Neste sábado, 20, será mais um dia de lutas em todo o país contra o fascismo. Em todos os estados, nas capitais e no interior, serão realizados atos públicos com o mote “#EleNão”. Preocupados com a democracia, a liberdade e os direitos dos trabalhadores, os brasileiros irão às ruas para dizer que não se pode aceitar autoritarismo governamental e que o fascismo deve ser barrado nas urnas e nas ruas. Em Porto Alegre, a manifestação acontece a partir das 15h, no Parque da Redenção.
Nos últimos dias, diversos comitês contra o fascismo estão sendo construídos em todo o Brasil, com a união de diversos segmentos sociais em torno da defesa da democracia. A mobilização social para barrar a ameaça fascista é grande, e os atos do dia 20 estão, mais uma vez, sendo organizados com o protagonismo das mulheres, que têm sido linha de frente no combate ao fascismo.
Fascismo
Recentemente, a BBC publicou em seu site longa matéria discutindo o conceito de fascismo. Para isso, entrevistou pensadores italianos, berço desse movimento que quer colocar as asas de fora agora no Brasil. A reportagem explica, primeiro, as origens do fascismo:
“O fascismo foi criado por Benito Mussolini há quase cem anos. (…) Com a Itália imersa no caos – à beira de uma guerra civil, com crise política, econômica e social, num momento em que o poder fugiu do controle do Estado, o grupo fundado por Mussolini cresceu rapidamente. No final de 1921, nasceu o Partido Nacional Fascista (PNF) e, menos de um ano depois, Mussolini assume o poder. Ele fortaleceu sua influência na Itália angariando o apoio de industriais, empresários e do Vaticano, e tornou-se referência para regimes autoritários mundo aforaFrancisco Franco na Espanha, António Salazar em Portugal e, sobretudo, Adolf Hitler na Alemanha […] tiveram em Mussolini e no seu regime uma grande fonte de inspiração”.
À BBC, o sociólogo italiano Domenico de Masi, que sempre manteve laços com o Brasil, afirmou que Jair Bolsonaro é “um político de inspiração fascista” e lembrou o discurso em que o candidato defendeu “metralhar a petralhada”, analisando que ” eliminação física de adversários era exatamente uma das características do regime de Mussolini”. De Masi ainda avaliou que “ele tem inspiração fascista no que diz respeito à relação do Estado com a economia, entre o poder civil e militar, política e religião. E com base num conceito de autoritarismo, acha que pode resolver problemas complexos com receitas fáceis”.
Mobilização
No dia 29 de setembro, fomos mais de um milhão em todo o Brasil, 50 mil em Porto Alegre, unidos em torno da insígnia #EleNão. Os mais diversos campos políticos e segmentos sociais comprometidos com a democracia e com os direitos fundamentais estiveram unidos nessa luta. Agora, com a campanha do segundo turno em curso, nossa responsabilidade é dobrada: é hora de, nas ruas e nas urnas, derrotar o ódio e a violência e dar os primeiros passos para não seguirmos rumo ao abismo.
Nos últimos dias, temos visto com preocupação o crescimento de casos de ataques homofóbicos, machistas e racistas vinculados à eleição. Agressões, ameaças, cartazes e até assassinatos de ativistas são o resultado prático de declarações de ódio e da construção de um ambiente político e social de violência. Vale lembrar ainda que o serviço público também está sob ameaça, já que uma das candidaturas tem demonstrado total desrespeito aos servidores públicos e aos nossos direitos.
O candidato que ameaça as chamadas minorias, que defende o fim da estabilidade no serviço público e que caracteriza os servidores como “privilegiados” também não gosta da Justiça Eleitoral: ele e seus apoiadores, em mais demonstrações de desapreço pela democracia e pelas instituições, têm colocado em dúvida reiteradamente a confiabilidade do processo eleitoral, levantando-se inclusive a possibilidade de não reconhecimento do resultado em caso de derrota. Um desrespeito à Justiça Eleitoral, aos trabalhadores do Judiciário e à democracia.
O Sintrajufe/RS chama a categoria a, mais uma vez, assumir sua responsabilidade histórica e juntar-se a essa luta fundamental em defesa dos nossos direitos. No dia 20, às 15h, todos à Redenção!









