SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Menos direitos e menos salário, mas só para os servidores: juí­zes, procuradores e parlamentares devem ficar de fora da reforma administrativa de Bolsonaro

A reforma administrativa que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) e Paulo Guedes quer impor contra os servidores públicos pode ser enviada ao Congresso na próxima terça-feira, 12. Foi o que declarou Bolsonaro nessa quinta-feira, 7, mesmo dia em que circulou a informaçãonoticiada nesta sexta, 8, pelo jornal O Estado de S. Paulode que, enquanto os servidores verão suas carreiras e direitos novamente sob ataque, juí­zes, procuradores e parlamentares ficarão de fora da proposta.

O objetivo do governo com a reforma é mudar toda a estrutura do serviço público. Caso a reforma seja aprovada, o conjunto da população será diretamente afetado em dois sentidos: primeiro, pela precarização dos serviços oferecidoso que já vem apontado também pelo pacote de maldades entregue ao Congresso nesta semana “; depois, pelos riscos à impessoalidade da atuação dos servidores graças aos ataques à estabilidade e às novas formas de seleção que Bolsonaro e Guedes pretendem implementarque tornam o processo de seleção menos impessoal e mais subjetivo, abrindo margem para indicações pessoais, troca de favores e corrupção.

Em relação especificamente aos servidores, haverá prejuí­zos graves e variados. Está prevista, por exemplo, a redução no número de carreiras para possibilitar que os servidores possam ser movimentados com mais facilidade entre diferentes funções de acordo com a necessidade. A redução dos salários de entrada e a extinção da progressão automática por tempo de serviço também devem constar na proposta, assim como a ampliação da proibição de militância partidária para servidores públicos, um grave ataque ao direito de organização e participação polí­tica cidadã.

O ataque também deve ser direcionado aos benefí­cios e vantagens, forma de o governo reduzir o salário também dos servidores já na ativa. A redução salarial, aliás, parece uma obsessão de Bolsonaro e Guedes: a “PEC emergencial”, outra medida do pacote de maldades, prevê a redução de salário e jornada dos servidores da União, dos estados e dos municí­pios, mas, novamente, não inclui as cúpulas dos Poderes.

As mudanças propostas valem para todos os servidores públicos de todos os âmbitos em todas as esferas de governo. Mas juí­zes, procuradores e parlamentares não estão inclusos, demonstrando a falácia por trás do discurso de “combate aos privilégios”. É com esse discurso, enganoso, que o governo tenta fazer com que a população apoie uma proposta que prejudica, na prática, o conjunto dos trabalhadores que utilizam os serviços públicos.

Relatório do Banco Mundial orienta ataque de Guedes

A reforma administrativa, assim como as outras medidas de ataque ao serviço público que o governo agora quer aplicar estão apontadas em estudo recentemente publicado pelo Banco Mundial, cuja ingerência nas polí­ticas aplicadas no Brasil tem crescido com Bolsonaro e Guedes. Veja AQUI o documento.

No dia 14, todos às ruas para defender o serviço público; dia 11 tem assembleia para preparar mobilização

A resposta dos trabalhadores será nas ruas. No dia 14 de novembro, o Sintrajufe/RS convoca toda a categoria para participar do ato unificado dos servidores públicos federais, estaduais e municipais, convocado pela Frente dos Servidores Públicos. Será às 14h, no Largo Glênio Peres.

Para preparar a participação dos trabalhadores e das trabalhadoras do Judiciário Federal e do Ministério Público da União no Rio Grande do Sul nas mobilizações do dia 14, o Sintrajufe/RS convocou, em caráter de urgência, uma assembleia geral para a próxima segunda-feira, 11. A assembleia tem como pontos de pauta o pacote da reforma administrativa e a participação no grande ato público do dia 14 de novembro.