Em debate promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) nessa quinta-feira, 17, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, deram sugestões, no mínimo, inusitadas para o combate à fome no Brasil. Para eles, é necessário oferecer as sobras aos pobres, a classe média deve se servir menos comida e os prazos de vencimento dos alimentos devem ser flexibilizados .
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O governo brasileiro e seu ministro da Economia não têm apresentado soluções para o desenvolvimento do país, para a geração de emprego e renda e para o combate à miséria e à fome que atingem parcela cada vez maior da população. Porém, no evento da Abras, Guedes apresentou uma proposta criativa : O prato de um classe média europeu, que já enfrentou duas guerras mundiais, é relativamente pequeno e, aqui, nós fazemos almoço e deixamos uma sobra enorme , afirmou o ministro, que também disse que os restaurantes fazem almoço além do necessário, o que resultaria na refeição em excesso do consumidor final de classe média.
Para Guedes, a classe média deve se servir menos e as sobras devem ir para os pobres. Conforme sua apresentação, isso poderá resolver o problema da fome no Brasil. Segundo dados do grupo Alimento para Justiça , da Universidade Livre de Berlim, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de Brasília (UnB), mais da metade dos domicílios no país, 59,4%, se encontra em situação de insegurança alimentar.
Alimentos vencidos
Tereza Cristina complementou o projeto político do governo para o combate à fome: na mesma atividade na qual falou Guedes, a ministra da Agricultura defendeu que o governo flexibilize o prazo de validade dos alimentos, contornando a lei que proíbe a doação de alimentos vencidos. A ministra parece acreditar que os alimentos vencem nas prateleiras dos supermercados por um descuido ou acaso, e não pela queda acentuada do poder aquisitivo da população. Tereza Cristina é uma das principais representantes do agronegócio no governo Bolsonaro, um setor que, após crescimento no último período, já é responsável por 26% do Produto Interno Bruto do país.
Em um país com tanta força na agricultura, não deixa de soar estranho que a solução para a fome seja que os pobres se alimentem de sobras e alimentos vencidos. Mas tudo fica claro quando sabemos que a exportação de produtos do agronegócio do Brasil avançou 33,7% em maio de 2021 em relação ao mesmo mês do ano passado, gerando um recorde de US$ 13,94 bilhões movimentados. Some-se a isso a falta de políticas de geração de emprego e renda e as soluções apresentadas pelo governo só podem ser essas.
Guedes também defende retirar ainda mais direitos trabalhistas: arma de destruição em massa
Também no evento da Abras, Guedes defendeu que, para gerar empregos, é preciso retirar direitos da populaçãoo mesmo discurso utilizado por Michel Temer (MDB) para aprovar a reforma trabalhista, que, retirando direitos, não gerou empregos. Para Guedes, esses direitos são uma arma de destruição em massa de empregos e é preciso atacar isso e gerar mão de obra barata.
As declarações de Guedes e Tereza Cristina deixam às claras, no discurso, o que o governo vem aplicando por meio de agendas como as privatizações (agora, da Eletrobrás) e a reforma administrativa. Longe de propor políticas de desenvolvimento, geração de emprego e renda e garantia de direitos, Bolsonaro e seus ministros partem de problemas reais para oferecer falsas soluções, diversionistas e que apontam, na realidade, para a consolidação de um modelo que aprofunda esses problemas reais.
Por isso é preciso por um fim ao governo Bolsonaro e ampliar as lutas pelos direitos da população. Isso passa por vacina urgente para todos e todas, por auxílio emergencial de R$ 600 e pelo combate à reforma administrativa e a defesa dos serviços públicos. São pautas que, juntamente com o chamado pelo Fora Bolsonaro, estarão postas nas ruas neste sábado, 19. Em todo o país, em mais de 400 cidades, haverá mobilizações. Em Porto Alegre, o protesto começa às 15h, em frente à Prefeitura. O Sintrajufe/RS estará presente e chama a categoria a participar das atividades na capital ou no interior. Não esqueça: use máscara e leve álcool em gel.











