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28 anos antes do 11 de setembro de Nova Yorque, um outro 11 de setembro marcava a história do terrorismo de Estado na América Latina. Em um golpe de Estado, o exército do Chile, sob o comando de Augusto Pinochet e apoiado pelo governo dos Estados Unidos, bombardeava o Palácio de La Moneda, sede presidencial do país. Naquele dia, morreu o presidente democraticamente eleito Salvador Allende, e instaurou-se uma ditadura que teve Pinochet como líder até 1990.
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Nesse período, estima-se que foram assassinadas pelo governo ditatorial mais de duas mil pessoas, além de cerca de 30 mil casos de tortura. Há ainda mais de mil casos de desaparecimentos não esclarecidos, e pelo menos duzentos mil chilenos que se exilaram durante a ditadura. O Chile de Pinochet também foi liderança da Operação Condor, que vitimou perseguidos políticos de toda a América Latina, inclusive do Brasil. Foi ainda sob a ditadura de Pinochet que foi implantada uma das primeiras experiências de neoliberalismo no mundo.
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Salvador Allende, eleito em 1970, suicidou-se no fim do cerco das tropas de Pinochet ao La Moneda. Em quase três anos de governo, Allende nacionalizou os bancos e as riquezas naturais, além de levar a cabo uma ampla reforma agrária. Seu projeto era ampliar a democracia na sociedade chilena sem o uso da força, seguindo as normas legais do país e caminhando rumo ao socialismo, reduzindo as desigualdades e devolvendo ao povo as riquezas do país, que até então se mantinham nas mãos de elites nacionais e internacionais. Por isso, enfrentou a oposição das oligarquias locais, dos chefes militares e dos Estados Unidos, sofrendo inclusive boicotes internos e a infiltração de agentes da CIA.
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O medo dos Estados Unidos era de que o rico Chile fosse mais um país latinoamericano a desafiar o controle estadunidense na região. As transformações pelas quais o Chile passava desde o governo anterior, de Eduardo Frei, incomodava os velhos donos do paísos que viviam nele e os que o controlavam de fora. Essas transformações, aprofundadas por Allende, levaram a uma ação definitiva e sem restrições: derrubar o presidente a qualquer custo.
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Com a morte de Allende e a chegada de Pinochet ao poder, ampliou-se a repressão política e o domínio estadunidense na América Latina. As ditaduras no Brasil, na Argentina e no Uruguai já existiam e já perseguiam contestadores. O Chile foi não apenas mais uma ditadura, mas a mais sanguinária e a mais alinhada aos Estados Unidos e às políticas econômicas neoliberais.
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Em 1987, um plebiscito nacional, resultado de fortes pressões internas e da comunidade internacional, decidiu que Pinochet não mais poderia seguir na presidência. Foram, então, convocadas eleições, e o ditador saiu derrotado para Patricio Aylwin, do Partido Democrata Cristão, colocando fim à ditadura iniciada em 11 de setembro de 1973.
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Texto: Alexandre Haubrich, Sintrajufe/RS








