SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Salário mí­nimo deveria ser quatro vezes maior para suprir necessidades dos trabalhadores, diz Dieese

Para que um trabalhador conseguisse suprir as despesas básicas durante o último mês de 2013, ele deveria receber um salário mí­nimo no valor de R$ 2.765,44. O levantamento foi realizado pelo Departamento Intersindical de Estatí­stica e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O valor necessário é 4,086 vezes o salário mí­nimo vigente no perí­odo, de R$ 678. Em dezembro de 2012, o valor apurado para atender às despesas de uma famí­lia era de R$ 2.561,47, ou 4,12 vezes o mí­nimo da época (R$ 622).

Ainda de acordo com o Dieese, a jornada de trabalho necessária para a compra dos alimentos essenciais por um trabalhador remunerado pelo salário mí­nimo também aumentou. Enquanto em dezembro de 2012 a jornada exigida era de 94 horas e 23 minutos, no mesmo mês de 2013 foi de 94 horas e 47 minutos.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mí­nimo lí­quido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, a relação era de 46,83% em dezembro, maior do que o verificado em novembro (46,16%). Essa relação correspondia a 46,64%, em dezembro de 2012.

O supervisor técnico do Dieese no Ceará, Reginaldo Aguiar, lembra que em julho de 1940, quando foi pago o primeiro salário mí­nimo no paí­s, o valor representava o equivalente hoje a R$ 1.401,07. O salário mí­nimo vigente corresponde a menos da metade de seu valor original. “Enquanto isso, a economia brasileira cresceu mais de cinco vezes nesse mesmo perí­odo”, diz Aguiar. Em janeiro de 1959, o mí­nimo chegou a valer R$ 2.018,68. “Nesse perí­odo, havia uma combinação de crescimento econômico e democracia, que permitia que as organizações de trabalhadores pudessem reivindicar maiores salários”, explica o economista.

Em contrapartida, ele lembra que, no perí­odo do Plano Collor, em março de 1992, o salário mí­nimo atingiu um de seus menores valores, correspondente a R$ 287,10. “Nesse perí­odo havia uma combinação de vários fatores. Apesar de ser um perí­odo democrático, porque já havia passado do regime militar, havia um baixo crescimento econômico e um grande descontrole monetário, com uma inflação alta”, recorda.

Cesta básica
 
Em 2013, o valor da cesta básica aumentou nas 18 capitais pesquisadas, sendo que nove apresentaram variações acima de 10%. Entre elas estão Salvador (16,74%), Natal (14,07%) e Campo Grande (12,38%). As menores oscilações ocorreram em Goiânia (4,37%) e Brasí­lia (4,99%).

Em dezembro, houve aumento da cesta em quinze cidades, estabilidade em Vitória e diminuição em Aracaju (-0,88%) e Rio de Janeiro (-0,43%). As maiores elevações foram registradas em Goiânia (7,95%) e Florianópolis (7,86%). Apesar de apresentar a terceira menor variação positiva, 0,14%, Porto Alegre foi a capital onde se apurou, em dezembro, o maior valor para a cesta básica (R$ 329,18), seguida por São Paulo (R$ 327,24) e Vitória (R$ 321,39).

Com informações de UOL e Diário do Nordeste