SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Senado recua, relatório da PEC que permite redução de salários dos servidores é adiado, mas Maia quer fazer votações pela internet

Prevista para esta quarta-feira, a leitura do relatório da PEC 186/2019 (PEC Emergencial) não deve mais ocorrer nesta semana. Por conta da crise de saúde gerada pelo coronaví­rus, o Congresso está funcionando sem acesso ao público, e torna-se cada vez mais difí­cil manter as sessões e votações. Entre outras medidas, a PEC autoriza a redução de salários dos servidores públicos.

A desistência da leitura do parecer do relator, senador Oriovisto Guimarães (Podemos/PR), também é resultado da pressão de entidades e servidores. O Sintrajufe/RS somou-se, nesta semana, a campanha pela suspensão da leitura, instruindo a categoria a enviar e-mails e telefonar para o gabinete do senador cobrando a suspensão.

Além da falta de acesso do público ao Congresso, as audiências públicas também foram suspensas no Senado, o que prejudica o debate democrático sobre os temas de interesse da população. Ao mesmo tempo, a chamada “PEC Emergencial” trata-se de um grave ataque aos servidores públicos e aos serviços oferecidos para a população. Embora o relator pretenda retirar do projeto a permissão para a redução de salários na saúde e na educação, outras áreas fundamentais nesse momento de crise sanitária seriam afetadas, como a pesquisa cientí­fica e a vigilância epidemiológica e sanitária.

Pressão precisa seguir; Maia quer fazer votações via internet

Mesmo com o recuo, a pressão dos servidores não pode parar. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou nessa terça-feira, 17, que pretende seguir com as votações remotamente. A ideia é que permaneçam em Brasí­lia integrantes da Mesa Diretora e os lí­deres de cada partido, ou o primeiro vice-lí­der. Os demais poderiam votar remotamente, por meio de um aplicativo que está sendo desenvolvido pela Diretoria de Inovação e Tecnologia da Informação da Câmara.

Segundo Maia, na semana que vem, de preferência serão votados projetos relacionados ao coronaví­rus, mas outras propostas que tenham prioridade também poderão ser colocadas em pauta. No pedido de reconhecimento de estado de calamidade recentemente enviado para a Câmara, o governo reafirma a intenção de votar as reformas que desmontam os serviços públicos. Para o governo, a prioridade é seguir atacando os direitos da população e o serviço público. Para os trabalhadores e as trabalhadoras, porém, a prioridade é a revogação da emenda constitucional 95/2016, que congela os investimentos públicos e dificulta, neste momento, o combate à crise do coronaví­rus.