SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Servidores e Fenajufe definem ações e estratégias na defesa da Justiça Eleitoral

 

Um encontro nacional para debater as alterações propostas pelo Tribunal Superior Eleitoral através das Resoluções 23.512/17, 23.516/17 e 23.518/17, trouxe a Brasí­lia no sábado, 6, cerca de 60 servidores da Justiça Eleitoral de todo o paí­s. O Sintrajufe/RS participou do encontro representado pelo diretor Rodrigo Mércio e pelos colegas Tassiana Alcoforado Diniz Skrsypcsak, representando os analistas; Edson Moraes Borowski, os chefes de cartório; Lea Luciana Galle Lautert, os técnicos judiciários; e João da Silva Blos, os agentes de segurança. Estiveram presentes também representantes do diversos estados.

Convocado pela Fenajufe, o objetivo foi o de interagir e conhecer a realidade de cada estado para melhor organizar a luta unificada dos servidores da Justiça Eleitoral, frente os ataques expressos em várias resoluções do TSE, publicadas recentemente. Mas, por não estar previsto no Estatuto da Fenajufe, o encontro não é instância deliberativa. Os encaminhamentos aprovados serão remetidos à Diretoria Executiva da Federação, que irá discutir e deliberar sobre as propostas. 
 
 

 
No encontro, foram definidas estratégias para barrar e minimizar os efeitos perversos das portarias do TSE, bem como unificar a luta dos servidores em todo o território. A principal delas foi a indicação, recepcionada pela Fenajufe, de posição contrária à extinção de Zonas Eleitorais (ZEs), como tem acontecido no rezoneamento em curso em alguns estados. Trata-se de parte de um ataque geral aos trabalhadores e ao serviço público que vem sendo conduzido pelo governo, com a anuência e participação direta de membros do Poder Judiciário, em especial do ministro Gilmar Mendes.

Durante as conversas, além do posicionamento negativo em relação à redução de zonas eleitorais, com prejuí­zo a atendimento e com a retirada de cartórios em cidades, foram elencadas crí­ticas à ausência de concurso público para a JE, bem como ao sucateamento da estrutura, com prejuí­zo à qualidade e à segurança do processo eleitoral.

Sobre os efeitos das portarias publicadas pelo TSE, os advogados Diogo Mesquita Póvoa e Yasmim Yogo Ferreira, integrantes da Assessoria Jurí­dica Nacional (AJN) da Fenajufe, apresentaram estudo apontando os riscos das resoluções e apontaram caminhos a serem seguidos. É o caso da 23.518/17, que permite a terceirização irrestrita ao criar a figura do atendente eleitoral , passivo de realizar funções que antes eram exclusivas do servidor, que também passa a ser um atendente  eleitoral pelo nova Resolução. 
 
 

 
Além disso, a assessoria alertou quanto à necessidade dos sindicatos levantarem o máximo de dados que permitam prever prejuí­zos, inclusive ao atendimento público, e denunciá-los  à população. 

Outro ponto analisado pela AJN e também levantado pelo Sisejufe/RJ, foi a utilização da biometria como justificativa para a terceirização nas Zonas Eleitorais. A avaliação é que o serviço terceirizado é necessário para a implantação do sistema, mas não da forma como vem sendo feita, com irrestrito acesso de terceirizados e estagiários, aos dados completos do Cadastro Nacional Eleitoral. 

Dos estados, foram levados relatos de situações que mostram a precariedade com que a Justiça Eleitoral é tratada pela própria cúpula da pasta. Servidores submetidos a condições insalubres e falta de material para a realização das atividades foram situações identificadas e comumente presente no interior do paí­s. 

Sobre os efeitos do rezoneamento, foi do Rio de Janeiro o dados mais estarrecedor: das 97 Zonas Eleitorais do Estado, 48 foram extintas. E o prazo para concluir o processo de fechamento das ZEs recuou de 30 de setembro, para 31 de julho.

O diretor do Sintrajufe/RS Rodrigo Mércio avalia o encontro: “É necessário informar a sociedade – população, juí­zes e promotores – dos prejuí­zos que o rezoneamento e a terceirização causarão ao trabalho da JE,a precarização que ambos trarão à qualidade da prestação jurisdicional, à segurança das eleições e ao cadastro de eleitores. Somente com uma luta unificada entre trabalhadores da JE, juí­zes, promotores e a sociedade será possí­vel deter os ataques contra a Justiça Eleitoral”.

Para o colega Edson Borowski, que também esteve presente, “o encontro dos servidores da JE serviu como um ponto de partida para a resistência às medidas implantadas pelo TSE, totalmente alinhadas com as polí­ticas pós-golpe de 2016, de redução do Estado e desmonte das estruturas públicas. O encontro foi importante para definir nossa estratégia para as lutas que teremos pela frente na defesa de uma Justiça Eleitoral forte e acessí­vel à população”.

O colega João da Silva Blos também participou do encontro e faz sua avaliação: “O encontro transcorreu com muito debate sobre os diversos assuntos pertinentes à Justiça Eleitoral. Colegas de todo o Brasil fizeram relatos da realidade enfrentadas nos seus locais de trabalho, e para  todos os presentes ficou notória a necessidade de medidas urgentes da Fenajufe e dos sindicatos locais a fim de fazer frente aos ataques contra o serviço público”.

Diante do quadro de grave ameaça à sobrevivência da Justiça Eleitoral, o colegiado apontou os seguintes encaminhamentos para deliberação da Diretoria Executiva da Fenajufe:

– A Fenajufe é contra a extinção de Zonas Eleitorais;

– A Fenajufe defende jornada de seis horas de trabalho para todos;

– Montagem da Comissão Provisória, com 5 membros, que atuará pelo prazo de 60 dias, quando então será instalada a comissão definitiva composta por dois representantes de cada estado;

– Envio de ofí­cio ao TSE informando posição da Fenajufe contrária a extinção de Zonas Eleitorais e solicitando audiências com o presidente e Diretor-Geral do Tribunal. 

Já como resultado direto do encontro, uma formação provisória do colegiado, com cinco titulares e cinco suplentes. O representante titular da Região Sul será o colega do Rio Grande do Sul Edson Moraes Borowski.

Novo encontro de servidores da Justiça Eleitoral deverá acontecer no iní­cio do mês de julho. Até lá, os sindicatos devem deliberar posição sobre o registro civil nacional sob responsabilidade da Justiça Eleitoral e o recesso de final de ano, objeto da Resolução 23.516/17, bem como elegerem os seus representantes para a Comissão permanente. Devido à profundidade dos debates, estes dois pontos da pauta não chegaram a ser discutidos, sendo remetidos ao próximo Encontro Nacional.

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: Fenajufe, por Luciano Beregeno.