Na quarta-feira, 4, os diretores Cristiano Moreira, Raqueli Fiorenza Medeiros e Ruy Almeida estiveram nas 5 varas trabalhistas e na Coordenadoria de Distribuição de Feitos de Canoas, na primeira visita da nova direção aos locais de trabalho. Na passagem pelos setores, foram acompanhados pelo diretor de base Marcelo Aranha Cagno e da conselheira fiscal Juliana Zatti. Canoas foi escolhida pelo seu histórico de lutas e mobilizações e porque teve, recentemente, implantado o processo eletrônico. Os dirigentes explicaram aos colegas que a gestão que se inicia vai ter uma postura de maior independência e firmeza em relação ao TRT e que estará sempre aberta a ouvir a categoria.
Canoas vive um problema a mais, que é a redução no número de servidores por VT ao mesmo tempo em que o processo eletrônico é implantado. Para a nova direção, houve uma falta de planejamento e o tribunal precisa rever essa questão, pois a sobrecarga de trabalho já está sendo sentida pelos colegas, que reclamaram da falta de pessoal em todos os setores visitados. O tribunal toma suas decisões e ignora totalmente o servidor , disse um colega. Em três varas, há muitas críticas ao PJe; em duas, as críticas são concentradas na falta de servidores.
Os colegas explicaram que está pesado , pois há os processos físicos junto com os eletrônicos. Eles reclamaram da forma como foi feito o treinamento, dividido em dois módulos, para secretários especializados e todos os outros. Os secretários de audiência foram prejudicados, pois no dia do seu treinamento específico, houve falha no sistema. Além disso, o treinamento foi feito em Porto Alegre. Os colegas tiveram de se deslocar para outra cidade e não foram ressarcidos dos curstos de transporte; além disso, o deslocamento não foi computado como carga horário, o que gerou transtornos.
A Coordenadoria de Distribuição de Feitos também está trabalhando com processos físicos e eletrônicos. Os colegas relatam que aumentou o trabalho e o quadro diminuiu em dois servidores. Mas eles acreditam que, após a fase de transição, ficará melhor. Os colegas receberam treinamento para esclarecer dúvidas e se sentem tranquilos quanto a isso. O problema são dificuldades que precisam ir para o TRT, sendo que a maioria delas só pode ser resolvida pelo TST ou pelo CSJT.
Em Canoas, além da falta de pessoal, a falta de planejamento está gerando um acúmulo de trabalho. Os colegas informam que há muitos procedimentos a serem criados, mais do que no processo físico. A rotina de trabalho não é padronizada é não há orientação do TRT quanto a isso. Eles preveem que, por dois anos, pelo menos, havera acréscimo no volume de trabalho. Acho que em certo sentido o PJe vai diminuir o desgaste físico, o trabalho, mas o problema é a transição , dizem os servidores. No dia 13 de setembro, acontecerá a primeira audiência com o PJe em Canoas, e os servidores estão ansiosos. E se der problema na audiência, para tudo? Adia uma pauta para quando? , questiona um colega, fazendo referência à pauta, que está lotada.
Os diretores lembraram aos servidores que as mobilizações de junho conquistaram a redução do valor das passagens. Nossa categoria também tem condições de conquistar, melhorar as condições de trabalho e também recuperar os mais 40% de perdas salariais, e vimos em junho que isso só acontece indo às ruas , disse o diretor Cristiano Moreira para quem, por conta do aumento do trabalho e das metas, é preciso, também retomar a luta pela jornada de 6 horas. Ele falou da importância de todos participarem das assembleias de base e da assembleia geral, em Porto Alegre, dia 28 de setembro. O diretor Ruy Almeida salientou que a marca da nova gestão é que a categoria se aproprie do sindicato e Canoas é fundamental nessa luta. Não bastasse estarmos trabalhando mais, adoecendo mais, o salário está achatado. A saída é a mobilização , afirmou.
Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS







