SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

No primeiro 11 de setembro, a ví­tima foi a América Latina

 

28 anos antes do 11 de setembro de Nova Yorque, um outro 11 de setembro marcava a história do terrorismo de Estado na América Latina. Em um golpe de Estado, o exército do Chile, sob o comando de Augusto Pinochet e apoiado pelo governo dos Estados Unidos, bombardeava o Palácio de La Moneda, sede presidencial do paí­s. Naquele dia, morreu o presidente democraticamente eleito Salvador Allende, e instaurou-se uma ditadura que teve Pinochet como lí­der até 1990.
 

Nesse perí­odo, estima-se que foram assassinadas pelo governo ditatorial mais de duas mil pessoas, além de cerca de 30 mil casos de tortura. Há ainda mais de mil casos de desaparecimentos não esclarecidos, e pelo menos duzentos mil chilenos que se exilaram durante a ditadura. O Chile de Pinochet também foi liderança da Operação Condor, que vitimou perseguidos polí­ticos de toda a América Latina, inclusive do Brasil. Foi ainda sob a ditadura de Pinochet que foi implantada uma das primeiras experiências de neoliberalismo no mundo.

 
Salvador Allende, eleito em 1970, suicidou-se no fim do cerco das tropas de Pinochet ao La Moneda. Em quase três anos de governo, Allende nacionalizou os bancos e as riquezas naturais, além de levar a cabo uma ampla reforma agrária. Seu projeto era ampliar a democracia na sociedade chilena sem o uso da força, seguindo as normas legais do paí­s e caminhando rumo ao socialismo, reduzindo as desigualdades e devolvendo ao povo as riquezas do paí­s, que até então se mantinham nas mãos de elites nacionais e internacionais. Por isso, enfrentou a oposição das oligarquias locais, dos chefes militares e dos Estados Unidos, sofrendo inclusive boicotes internos e a infiltração de agentes da CIA.
 

O medo dos Estados Unidos era de que o rico Chile fosse mais um paí­s latinoamericano a desafiar o controle estadunidense na região. As transformações pelas quais o Chile passava desde o governo anterior, de Eduardo Frei, incomodava os velhos donos do paí­sos que viviam nele e os que o controlavam de fora. Essas transformações, aprofundadas por Allende, levaram a uma ação definitiva e sem restrições: derrubar o presidente a qualquer custo.
 

Com a morte de Allende e a chegada de Pinochet ao poder, ampliou-se a repressão polí­tica e o domí­nio estadunidense na América Latina. As ditaduras no Brasil, na Argentina e no Uruguai já existiam e já perseguiam contestadores. O Chile foi não apenas mais uma ditadura, mas a mais sanguinária e a mais alinhada aos Estados Unidos e às polí­ticas econômicas neoliberais.
 

Em 1987, um plebiscito nacional, resultado de fortes pressões internas e da comunidade internacional, decidiu que Pinochet não mais poderia seguir na presidência. Foram, então, convocadas eleições, e o ditador saiu derrotado para Patricio Aylwin, do Partido Democrata Cristão, colocando fim à ditadura iniciada em 11 de setembro de 1973.
 

Texto: Alexandre Haubrich, Sintrajufe/RS