O pacote de medidas anunciado pelo governo da presidente Dilma Rousseff (PT) ressuscita proposta que estava engavetada no Congresso e que legaliza a contenção de gastos públicos por meio do congelamento dos salários de servidores. Faz o mesmo com relação a mecanismo usado na década de 1990, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), para reduzir os serviços públicos, ao prever programas de demissões voluntárias para alcançar as metas fiscais.
Â
Â
Lei Antiterrorismo
Â
O anúncio do pacote vem pouco depois de a presidente sancionar a Lei Antiterrorismo, que, a pretexto de combater atentados terroristas até agora não registrados no país, abre caminho legal para encarcerar participantes de protestos populares ou sindicais.
Â
Â
Â
Segundo o governo, o projeto a ser enviado em breve ao Congresso Nacional fixa limites de gastos com os serviços públicos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Seria um mecanismo automático, a ser acionado sempre que as metas fiscais da União não forem alcançadas.
Â
Na prática, o governo ressuscita o projeto que previa o congelamento da remuneração dos servidores públicos por meio de uma limitação de gastos com pessoal e da expansão dos setores públicos, ambos de modo associado ao PIB.
Â
Prioridade para meta fiscal
Â
Â
Â
A proposta estabelece três etapas de contenção de despesas a serem aplicadas, em sequência, caso a meta fiscal não seja atingida. A primeira restringe a contratação de pessoal à reposição de funcionáriosvetando qualquer criação de cargos, funções ou mudanças nas carreiras. Também veta eventuais reajustes reais de salários de servidores (acima da inflação), aumentos de despesas administrativas e reduz em pelo menos 10% os cargos comissionados.
Â
A segunda etapa, caso o problema nas contas públicas persista, implica na proibição de qualquer reajuste para servidores, mesmo que seja para repor a inflação, e a criação de novas despesas.
Â
A terceira e última medida prevê o corte de benefícios pagos ao funcionalismo e de até 30% nas despesas com parcelas indenizatórias e vantagens transitórias, como diárias. Estabelece, ainda, a possibilidade de demissão de servidores por meio dos chamados planos de demissões voluntárias. Coíbe, além disso, aumentos reais no salário mínimo.
Â
Â
Â
Tais medidas vêm acompanhadas do refinanciamento das dívidas de estados e municípios. O objetivo, que parece nítido, é tentar formar uma rede de governadores e prefeitos que as defendam. Com a presidente Dilma em frangalhos e sob ataque de setores da direita, o Palácio do Planalto segue apostando na aliança com partidos e governos conservadores, além do grande empresariado e os bancos, para tentar pautar medidas impopulares.
Â
Â
Â
Projetos salariais
Â
Â
Â
O pacote apresentado pode significar uma proibição legal a revisões de planos de cargos, a reajustes salariais e a qualquer expansão nos serviços públicos. Não está claro se a investida mira apenas o futuro próximo ou se haveria alguma intenção de estendê-la aos projetos salariais do funcionalismo que tramitam na Câmara dos Deputadose que na prática estão paralisados por conta da crise política e da comissão que analisa o impedimento da presidente Dilma.
Â
Â
Â
Nenhum partido da oposição conservadora no Congresso criticou a investida que prejudica os servidores. Por trás da crise, há sinais claros de que permanece a aliança que levou a dez anos de perdas salariais no Judiciário Federal e do Ministério Público da União.
Â
O diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira avalia a situação: “Esse é o verdadeiro golpe, já em andamento: contra nós, trabalhadores. Enquanto brigam pelo poder, Dilma, Temer, Cunha, Renan, Aécio e demais integrantes da quadrilha tem acordo no essencial: atacar nossos direitos. Precisamos reagir, pois o 1º de abril, que deveria ser o início da implementação da reposição, caminha para se transformar apenas em mais um dia da mentira”, afirma.
Â
Sintrajufe/RS realiza assembleias de base e assembleia geral
Â
O Sintrajufe/RS realiza, nessa semana, uma rodada estadual de assembleias de base, preparatória à assembleia geral que acontece no dia 29 de março. O interior deve realizar suas as assembleias de base entre segunda, 28, e terça-feira, 29. Na pauta, o indicativo apresentado pela diretoria executiva do sindicato, de que a categoria responda aos ataques do governo ao funcionalismo e à inércia quanto à aprovação do reajuste salarial da categoria com mobilização no dia 1º de abril, dia da mentira.
Â
A mobilização do interior é fundamental. Os colegas deverão realizar assembleias em seus locais de trabalho e encaminhar as atas contendo as deliberações para o e-mail [email protected], até as 17h da terça-feira, 29, para que sejam avaliadas na assembleia geral.
Â
A assembleia geral será realizada na terça-feira, 29, às 19h, nas varas trabalhistas.
Â
Em Porto Alegre, as assembleias de base ocorrem nos seguintes dias e horários:
Â
28/3, 14hTRE Anexo
Â
Â
28/3, 17hAssembleia de Base TRE Duque
Â
Â
29/3, 13hAssembleia de Base VTs Porto Alegre
Â
Â
29/3, 16hAssembleia de Base JF Porto Alegre
Â
Editado por Sintrajufe/RS; fonte: LutaFenajufe Notícias; por Hélcio Duarte Filho.









