SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Para Dilma garantir a privatização do pré-sal, Força Nacional lança bombas e Exército cerca praia no Rio de Janeiro

Tropas do Exército cercam o Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, onde está prevista para acontecer, agora à tarde, a privatização do Campo de Libra, do pré-sal, maior reserva de petróleo já descoberta no paí­s. Manifestantes contrários à privatização estão no local desde as primeiras horas da manhã. É a primeira licitação na área do pré-sal e gera revolta na população, que promoveu uma grande mobilização nas redes sociais.
 
Por volta das 10h45, policiais da Força de Segurança Nacional, tropa vinculada à presidente da República, Dilma Rousseff, lançaram pela primeira vez uma enorme quantidade de bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo contra os participantes do ato, que acontece na altura da Praça do ó. Muitos tiros de bala de borracha foram disparados, há pelo menos um ferido com mais gravidade na cabeça, que foi encaminhado para um hospital, além de vários outros feridos nas pernas e nos braços. Até aquele momento, nada havia sido quebrado por manifestantes. O ataque ocorreu no momento em que alguns manifestantes forçaram a grade que cerca o acesso ao hotel. Cerca de 600 pessoas participam do protesto. 

 
Duas barreiras, a primeira da Força de Segurança Nacional, a segunda do Exército, esta com cerca de 200 homens, separam manifestantes do hotel. Há dois caminhões de jato d’água posicionados nos extremos da área cercada. No mar, dois barcos da Marinha patrulham a orla. Helicópteros da polí­cia sobrevoam o local. Grades foram colocadas até mesmo na faixa de areia, onde também há soldados, na barreira mais próxima ao hotel, e policiais da Força Nacional à altura de onde se encontram os manifestantes, agora mais afastados por conta dos ataques da polí­cia, que, no iní­cio da tarde, vem dando tiros e lançando bombas de forma esporádica contra os manifestantes. 
 
Com as barreiras, moradores e trabalhadores da região foram obrigados a contornar pela faixa de areia, próximo ao mar, para chegar às suas residências ou ao trabalho. Moradora do conjunto de prédios do Barramares, a professora Carmen também se dizia revoltada. Isso aqui está me lembrando o tempo da ditadura militar , disse. Eu lembro, eu vivi isso. Tem mais é que vir os black blocs e quebrar tudo , prosseguiu. É uma vergonha, é uma roubalheira e ela [Dilma] disse que não ia privatizar , criticou. A reportagem do Luta Fenajufe Notí­cias perguntou o nome completo da moradora, mas ela se esquivou olhando para os soldados do Exército: Só não vou dar o nome… é ditadura .

Agressão

Os homens da Força Nacional reagiram ao protesto pací­fico com balas de borracha, spray de pimenta e bombas de efeito moral. Feridos estão sendo atendidos em uma ambulância do Corpo de Bombeiros que está no local. A população continua posicionada em frente às grades. Também estão presentes partidos polí­ticos, movimentos sociais e sindicatos.

As Forças Armadas estão no local porque a presidente Dilma Rousseff atendeu ao pedido do governador Sérgio Cabral para reprimir as manifestações contrárias ao leilão do campo de Libra. Um coronel do Exército proibiu a permanência no local do carro de som contratado pelo Sindipetro-RJ.
Parece que estamos num regime de exceção. A liberdade de manifestação está sendo cerceada. É triste ver o governo colocando as Forças Armadas contra seu povo. Mas nada disso vai impedir que ocupemos as ruas para protestar, denunciar e tentar barrar esse criminoso leilão do pré-sal. É o futuro do Brasil que está em jogo , afirma Emanuel Cancella, diretor do Sindipetro-RJ, da FNP e coordenador da campanha Todo Petróleo Tem que Ser Nosso.

Com informações de Luta Fenajufe Notí­cias e Agência Petroleira de Notí­cias