de barrar qualquer proposta que contemple reajuste salarial. A reunião ampliada da Fenajufe realizada no dia 6 de julho, em Brasí­lia, aprovou um calendário de atividades com atos, rodadas de assembleias e indicação da construção de nova greve nacional para meados de agosto.

O diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira também fez uma avaliação da situação: “O STF já negocia com o governo a aprovação da PEC 63, que trata do adicional por tempo de serviço dos magistrados. E a pauta dos servidores? É sua obrigação negociar, também, a reposição salarial da categoria, cujo substitutivo foi encaminhado pelo próprio Supremo ao Congresso. Vamos cobrar a negociação entre Dilma e STF nas ruas. A greve que barrou a PEC pode também conquistar reajuste”.

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: Hélcio Duarte Filho, Luta Fenajufe Notí­cias