SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Resistência à PEC 287 adia calendário do governo na Câmara; amanhã tem paralisação de 24 horas e ato às 17h


 
 

Nos planos que chegaram a ser divulgados por representantes da cúpula parlamentar aliada ao governo federal, o relatório da Proposta de Emenda Constitucional 287, a PEC da Previdência, estaria sendo votado no plenário da Câmara dos Deputados no final de março, provavelmente no dia 28 próximo. Isso não vai acontecer.

O calendário que chegou a ser divulgado e as previsões do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não serão cumpridos. É pouco provável, ainda, que o relator do projeto, Arthur Maia (PPS-BA), apresente o seu parecer até o dia 16 de março, como anunciara ao assumir a função. Fala-se agora em aprovar a PEC na comissão formada por 37 deputados titulares e 37 suplentes na primeira quinzena de abril.

Há algumas explicações possí­veis para isso. Uma delas é que, a bem da verdade, o calendário que o comando da Câmara tentou pautar estava otimista demais para com os objetivos do governo. Há, ainda, uma já explí­cita resistência em parcela de deputados da base governista com relação ao projeto, sob o principal argumento de que há excessos no texto enviado por Temer ao Legislativoavalia o analista polí­tico e assessor parlamentar Antonio Augusto Queiroz, que presta assessoria à Fenajufe e é diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Outra faceta evidente da questão são as disputas internas na base do Palácio do Planalto, que envolvem principalmente o PMDB, o chamado Centrão, que reúne pequenas legendas, e o PSDB, que ganhou peso e influência no governo nos últimos meses.

É lógico que é preciso analisar essa resistência com muito cuidado. Não significa que o governo Michel Temer (PMDB) não tenha cacife para aprovar a proposta. Por enquanto, os obstáculos ainda parecem fazer parte do jogo, no qual o preço, seja polí­tico ou não, da aprovação da matéria vai sendo turbinado. Mas revela que haverá dificuldade e que dificilmente a proposta seria aprovada agora do jeito que está.

É preciso ter em mente, porém, que esse é quadro atual e as articulações polí­ticaspara usar termos bem generososno Congresso Nacional não param. Por outro lado, o fato de o governo não ter tido êxito nas primeiras previsões de votações divulgadas merece ser comemorado pelos movimentos que se opõem à proposta. O contráriose a base governista estivesse pronta para votar daqui a duas semanas o texto em Plenárioindicaria mares tranquilos demais para o governo aprovar proposta tão controversa e de tanto impacto negativo sobre a população.

Como se vê, não é isso o que está ocorrendo, ao contrário. Ninguém menos que o atual lí­der do PMDB e ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), vem dando declarações seguidas contestando o teor do projeto. Na segunda-feira, 13, chamou jornalistas que cobrem o dia a dia do Congresso Nacional para dizer que do modo que está a PEC 287 não passa.

Em um cenário assim, as manifestações de rua ganham ainda mais relevância. A jornada de atos e paralisações nacionais convocados por todas as centrais sindicais para esta quinta-feira, dia 15 de março, será o primeiro termômetro de a quantas anda a capacidade de mobilização contra a reforma da Previdência.

O fato é que para o governo será tão mais difí­cil contornar as resistências e dificuldades para votar a PEC 287 quanto maior forem os protestos de rua. Nas manifestações do 8 de MarçoDia Internacional das Mulheres algumas dezenas de milhares foram às ruas para defender também a rejeição da reforma da Previdência, entre outras bandeiras. Agora, será o primeiro ato de dimensões nacionais especí­fico para dizer não à PEC 287. Será também a primeira vez que as muitas divergências entre o conjunto das centrais sindicais serão postas de lado para que se faça um dia de mobilizações unificado. Assim, o resultado da jornada desta quarta, 15, poderá ter simbolismo e peso excepcionais no desenrolar dessa batalha.

No Rio Grande do Sul, os trabalhadores do Judiciário Federal realizam paralisação de 24 horas, com a participação em duas atividades unificadas com outros trabalhadores: às 15h, haverá assembleia unificada de mobilização no Sindisprev (Travessa Francisco Leonardo Truda, 40, 12º andar) e, às 17h, grande ato público unificado na Esquina Democrática.

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: Luta Fenajufe Notí­cias, por Hélcio Duarte Filho
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