SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Servidores do STF propõem carreira própria, numa postura mesquinha que defende a divisão da categoria

Em assembleia geral no dia 1º de junho, os servidores do STF elegeram uma comissão para elaborar uma proposta, enviada ao presidente do tribunal, ministro Joaquim Barbosa, na qual solicitam a criação de uma carreira própria para o quadro de pessoal do Supremo. Em sua justificativa, os colegas afirmam que o tema saiu da informalidade e passou a ser tratado pelos servidores como proposta principal para o problema da desvalorização da carreira judiciária , ou seja, resolveram cuidar de seus problemas no particular, o que aparentemente é mais fácil do que discutir coletivamente com os servidores do Judiciário Federal em seu conjunto.
 

O documento encaminhado à presidência do STF é um amontoado de equí­vocos. O pleito é chamado de o maior movimento organizado dos servidores do STF na história do tribunal , novamente ignorando o todo da categoria. Um outro argumento, que soa quase pueril, e é também suprassumo do egoí­smo e da falta de consciência de classe, é a   justificativa de que a carreira própria facilitaria futuras negociações salariais, uma vez que não haveria mais o argumento da inviabilidade orçamentária, problema que tende a aumentar com a elevação do número de servidores. Ou seja, os outros servidores que resolvam seus problemas, cada um que procure individualmente soluções.
 
Esta falta de solidariedade, estranha ao funcionalismo público e aos servidores do Judiciário Federal, tí­pica de que sem se preocupa apenas com o seu umbigo, tem uma matriz. Esta postura divisionista segue a linha estimulada por setores da categoria, como entidades que defenderam o subsí­dio, tempos atrás (por exemplo, as tais Anata e Anajus) enquanto a maioria, conforme deliberação de suas instâncias, lutava pelo PL 6.613.
 
O caso nos remete a um poema de Bertolt Brecht, que fala de uma pessoa que não se preocupava com o que acontecia com os outros à sua volta, pois ela não era um deles. No entanto, quando essa pessoa precisou de auxí­lio, ninguém se preocupou com ela. É o que acontece com entidades e grupos que nunca apoiam os demais: nunca recebem ou receberão apoio. Não existe luta solitária. Os trabalhadores só conquistam quando se apoiam mutuamente; não será com a divisão da categoria que seremos mais fortes.
 
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