SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Presidente da CNI defende mudanças na legislação trabalhista e chega a falar em jornada de 80 horas semanais

Seguindo o raciocí­nio de que quem sempre paga a conta é o trabalhador, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, disse que, para o governo diminuir o déficit fiscal, serão necessárias mudanças duras tanto na Previdência Social quanto nas leis trabalhistas. Ele sugeriu, inclusive, que a jornada fosse ampliada para 80 horas semanais e usou a França como exemplo. Depois, corrigiu dizendo que seriam 60 horas, uma vez que o governo francês autorizou que a carga horária do trabalhador possa chegar a 12 horas diárias.

As sugestões , que atacam os direitos dos trabalhadores, foram feitas em reunião de cerca de cem empresários do Comitê de Lí­deres da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) com o presidente interino Michel Temer. A reunião ocorreu nesta sexta-feira, 8, e durou mais de duas horas.

Temer deixou o evento sem falar com a imprensa. Em entrevista depois do encontro, Andrade sugeriu que o Brasil adote iniciativas similares às do governo francês, que, de forma independente do parlamento, conseguiu autorizar aumento da carga horária para os trabalhadores. É bom lembrar que os trabalhadores não aceitaram as mudanças. Foram às ruas, com greves e protestos, na busca de impedir esse grande retrocesso.

Segundo Andrade, a iniciativa privada está ansiosa para ver medidas duras, difí­ceis de serem apresentadas. Por exemplo, a questão da Previdência Social. Tem de haver mudanças na Previdência Social. Caso contrário, não teremos no Brasil um futuro promissor , acrescentou. Ele defendeu também a implementação de reformas trabalhistas. Para ele, o empresariado está ansioso para que essas mudanças sejam apresentadas no menor tempo possí­vel . Obviamente, o empresário não sugeriu diminuir os benefí­cios das empresas, como desonerações fiscais, aumento da fiscalização para evitar sonegação ou taxação das grandes fortunas. Apenas os trabalhadores devem pagar.

Vimos agora o governo francês, sem enviar ao Congresso Nacional, tomar decisões com relação às questões trabalhistas. No Brasil, temos 44 horas de trabalho semanal. As centrais sindicais tentam passar esse número para 40. A França, que tem 36, passou para a possibilidade de até 80 horas de trabalho semanal e até 12 horas diárias de trabalho (na verdade, são 60 horas semanais em “circunstâncias excepcionais”). A razão disso é muito simples. A França perdeu a competitividade de sua indústria com relação aos demais paí­ses da Europa. Agora, está revertendo e revendo suas medidas, para criar competitividade. O mundo é assim e temos de estar abertos para fazer essas mudanças. Ficamos ansiosos para que essas mudanças sejam apresentadas no menor tempo possí­vel , argumentou o empresário.

Por outro lado, o empresário afirmou que somos totalmente contra qualquer aumento de imposto. O Brasil tem muito espaço para reduzir custos e ganhar eficiência para melhorar a máquina pública antes de pensar em qualquer aumento de carga tributária. Acho que seria ineficaz e resultaria, neste momento, na redução das receitas, uma vez que as empresas estão em uma situação muito difí­cil , disse ele.

Tentar retomar jornadas de trabalho do iní­cio do século XX é uma violência contra a saúde e a vida. Os empresários, que defendem a livre iniciativa , mas que vivem de benesses do Estado, nunca apresentam qualquer alternativa que não seja a retirada de direitos e a exploração do trabalhador. Diretos e garantias não podem ser apontados como vilões. Os trabalhadores brasileiros, tanto da iniciativa privada quanto do serviço público, não admitirão retrocessos.

Sintrajufe/RS, com informações de rádio Gaúcha
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