
O país assistiu, na semana passada, a um triste momento da cúpula do Judiciário: ministros, comandados pelo presidente do TSE, Gilmar Mendes, fazendo malabarismos jurídicos para atender a uma finalidade puramente política: manter Temer na Presidência e impor as reformas.
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A soberba e a truculência com que o Mendes se mostrou para a nação talvez surpreenda muita gente, mas não os servidores da Justiça Eleitoral, especificamente, e do Judiciário Federal como um todo. O ministro é um conhecido inimigo dos direitos dos servidores. Votou e segue atuando contra a incorporação da parcela de 13,23% e advogou pelo fim do direito ao pagamento dos quintos, por exemplo. Como presidente do TSE, criou o rezoneamento, que extinguirá dezenas de zonas eleitorais em todo o país, na contramão do que a cidadania necessita para garantia da democracia: facilidade de acesso à Justiça Eleitoral e independência frente a coronéis locais.
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Gilmar Mendes não representa a Justiça Eleitoral. Está presidente, mas não age com o compromisso necessário. Pelo contrário, mostra-se, cada vez mais, comprometido com interesses questionáveis. A última informação divulgada é que o instituto que leva seu nome teria, também, recebido patrocínio de mais de R$ 2 milhões da J&F, empresa controladora da JBS. A atuação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral desmoraliza e enfraquece a imagem da Justiça Eleitoral, e com ela a dos milhares de servidores que nela trabalham, perante a opinião pública.
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Os servidores, espalhados por todas as localidades, são os que enfrentam, no dia a dia, as dificuldades de garantir a lisura dos processos e o direito dos eleitores. O crescimento da Justiça Eleitoral e o da democracia brasileira caminham juntos. É de se pensar por que, em um momento de intensa crise política e institucional, a JE torna-se alvo, com ameaças de redução e até mesmo de terceirização do quadro (mais uma iniciativa do diligente Gilmar Mendes). A quem interessa uma Justiça Eleitoral enfraquecida?









