SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Nesta segunda-feira, às 18h, tem ato contra a PEC 181, que criminaliza o aborto resultante de estupro

Nesta segunda-feira, 13, às 18h, na Esquina Democrática, será realizado ato público contra a PEC 181/2015, que insere na Constituição Federal a proibição de aborto em todos os casos, inclusive nos atualmente garantidos por lei. Dessa forma, seriam criminalizados os abordos em caso de estupro, risco de vida da gestante e anencefalia fetal. A PEC foi aprovada no dia 8, em uma comissão especial da Câmara dos Deputados. Para decidir uma questão que trata diretamente da vida e da saúde das mulheres, estavam presentes 18 homens e apenas 1 mulher.

Com isso, se a gestação puder levar a mulher à morte, ainda assim não poderá ser interrompida. A PEC faz a mulher ví­tima de violência sexual ter seu sofrimento duplicado: além de sofrer com o próprio estupro, a mulher será obrigada a ter o filho do estuprador e, com as falhas reconhecidas do Estado no reconhecimento de casos de estupro, é possí­vel que o criminoso ainda ganhe status de pai . Por fim, nos casos de anencefalia, a PEC fará com que a mulher sofra durante nove meses, por ter de carregar um feto que sabidamente morrerá assim que nascer.

Não se pode esquecer que os deputados que aprovaram a PEC, que dizem se importar com a vida, são os mesmos que votaram a favor da reforma trabalhista, que permite que gestantes trabalhem em condições insalubres. Segundo o Ipea, ocorrem mais 520 mil tentativas de estupro no Brasil por ano, 1 a cada 11 minutos, com base nas denúncias. Porém as denúncias são feitas apenas em torno de 10% dos casos, o que permite inferir que a realidade é de 1 tentativa de estupro a cada 1 minuto. Além da maioria esmagadora das ví­timas serem garotas e mulheres, 90% dos violentadores são homens. O estupro é uma violência de gênero. O ambiente tido como sagrado, privado e intocável, a famí­lia tradicional, é o ambiente onde a maioria dos casos de estupro contra meninas crianças e adolescentes ocorre, sendo o perpetrador, na maioria das vezes, o pai, o padrasto ou algum outro homem membro ou amigo da famí­lia.

O Conselho Federal de Medicina do Brasil defende a possibilidade de aborto para todas as mulheres até a 12ª semana de gestação, já que o sistema nervoso do embrião ainda não está formado. Sabe-se que mulheres abortarão independentemente da legalidade ou ilegalidade, sendo essa uma questão de saúde pública: o aborto malsucedido e/ou realizado em condições precárias é a 5ª causa de morte materna no Brasil. Mulheres que possuem maior condição financeira, em sua maioria brancas, terão mais possibilidades para pagar um procedimento clandestino ou viajar para um paí­s onde se realize o procedimento. A ilegalidade do aborto afeta todas as mulheres, mas incide ainda mais fortemente nas mulheres classes econômicas mais baixas e em outras situações e marcadores sociais de vulnerabilidade.