
Os servidores do Judiciário Federal e do MPU reafirmaram, em reunião ampliada da Fenajufe, ontem, a construção da greve nacional e indicaram o início da paralisação para até o dia 29 de abril. A categoria também decidiu entrar em estado de greve para organizar a mobilização em todos os estados do país e sinalizar que pode parar a qualquer momento. O movimento busca se contrapor às políticas adotadas tanto pelo governo Dilma Rousseff (PT) quanto pela cúpula do Supremo Tribunal Federal.
A ampliada reafirmou, ainda, o objetivo de construir um movimento conjunto com os demais setores do funcionalismo, que tenha força tanto para fazer o governo recuar e aceitar negociar quanto o STF rever sua política excludente e que aposta na divisão da categoria.
O Sintrajufe/RS enviou dez delegados à ampliada, eleitos na assembleia geral do dia 15. A direção foi representada por Cristiano Moreira, Paulinho Oliveira, Luis Rafael Ribeiro e Ruy Almeida.
No dia 19, véspera da reunião em que essas decisões foram tomadas, o Ministério do Planejamento disse a representantes sindicais do funcionalismo que o Planalto só admite negociar questões salariais em 2016, quando nem se sabe quem estará no governo. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal tem pronta proposta de carreira específica para o órgão que ignora o conjunto da categoria. Essa proposta, a qualquer momento, pode ser levada à apreciação dos ministros em sessão administrativa.
Calendário de atividades
Os participantes da reunião nacional, eleitos em assembleias nos estados, definiram ainda um calendário de mobilização que prevê um ato nacional em Brasília no dia 2 de abril, paralisação de 24 horas no dia 9 do mesmo mês e uma semana de atividades nos estados, do dia 22 a 25, que antecederia ao início da greve no dia 29. A data é uma referência final para o início da greve e também uma proposta indicativa, que terá que ser ratificada em nova rodada de assembleias nos estados. A próxima reunião ampliada foi marcada para 10 de maio.
A reunião de ontem foi marcada por duras críticas ao presidente do STF, Joaquim Barbosa, por ele não negociar com o conjunto da categoria, não aceitar o debate sobre um plano de carreira para toda a categoria e por permitir a elaboração de proposta que separa o Supremo do restante da categoria e fomenta a divisão no Judiciário. Moção de apoio aos sindicatos que lutam contra isso e de rejeição do conteúdo da proposta foi votada na reunião.
˜Tem que ser agora™
A aprovação do calendário de forma consensual contrasta, de certa forma, com o desenrolar dessa reunião ampliada, pautada em muitos momentos por forte debate sobre quais seriam as prioridades do momento para a categoria. Ao final, prevaleceu o calendário unitário e a posição de seguir buscando unir forças com os demais federais em torno da pauta de reivindicações conjunta, com a defesa da data-base e da reposição das perdas, associado à sobre o presidente do STF, para que ele ouça o conjunto dos servidores.
O ano das mobilizações tem que ser 2014, não temos como fugir disso. Temos que fortalecer esta luta, o governo já disse que não tem negociação , disse o coordenador da Fenajufe Saulo Arcangeli, ao defender a unidade de toda a categoria para enfrentar Dilma e Joaquim Barbosa.
Na opinião da direção do Sintrajufe/RS, o encaminhamento da reunião ampliada serve para fortalecer a inserção dos servidores do Judiciário Federal na luta unificada com os servidores federais. Nenhuma conquista salarial da categoria, historicamente, veio sem greve. Em 2012, mesmo com todas as dificuldades impostas inicialmente pelo governo Dilma, foi a greve unificada que obrigou o governo a negociar com todas as categorias. Mais uma vez, Dilma disse que não vai negociar. E, mais uma vez, vamos cobrar essa negociação com greve , disse o diretor Cristiano.
Sintrajufe/RS, com informações de Hélcio Duarte Filho, Luta Fenajufe Notícias
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