SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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No Dia da Consciência Negra, conhecer a realidade para enfrentá-la

Intervenção artí­stica durante a Marcha Zumbi dos Palmares, em 2014. Foto: Alexandre Haubrich / Jornalismo B
 

Maioria da população brasileira, os homens negros e as mulheres negras ficam atrás do restante dos brasileiros em todos os dados sociais. São, inclusive proporcionalmente, os que mais sofrem violência, os que recebem os menores salários, a maior população carcerária, os mais vulneráveis à pobreza, e poderí­amos aqui seguir com outros exemplos de heranças do perí­odo da escravidão que continuam violentando de diversas formas a população negra.
 

Enquanto os negros são 53,6% dos brasileiros, são 60,8% da população carcerária. Também a violência policial atinge com mais força os jovens negros, costumeiramente mais visados ou assassinados. O rendimento médio dos negros (R$ 921,18) é 40% menor que o dos brancos (R$ 1.607,76). Dois terços das casas localizadas em favelas são chefiadas por homens ou mulheres negras. O desemprego entre homens brancos é de 5,3%, contra 6,6% no caso dos homens negros. O recorte de gênero também aparece: 9,2% das mulheres brancas estão desempregadas, enquanto encontram-se na mesma situação 12% das mulheres negras. A taxa de analfabetismo é de 11,5% entre os negros e de 5,2% entre os brancos. Dos 52.198 mortos por homicí­dio em 2011 no paí­s, mais da metade eram jovens, e 71,5% deles eram negros. Os dados constam em reportagem do site Capital Teresina, baseados em diversas pesquisas dos principais institutos brasileiros.
 

Para além dos dados, que demonstram a desigualdade e o racismo persistente em um ní­vel macro, temos no cotidiano manifestações desse problema. No Judiciário Federal, por exemplo, os negros continuam sendo apenas cerca de 1% da categoria. A luta por cotas no Judiciário, da qual o Sintrajufe/RS faz parte, é importante para o enfrentamento dessa realidade. O Conselho Nacional de Justiça já determinou a inclusão de cotas nos concursos públicos para todos os tribunais.
 

Fora tudo o que já foi elencado aqui, manifestações racistas aparentemente individuaismas, em verdade, sintomas de um racismo generalizado – seguem acontecendo nas ruas e são ainda potencializadas pelas redes sociais digitais, nas quais o preconceito e a discriminação latentes na sociedade têm sua voz amplificada. É preciso conhecer e reconhecer essa realidade para enfrentá-la. Sem relativizações, sem culpabilizar as ví­timas, compreendendo o processo histórico que nos trouxe até essa realidade e os preconceitos que seguem agarrados aos dias atuais.

 
Em 20 de novembro de 1695, Zumbi dos Palmares era assassinado por lutar pelo direito de ser negro com dignidade. 320 anos depois, essa luta continua, e o Dia da Consciência Negra é um momento de ampliar sua visibilidade.