SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Primeiro ato público de 2015 da categoria no RS reúne mais de 400 pessoas

As escadarias e o pátio em frente à 1ª Instância da Justiça Federal de Porto Alegre ficaram lotados, na tarde de hoje, quando os servidores do Judiciário do RS realizaram o primeiro ato público de 2015. A atividade reuniu mais de 400 pessoas, das justiças do Trabalho, Federal e Eleitoral, que pararam por duas horas, atendendo ao chamado do Sintrajufe/RS, além de colegas aposentados. Foi o reiní­cio da mobilização por reposição salarial e pela aprovação do projeto 7.920/14, que foi aprovado, recentemente na CCJ da Câmara dos Deputados.

A paralisação de duas horas foi aprovada na assembleia geral de 14 de março. Estavam presentes ao ato público em Porto Alegre colegas de cidades como Caxias do Sul, Novo Hamburgo e Pelotas. Em todo o estado, vários colegas informaram ao sindicato a adesão à paralisação: Bagé, Bento Gonçalves, Cachoeira do Sul, Carazinho, Caxias do Sul, Erechim, Faxinal do Soturno, Gravataí­, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pelotas, Santa Maria, Santana do Livramento, Santo í‚ngelo, São Jerônimo, Taquara, Triunfo e Vacaria.

No iní­cio do ato público, o diretor do sindicato Fagner Azeredo fez um relato sobre as manifestações, ontem, em Brasí­lia, contra a aprovação do projeto de lei 4.330/04, que terceiriza as atividades-fim nas empresas e no serviço público, o que significa uma precarização sem precedentes das relações do trabalho. Fagner e outros quatros representantes do Sintrajufe/RS foram à capital federal. O dirigente informou que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-SP), impediu o acesso dos trabalhadores à Casa. Além disso, houve truculência da PM do Distrito Federal e Polí­cia Legislativa contra os manifestantes, o que acarretou ferimentos graves em várias pessoas. Fagner ressaltou que os trabalhadores, tanto do serviço público quanto da iniciativa privada, continuam a luta unificada contra o projeto.

O diretor Fagner informou, ainda, que os representantes do sindicato visitaram gabinetes de parlamentares, como os senadores gaúchos Ana Amélia Lemos (PP), Lasier Martins (PDT) e Paulo Paim (PT), a fim de solicitar apoio à aprovação do PL 7.920/14.

Luta contra o arrocho salarial e contra a precarização do trabalho

A intransigência do governo Dilma Rousseff (PT), que pratica uma polí­tica de ajuste fiscal na qual apenas os trabalhadores pagam a conta, somada à subserviência do STF, que já demonstrou que negocia apenas quando estão em jogo os interesses da magistratura, mostram que a luta será dura. No entanto, a dimensão do ato público neste iní­cio da retomada da mobilização deu a todos os presentes a certeza de que, em 2015, a categoria está com uma grande disposição. Essa foi a tônica das falas durante o ato público.

Nas falas, os colegas frisaram os nove anos sem reajuste para a categoria, que acumula perdas salariais de quase 50%. Em 2014, os servidores realizaram uma forte mobilização, na qual conseguiram barrar a PEC 59 e as carreiras exclusivas, mas não conquistaram o reajuste salarial e viram, no final do ano, o STF negociar apenas a reposição dos salários da magistratura, que já havia ganhado o auxí­lio-moradia. Durante o ato público, a indignação quanto à subserviência do Supremo em relação ao governo ficou evidente. Os colegas lembraram, ainda, o julgamento dos quintos, em que, novamente, o STF, seguindo à polí­tica de ajuste fiscal do governo, retirou mais esse direito dos servidores.

Também a discussão da Lei Orgânica da Magistratura, em curso no Supremo, as medidas provisórias 664 e 665, entre outras preocupações da categoria, foram lembradas. Em quase todas as falas, o PL 4.330, das terceirizações, foi citado, pela precarização que representa ao emprego tanto no setor público quanto nas empresas privadas. A categoria, portanto, tem muitas lutas pela frente além da mobilização por reposição salarial e da grande pressão para que o governo e o STF negociem a viabilização do PL 7.920/14, concluí­ram os colegas.

Após o ato público, os colegas fizeram uma caminhada em torno dos prédios da primeira instância da JF. Logo depois, saí­ram em caminhada, pela rua Otávio Francisco Caruso da Rocha em direção ao TRF. Com bandeiras, faixa e apitaço, foi encerrada a atividade, com a promessa de que as próximas atividades serão ainda maiores.

Na avaliação da direção do sindicato, a atividade foi extremamente positiva, demonstrando a grande disposição de luta da categoria já na arrancada da mobilização. Na próxima semana, o Sintrajufe/RS convocará assembleias de base em todo o estado, para que a categoria avalie a mobilização de hoje e projete os próximos passos da luta pela reposição salarial. 

Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS