SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Paralisação reúne 400 pessoas em ato público e mobiliza 18 cidades no RS

 

 
Os trabalhadores do Judiciário Federal não aceitam pagar pela crise e exigem a reposição das perdas salariais acumuladas nos últimos anos. Isso ficou evidente, hoje, quando a categoria respondeu ao chamado doo Sintrajufe/RS, com paralisação em diversas cidades e um grande ato público, que reuniu cerca de 400 pessoas em Porto Alegre. A concentração aconteceu nas varas trabalhistas, com colegas das justiças Trabalhista, Federal, Eleitoral e Militar, além de aposentados. Participaram da mobilização no dia de hoje colegas de Alvorada, Cachoeira do Sul, Cachoeirinha, Capão da Canoa, Carazinho, Caxias do Sul, Cruz Alta, Erechim, Gravataí­, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Rio Grande, Santa Maria, Santo í‚ngelo, São Borja, São Leopoldo, Uruguaiana e Santa Vitória do Palmar.

 

Como tradicionalmente acontece, foi realizada uma caminhada no entorno dos prédios das varas trabalhistas, com um chamamento para que os demais descessem e participassem da atividade. Com apitaço, batucada e palavras de ordem, o grupo seguiu, depois, para a Avenida Praia de Belas, onde fechou uma das faixas de circulação e a caminhada seguiu até o TRT, onde foi realizado o ato público.
 

 
Governo usa manobras e inverdades para impedir reposição salarial

 
Desde semana passada, vários acontecimentos foram fortalecendo ainda mais o ânimo da categoria. No dia 6, o lí­der do governo no Senado, Delcí­dio Amaral (PT-MS), pediu vista e impediu a votação do PLC 28/15, de reposição salarial. Isso indignou os servidores, que foram em peso a Brasí­lia ontem, quando o projeto estava na pauta da Comissão de Constituição e Justiça da Casa. O Sintrajufe/RS estava presente com caravanas nas duas ocasiões. Novamente, na sessão desta quarta-feira, 13, o governo orientou sua base paraimpedir que o projeto fosse votado, dessa vez, por falta de quórum. Delcí­dio ainda propôs aos servidores presentes que apoiaria a aprovação na CCJC, mas, mudando a tramitação do projeto, para que ele passasse também pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e que um substitutivo seja apresentado. Isso significa não apenas rebaixar o projeto, mas enviá-lo novamente para a Câmara dos Deputados, correndo o grave risco de engavetamento.

 
Não bastasse toda essa manobra do governo no Legislativo, o Ministério do Planejamento divulgou uma nota com inverdades sobre o projeto de reposição salarial. De acordo com a nota, o PL custaria mais de R$ 25 bilhões, ou seja, quase 3,5 vezes o tamanho real do projeto. Em resposta, o Sintrajufe/RS publicou uma nota paga, hoje, no jornal Correio do Povo, a fim de esclarecer a população acerca da situação salarial da categoria e da má-fe do governo.
 
 
A direção do sindicato informou que, em conversa com o diretor-geral do STF, Amarildo Vieira de Oliveira, este confirmou que o presidente do tribunal, Ricardo Lewandowski, já teria aceitado a proposta de Delcí­dio Amaral a respeito da tramitação do projeto. Por isso, a categoria tem que se preparar para o embate, para uma greve nacional que avance na nossa reposição salarial , afirmou o diretor Ruy Almeida. O diretor informou, ainda, que ele um grupo de servidores se reuniram com o senador Lasier Martins (PDT-RS), a fim de buscar apoio à reposição salarial. O senador afirmou que, se for necessário, assinará um requerimento para o PLC 28/15 não ter de passar pela CAE do Senado.
 
 

 
A indignação aos ataques do governo contra a categoria estiveram presentes em todas as falas durante o ato público. O colega da JT Paulo Rosa destacou que a proposta do senador Delcí­dio Amaral é uma enrolação e que acordos se fazem no plenário, e não no corredor. Só uma greve para arrancar nosso reajuste. O governo já disse que não vai dar; então, temos de tomar , enfatizou o colega, concluindo que o reajuste da categoria é uma questão de justiça.

 
Informar e instrumentalizar a categoria para reagir às inverdades divulgadas pelo governo é fundamental, disse o colega do TRF Zé Oliveira. Para ele, é preciso que a Fenajufe e o STF reajam frente a esses ataques. O colega observou que o governo está aplicando um ajuste fiscal, mas que este foi rompido pelo STF, que conseguiu reajuste, auxí­lio-moradia e gratificação de substituição para os magistrados.

 
Os servidores fazem a Justiça, realizam o trabalho do Judiciário no seu dia a dia, mas não têm o reconhecimento. Enquanto isso, está sendo discutida a aprovação de uma nova Lei Orgânica para a Magistratura, sem que tenha sido sequer resolvida resposição salarial da categoria. Essas foram as considerações do diretor do Sintrajufe/RS Paulo Gustavo Barroso (PG), que lembrou aos presentes que, durante as discussões dos projetos de reposição salarial de servidores e magistrados, Lewandowski se comprometera a encaminhar ambas as pautas: Não honrou com a palavra , afirmou PG. Por isso, continou o dirigente, a categoria precisa ganhar esse reajuste na marra, na luta .

 
Enfrentamento também foi uma palavra-chave na intervenção do diretor do Sintrajufe/RS Paulinho Oliveira. Ele ressaltou que os servidores têm de enfrentar um governo cada vez mais duro com suas pautas e diferenças cadas vez maiores em relação à magistratura. Um governo, aliás, como destacou Paulinho, que não tem dificuldades para pagar reajustes para essa mesma magistratura, para ministros e parlamentares. Não podemos cair no engodo, na falsa proposta de acordo do Delcí­dio Amaral; o único acordo que nos interessa é entre o STF e Dilma. Nossa resposta tem que ser, cada vez mais, a mobilização , concluiu o dirigente.
 


 
 
O diretor do Sintrajufe/RS Fagner Azeredo frisou que a categoria está sem reposição salarial há nove anos e que temos adversários nos Três Poderes . Ele afirmou que o Executivo retém os valores para a reposição salarial e se nega a negociar; o Judiciário não respeita a categoria; e que o Legislativo baixa a cabeça para o governo. Quanto ao pedido de prazo do lí­der do governo do Senado, Fagner lembrou a todos que a última vez que o governo pediu prazo foi em 2010; o resultado foi que, passadas as eleições, o reajuste não veio. Na opinião do dirigente, a categoria esgotou os canais de negociação. Chegamos ao limite; é com luta que vão nos respeitar; agora vai ser com briga , afirmou.

 
Na avaliação de Cristiano Moreira, o governo usa a tática desesperada da mentira para desqualificar a justa demanda dos servidores por reposição salarial. Para ele, não é surpresa que, mais uma vez, o STF baixe a cabeça e aceite a proposta de Delcí­dio Amaral, que coloca a categoria em uma posição pior do que a atual. Cristiano chama a atenção que a nota pública do Ministério do Planejamento em momento algum fala em negociação; apenas mente e ataca nosso projeto. Por isso, afirma o diretor, a direção do sindicato aprovou, em reunião, levar para a ampliada a Fenajufe deste sábado, 16, proposta de greve nacional, ainda em junho.

 
Logo após as manifestações dos colegas, o ato público foi encerrado com um grande apitaço, e com a certeza de que será necessário intensificar a luta para conquistar a reposição salarial da categoria.

 
No dia 29 de maio, a categoria volta a se mobilizar, com paralisação de 24 horas convocada pelas centrais sindicais. A mobilização incluirá eixos como a reposição salarial, a luta contra as medidas de ajuste fiscal do governo e contra o PLC 30/15 (antigo PL 4.330/04), que amplia as terceirizações.