O ano de 2016, chegando ao fim de acordo com o calendário, na verdade não irá terminar. Seus desdobramentos seguem ininterruptos em 2017. Os ataques a direitos, por um lado, e a luta dos trabalhadores, por outro, terão novos capítulos já a partir da virada do ano.
Por um lado, 2016 foi um ano de conquista. Nossa categoria mostrou toda sua capacidade de mobilização e, após a maior greve de nossa história, realizada ainda em 2015, a campanha salarial prosseguiu em 2016, culminando em uma suada reposição salarial. Vencemos o ajuste fiscal aplicado pelo governo Dilma enfrentando as cúpulas dos três poderes da República atuando em conluio, sem falar na grande imprensa que, como de hábito, atuava como porta-voz do governo na tentativa de deslegitimar nossa luta. O exemplo vitorioso demonstra a máxima que tantas vezes já provamos em nossa história: sem luta não há conquista.
Essa lição teremos que aplicar novamente em 2017, dessa vez com o desafio de derrotar o projeto de desmonte do Estado levado a cabo por Temer: um governo que, embora ilegítimo e atolado em escândalos de corrupção, busca de todas as formas acelerar o processo de precarização dos serviços públicos e garantir os lucros de banqueiros e rentistas.
Os ataques aos trabalhadores por parte dos governos de Temer e Sartori certamente irão continuar. No caso do governo federal, após a aprovação da PEC 55/2016, que congela os investimentos públicos por vinte anos, abriu-se uma porta por onde Temer e seus aliados querem fazer passar outras medidas que afrontam os direitos dos trabalhadores brasileiros. O caso mais próximo é o da reforma da Previdência (PEC 287/2016), cuja admissibilidade já foi aprovada em tempo recorde na CCJ da Câmara dos Deputados. Temer quer aprovar no próximo ano a proposta que obriga os trabalhadores a contribuírem com a Previdência por 49 anos para receberem a integralidade da aposentadoria. Caso Temer continue no governo, o passo seguinte deverá ser a reforma trabalhista, esfacelando a CLT.
Contudo, temos a continuidade da luta contra esses e outros ataques. Avança a organização e a resistência dos trabalhadores para fazer frente aos governos de Temer, no nível federal, e Sartori, no nível estadual. Essa organização unitária cresceu em 2016 e terá que seguir se aprofundando e fortalecendo desde os primeiros dias de 2017. O Sintrajufe/RS e os trabalhadores do Judiciário Federal no Rio Grande do Sul foram, são e serão parte importante desse processo.
Para o ano que vem, desejamos a todos os colegas muitas conquistas, individuais e coletivas. E convidamos todos a juntarem-se ao Sintrajufe/RS nas importantes batalhas que teremos pela frente. Em 2017, a greve geral que foi gestada neste ano precisará se tornar realidade. Precisaremos ser um só a dizer, nas ruas, em unidade com o conjunto da classe trabalhadora: Fora Temer! Nenhum direito a menos!









