SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

NOTA DE REPúDIO AOS ATAQUES DE LULA AO FUNCIONALISMO PúBLICO

“A profissão mais honesta é a do polí­tico. Sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir pra rua e pedir voto. O concursado, não: se forma na universidade, faz um concurso e tem emprego garantido para o resto da vida . (LULA, 15/09/2016)

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1. O Sintrajufe/RSSindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Rio Grande do Sul vem a público manifestar seu mais veemente REPúDIO às declarações do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva em pronunciamento feito à imprensa na última quinta-feira, 15 de setembro, no qual tratava da recente denúncia promovida pelo Ministério Público Federal contra si.

2. Em sua intervenção, Lula trata a polí­tica como profissão e ataca o conjunto do funcionalismo público ao avaliar que o polí­tico, por mais ladrão que ele seja , seria mais honesto que trabalhadores do serviço público, aprovados mediante concurso para prestar serviços essenciais à população. Não bastasse a absurda e infeliz comparação, o ex-presidente, que se notabilizou por retirar direitos previdenciários de servidores em 2003, ataca agora o direito constitucional à estabilidade, questionando-o ao traçar um paralelo entre trabalhadores concursados e polí­ticos submetidos ao voto popular.

3. Justamente no momento em que os trabalhadores do serviço público preparam a mobilização e resistência frente à ofensiva contra nossos direitos anunciada por Temer, Lula faz coro ao discurso anti-funcionalismo do novo governo e da grande imprensa, curiosamente classificados como adversários por ocasião de seu pronunciamento. A disputa pelo poder pode criar polarizações circunstanciais, mas não esconde por muito tempo as verdadeiras faces de cada um. Como em 2003, na Reforma da Previdência, Lula ataca o funcionalismo e alimenta a polí­tica que trata servidores como privilegiados em razão dos direitos que, com muita dificuldade, ainda se mantêm frente aos sucessivos ataques, governo após governo.

4. A estabilidade funcional, prevista na Constituição Federal, não é apenas um direito do trabalhador do serviço público, mas também da população que acessa os serviços essenciais. É o direito à estabilidade que protege os servidores de qualquer perseguição polí­tica e garante a impessoalidade e continuidade dos serviços públicos, sem risco de perda do cargo por arbitrariedades e/ou alternância de governos, garantindo ainda saúde, educação e um Poder Judiciário qualificados à população em geral. É esse direito que restringe a corriqueira prática de polí­ticos, sobretudo os corruptos defendidos por Lula, de apadrinhamentos e utilização de cargos públicos como moeda de troca no balcão de negócios da corrupção.

5. Os trabalhadores do serviço público não são ladrões. Não aceitamos a comparação que busca nos medir com a mesma régua ética e moral que tem pautado os sucessivos escândalos de corrupção protagonizados por PT, PMDB, PSDB, PP e demais partidos envolvidos em investigações. Não somos nós que devemos explicações à polí­cia ou ao Judiciário.

6. Exigimos respeito! No momento em que preparamos a luta contra os ataques de Temer, é necessária a mais ampla unidade em defesa de nossos direitos e, inclusive, no repúdio a declarações como a de Lula que, afinal, fortalecem o discurso que ataca o funcionalismo e busca precarizar os serviços necessários ao povo brasileiro.