SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Novembro Negro: Sintrajufe/RS promove performances nos locais de trabalho para chamar a atenção para o racismo cotidiano

Você é racista? , Quem vai pagar por 400 anos de trabalho gratuito? , Branquitude: já parou para pensar nesse conceito? , Qual é a cor de quem toma decisões neste prédio? . Essas e outras frases questionando a posição das pessoas sobre o racismo foram distribuí­das em cartazes na performance Intervenção negra no Judiciário Federal: chega de racismo , com direção do ator, professor, produtor e diretor teatral Thiago Pirajira e participação dos artistas Bruno Cardoso, Mayura Matos e Silvana Rodrigues. A atividade foi apresentada nos dias 7, 9 e 12 nos prédios das varas trabalhistas, TRF4 e Justiça Federal e integraram a programação do Novembro Negro do Sintrajufe/RS.

Durante cerca de três horas, os atores escreveram e afixaram, nos locais, cartazes com frases que provocavam reflexões sobre o racismo. Também eram desenhados os contornos dos atores, sobre papel, no chão, em uma referência direta a uma cena de crime e ao assassinato de jovens negros no paí­s. A atriz e poeta Silvana Rodrigues desenvolvia outra performance, de enrolar brigadeiros (no Rio Grande do Sul chamados de negrinhos ) e oferecê-los a quem passava. Ela produz e protagoniza essa apresentação desde 2013, principalmente do lado de fora de eventos culturais. As pessoas estão acostumadas a nos ver servindo e muitas não percebem que é uma performance. Quando se dão conta, diz Silvana, as pessoas se sentem incomodadas e querem explicações, mas ela diz que o principal é que cada uma chegue a suas próprias conclusões, que pense a respeito de suas reações.

Para a colega Débora Rehbein, do TRF4, a atividade foi sensacional . Na opinião dela, esse tipo de ação deveria ser feito com mais frequência, pois as pessoas fingem que não veem o racismo. É um tapa na cara; é ridí­culo as pessoas pensaram que o mundo é feito só para os brancos. Débora afirma que o sindicato não tem que ir atrás só de aumento de salário, tem que discutir essas outras questões , que dizem respeito à cidadania. Ela reclama que os negros, além de serem poucos no prédio do TRF4, são discriminados, principalmente terceirizados e estagiários. Também do TRF4, o colega Wolsey Martins Neto, disse que a atividade foi bem válida, importante, gostei bastante . Segundo ele, a situação está melhorando, mas continua havendo preconceito . Por isso, opina, é importante levar a discussão aos locais de trabalho.

O caráter informativo das intervenções, com dados sobre o racismo no Brasil, foi destacado pela colega da Justiça Federal Karina Lacerda. Não só apresentar a cultura afro-brasileira, mas também trazer informações , observou a colega, é importante porque tem gente que fala muita besteira por falta de informação, porque muitas coisas sobre a história, sobre a realidade, não aprendemos nas escolas”. Ela identifica a luta contra o racismo com a luta feminista, afirmando que o melhor caminho é o de buscar informar as pessoas sobre a realidade, mais do que confrontá-las.

O diretor Thiago Pirajira explica que o trabalho foi pensado e desenvolvido não a partir da negritude, do preconceito sofrido por negras e negros, mas a partir da branquitude, confrontando brancas e brancos com seu próprio racismo. Essa inversão de lógica faz com que as pessoas brancas se percebam como operadoras do racismo. Sobre a recepção da performance no Judiciário Federal, Thiago disse que observou que pessoas negras e em posições subalternas nos locais de trabalho se aproximavam com olhar de curiosidade, conversavam, relatavam suas experiências. Pessoas brancas, em posições superiores, muitas vezes se mostravam incomodadas e mesmo indignadas, lançando olhares de desdém, e houve até quem dissesse que nojo para os atores. Para Thiago, a experiência foi válida, pois provocou, fez pensar: se não houver questionamento, não temos debate sobre racismo, sobre a branquitude e seus privilégios .