SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

FOME

Para resolver aumento da fome no Brasil, Guedes e ministra da Agricultura sugerem sobras e alimentos vencidos

Em debate promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) nessa quinta-feira, 17, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, deram sugestões, no mí­nimo, inusitadas para o combate à fome no Brasil. Para eles, é necessário oferecer as sobras aos pobres, a classe média deve se servir menos comida e os prazos de vencimento dos alimentos devem ser flexibilizados .

O governo brasileiro e seu ministro da Economia não têm apresentado soluções para o desenvolvimento do paí­s, para a geração de emprego e renda e para o combate à miséria e à fome que atingem parcela cada vez maior da população. Porém, no evento da Abras, Guedes apresentou uma proposta criativa : O prato de um classe média europeu, que já enfrentou duas guerras mundiais, é relativamente pequeno e, aqui, nós fazemos almoço e deixamos uma sobra enorme , afirmou o ministro, que também disse que os restaurantes fazem almoço além do necessário, o que resultaria na refeição em excesso do consumidor final de classe média.

Para Guedes, a classe média deve se servir menos e as sobras devem ir para os pobres. Conforme sua apresentação, isso poderá resolver o problema da fome no Brasil. Segundo dados do grupo Alimento para Justiça , da Universidade Livre de Berlim, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de Brasí­lia (UnB), mais da metade dos domicí­lios no paí­s, 59,4%, se encontra em situação de insegurança alimentar.

Alimentos vencidos

Tereza Cristina complementou o projeto polí­tico do governo para o combate à fome: na mesma atividade na qual falou Guedes, a ministra da Agricultura defendeu que o governo flexibilize o prazo de validade dos alimentos, contornando a lei que proí­be a doação de alimentos vencidos. A ministra parece acreditar que os alimentos vencem nas prateleiras dos supermercados por um descuido ou acaso, e não pela queda acentuada do poder aquisitivo da população. Tereza Cristina é uma das principais representantes do agronegócio no governo Bolsonaro, um setor que, após crescimento no último perí­odo, já é responsável por 26% do Produto Interno Bruto do paí­s.

Em um paí­s com tanta força na agricultura, não deixa de soar estranho que a solução para a fome seja que os pobres se alimentem de sobras e alimentos vencidos. Mas tudo fica claro quando sabemos que a exportação de produtos do agronegócio do Brasil avançou 33,7% em maio de 2021 em relação ao mesmo mês do ano passado, gerando um recorde de US$ 13,94 bilhões movimentados. Some-se a isso a falta de polí­ticas de geração de emprego e renda e as soluções apresentadas pelo governo só podem ser essas.

Guedes também defende retirar ainda mais direitos trabalhistas: arma de destruição em massa

Também no evento da Abras, Guedes defendeu que, para gerar empregos, é preciso retirar direitos da populaçãoo mesmo discurso utilizado por Michel Temer (MDB) para aprovar a reforma trabalhista, que, retirando direitos, não gerou empregos. Para Guedes, esses direitos são uma arma de destruição em massa de empregos e é preciso atacar isso e gerar mão de obra barata.

As declarações de Guedes e Tereza Cristina deixam às claras, no discurso, o que o governo vem aplicando por meio de agendas como as privatizações (agora, da Eletrobrás) e a reforma administrativa. Longe de propor polí­ticas de desenvolvimento, geração de emprego e renda e garantia de direitos, Bolsonaro e seus ministros partem de problemas reais para oferecer falsas soluções, diversionistas e que apontam, na realidade, para a consolidação de um modelo que aprofunda esses problemas reais.

Por isso é preciso por um fim ao governo Bolsonaro e ampliar as lutas pelos direitos da população. Isso passa por vacina urgente para todos e todas, por auxí­lio emergencial de R$ 600 e pelo combate à reforma administrativa e a defesa dos serviços públicos. São pautas que, juntamente com o chamado pelo Fora Bolsonaro, estarão postas nas ruas neste sábado, 19. Em todo o paí­s, em mais de 400 cidades, haverá mobilizações. Em Porto Alegre, o protesto começa às 15h, em frente à Prefeitura. O Sintrajufe/RS estará presente e chama a categoria a participar das atividades na capital ou no interior. Não esqueça: use máscara e leve álcool em gel.