SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Os servidores são a verdadeira face da Justiça Eleitoral na garantia da democracia

 

O paí­s assistiu, na semana passada, a um triste momento da cúpula do Judiciário: ministros, comandados pelo presidente do TSE, Gilmar Mendes, fazendo malabarismos jurí­dicos para atender a uma finalidade puramente polí­tica: manter Temer na Presidência e impor as reformas.
 

A soberba e a truculência com que o Mendes se mostrou para a nação talvez surpreenda muita gente, mas não os servidores da Justiça Eleitoral, especificamente, e do Judiciário Federal como um todo. O ministro é um conhecido inimigo dos direitos dos servidores. Votou e segue atuando contra a incorporação da parcela de 13,23% e advogou pelo fim do direito ao pagamento dos quintos, por exemplo. Como presidente do TSE, criou o rezoneamento, que extinguirá dezenas de zonas eleitorais em todo o paí­s, na contramão do que a cidadania necessita para garantia da democracia: facilidade de acesso à Justiça Eleitoral e independência frente a coronéis locais.
 

Gilmar Mendes não representa a Justiça Eleitoral. Está presidente, mas não age com o compromisso necessário. Pelo contrário, mostra-se, cada vez mais, comprometido com interesses questionáveis. A última informação divulgada é que o instituto que leva seu nome teria, também, recebido patrocí­nio de mais de R$ 2 milhões da J&F, empresa controladora da JBS. A atuação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral desmoraliza e enfraquece a imagem da Justiça Eleitoral, e com ela a dos milhares de servidores que nela trabalham, perante a opinião pública.
 

Os servidores, espalhados por todas as localidades, são os que enfrentam, no dia a dia, as dificuldades de garantir a lisura dos processos e o direito dos eleitores. O crescimento da Justiça Eleitoral e o da democracia brasileira caminham juntos. É de se pensar por que, em um momento de intensa crise polí­tica e institucional, a JE torna-se alvo, com ameaças de redução e até mesmo de terceirização do quadro (mais uma iniciativa do diligente Gilmar Mendes). A quem interessa uma Justiça Eleitoral enfraquecida?