Cerca de 20 mil trabalhadores participavam, na quarta-feira, 29, de uma manifestação nas proximidades da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), quando foram agredidos pela Polícia Militar. A maior parte dos manifestantes eram professores, que questionavam uma mudança na Previdência Estadual proposta pelo governador Beto Richa (PSDB), e que foram recebidos com tiros, cassetadas, mordidas de cachorro e bombasatiradas até mesmo de helicópteros. A ação da polícia, respaldada pelo governo antes e após o ato, acabou com quase 200 feridos.
Em greve desde segunda-feira, 27, os professores estaduais tentavam chegar à Alep para manifestar-se contra o PL 252/15 (veja abaixo detalhes do projeto), que altera a Previdência Estadual. Na terça, em outro ato público, os educadores já haviam sido recebidos com violência pela PM. Mas, na quarta, o cenário foi muito pior. Entre as dezenas de feridos, alguns tiveram ferimentos gravesuma professora, por exemplo, teve que amputar um dedo, e um cinegrafista que trabalhava na cobertura do ato foi mordido na perna por um cão da Polícia Militar e precisou realizar uma cirurgia de emergência.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), foram 25 minutos ininterruptos de tiros nos(as) educadores(as). A categoria recua, com as mãos para cima, e os ataques continuam . Houve dificuldades inclusive para remover os feridos, já que a polícia não parou de atacar os trabalhadores durante um longo período. Ambulâncias tiveram dificuldade de se aproximar para socorrer os feridos, uma vez que a Tropa de Choque da Polícia Militar fez um cordão para isolar o prédio da Assembleia. Entre os feridos, idosos, crianças e deficientes. Uma senhora que se apoiava nas grades do prédio da Assembleia foi alvejada à queima-roupa por um disparo de bala de borracha nas costas enquanto a polícia avançava contra os manifestantes. Alunos foram retirados de escolas da região. A Prefeitura de Curitiba informou que algumas crianças chegaram a passar mal por conta do gás lacrimogêneo.
O APP-Sindicato repudiou a ação policial: Centenas de policiais foram deslocados, de todas as regiões, para a capital, apenas com o intuito de garantir a votação, na Assembleia Legislativa do Paraná, de uma proposta que poderia ter encontrado consenso, mas que, pela ganância e incompetência do governador, teve sua discussão atropelada , disse a entidade, em nota. O sindicato também afirma que o dia 29 de abril entrará para a história como uma data a se lamentar . O governo do Paraná ultrapassou todos os limites. Da civilidade, da moralidade, da humanidade. O execrável exemplo de abuso de autoridadeprotagonizado pelo governador Beto Richa e pelo secretário de Segurança Pública Fernando Francischinié uma mancha deplorável na história do nosso Estado , diz o texto publicado na página do sindicato na internet. A entidade informou ainda que a greve continua.
O governo do Paraná alegou que os policiais foram atacados por manifestantes: Lamentável, cenas chocantes e indesejáveis. Arruaceiros, black blocs que partiram para cima de PMs, que preservavam a assembleia. A agressão não partiu dos policiais. Eles ficaram parados para proteger o prédio da Assembleia Legislativa. A polícia não partiu para cima dos manifestantes uma única vez , disse o governador do Paraná, Beto Richa. Dezenas de vídeos e fotos circulam nas redes sociais desmentindo o governador. O deputado Nereu Ramos (PMDB-PR) ironizou: São black blocs armados de giz e avental . O também peemedebista Requião Filho foi mais realista: Nós, como poder, deveríamos nos envergonhar do que aconteceu aqui hoje . Há informações de que 17 policiais se recusaram a participar da ação e foram presos.
O Sintrajufe/RS repudia veemente a truculência do governo Beto Richa, que usa de violência na tentativa de intimidar a manifestação democrática dos trabalhadores e sua organização sindical, e se solidariza à categoria lutadora dos professores do Estado do Paraná em sua luta contra a retirada de direitos. Todo apoio à greve dos professores!








