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Enquanto Michel Temer (PMDB) fazia um discurso destacando as capacidades das mulheres para a gestão de uma casa, o Sintrajufe/RS juntou-se aos que acreditam que lugar de mulher é onde ela quiserde preferência, na luta. O 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, foi momento de diversas atividades em todo o mundo. Em Porto Alegre, categorias de trabalhadores realizaram ações específicas e reuniram-se, no final da tarde, em uma marcha unificada. Com boa presença da categoria e uma paralisação de três horas, o Sintrajufe/RS promoveu um debate a respeito da reforma da Previdência, com foco nos efeitos da proposta do governo sobre as mulheres trabalhadoras.
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O debate teve na mesa a advogada Marilinda Marques Fernandes. Ela é formada em Ciências Jurídicas Clássicas pela Faculdade de Direito de Coimbra (Portugal), especializada em Previdência Social Complementar e atuou como assessora jurídica do Ministério do Planejamento de Guiné Bissau e do Ministério da Previdência Social de Portugal. Antes da fala de Marilinda, a diretora do Sintrajufe/RS Camila Breda destacou as atividades do dia e convocou os presentes a participarem da marcha unificada e, no dia 15, da paralisação de 24 horas contra a reforma da Previdência.
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A palestra de Marilinda teve início com a advogada destacando o dia de luta das mulheres, elogiando as diversas mobilizações e debates realizados ao longo de dia e comemorando o levante feminista do dia em todo o mundo. A convidada afirmou que nenhum dos motes defendidos desde a Revolução Francesaliberdade, igualdade e fraternidadetem sido de fato aplicado às mulheres. Ela lembrou a paralisação das mulheres em Nova Yorque, em 1857, que deu origem ao Dia Internacional das Mulheres, a luta das sufragistas pelo direito ao voto e a conquista de direitos iguais (ao menos formalmente, como destacou) para as mulheres brasileiras na Constituição de 1988.
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Marilinda afirmou que a reforma da Previdência proposta pelo governo Temer atenta contra a dignidade e os direitos humanos, e focou sua fala nos problemas que serão causados às mulheres caso a PEC seja aprovada. Em síntese, o problema geral mais grave é que a reforma trata a questão de gênero como se houvesse igualdade de fato no Brasil, ou seja, desconsidera as opressões sofridas histórica e atualmente pelas mulheres trabalhadoras. Não apenas isso: a proposta de Temer também não leva em conta outras desigualdades entre os trabalhadores brasileiros, como as diferenças entre as situações dos trabalhadores do campo e da cidade, as especificidades dos professores, entre outras questões.
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A advogada citou dificuldades extras enfrentadas pelas mulheres, como a maior instabilidades nos empregos, maior precarização do trabalho e menores salários, além do maior tempo de trabalho diário médioconsiderando-se também o trabalho doméstico, um relatório do Fórum Econômico Mundial de 2016 mostra que, na média mundial, as mulheres trabalham 50 minutos a mais por dia que os homens. Mesmo assim, o governo quer igualar as condições para aposentadoria entre homens e mulheres.
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Outro ponto importante levantado pela palestrante foi a farsa do déficit da Previdência. O governo utiliza um suposto déficit como pretexto para a reforma, mas, na verdade, o sistema previdenciário é superavitário. Para ela, o que há não é necessidade social, mas vontade política de abrir espaço para a previdência privada. Para enfrentar essa situação, garantiu, só com muita luta, com debates, reflexão, conscientização e mobilização.
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Ao final, foi aberto espaço para os presentes se posicionarem sobre o tema ou fazerem perguntas a Marilinda. Nas falas dos colegas, muitas críticas à reforma proposta por Temer, preocupação com a situação de grupos ainda mais prejudicados, como as mulheres negras ou as mulheres com deficiência, e a insistência na necessidade de fortalecer a luta em todos os espaços em defesa da Previdência.
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Para a colega Daniele Reis Duarte, da Justiça do Trabalho, a atividade foi “muito esclarecedora”. A servidora completa: “Eu não havia ainda feitos os cálculos para a minha aposentadoria caso a reforma seja aprovada, e fiquei bastante preocupada. Foi importante ela ter trazido dados novos que nos ajudam a entender a importância de combater a proposta”.
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Também presente à atividade, a professora Tânia Silva, 58 anos, há 25 no magistério, destacou a “grandiosidade” do encontro, o simbolismo de sua realização no Judiciário Federal e o caráter de formação política contido no debate. Ela elogiou a fala de Marilinda, especialmente a união de esclarecimentos técnicos com o ativismo e o chamado à luta. Apesar de se mostrar preocupada com a perspectiva de aprovação da reforma, Tânia mostrou-se otimista com a construção das lutas contra a proposta: “Hoje a casa-grande são os parlamentares que vão votar essa reforma. Nós, trabalhadores, temos que nos aquilombar, todos juntos, para enfrentar essa situação, assim podemos vencer”, ressaltou.
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Marcha reuniu milhares de mulheres no final da tarde
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Na sequência da atividade, parte dos presentes dirigiu-se à Esquina Democrática, onde uma concentração de mulheres havia iniciado às 17h. A marcha unificada partiu por volta das 18h30min, reunindo ativistasem sua grande maioria mulheresde diversas organizações. A caminhada circulou por ruas do Centro, subindo depois a avenida Borges de Medeiros para encerrar a marcha no Largo Zumbi dos Palmares. Toda a caminhada foi pontuada por gritos e cânticos contra o governo Temer, a reforma da Previdência, o machismo e todas as formas de violência contra a mulher.









