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Nessa quarta-feira, 24, como previsto, os trabalhadores de fato ocuparam a capital federal. Em meio ao caos político, o entorno da Esplanada dos Ministérios tornou-se também um espaço caótico, graças à violenta repressão da Polícia Militar do Distrito Federal contra os trabalhadores que foram a Brasília defender a saída de Michel Temer (PMDB) da Presidência, a convocação de eleições diretas e a derrubada das reformas.
No dia anterior, a caravana do Sintrajufe/RS, com 20 colegas, atuou em Brasília. A representação do sindicato esteve no Congresso Nacional, onde foram realizadas várias conversas com parlamentares visando não apenas à realização de eleições diretas como também ao fim da tramitação das reformas trabalhista e da Previdência.
No início da tarde de ontem, manifestantes de todo o Brasil concentraram-se no Estádio Mané Garrincha, de onde partiram em direção à Esplanada dos Ministérios. A repressão policial teve início rapidamente e foi cruel, deixando dezenas de feridos, chegando a obrigar o Hemocentro de Brasília a solicitar mais doações de sangue para os atendimentos necessários. De acordo com o que noticiam jornais do centro do país, oito manifestantes foram presos.
Além de bombas e armas com bala de borracha, os policiais militares do DF dispararam com munição letal na direção dos manifestantes. A Secretaria de Saúde do DF confirmou um manifestante ferido com disparo de arma de fogo, o que gerou revolta de alguns manifestantes, que danificaram prédios dos ministérios. O Ministério da Agricultura chegou a ser incendiado em sua área interna. Já se encaminhando para o fim da tarde, mas ainda em meio aos embates nas ruas, Temer recorreu a uma medida de exceção, dando poder de polícia ao Exército até o dia 31 de maio, na tentativa de reprimir os protestos e intimidar os manifestantes. O Sintrajufe/RS solicitou ingresso no mandado de segurança 34.837, como amicus curiae, a fim de liminarmente suspender os efeitos do decreto. Temer voltou atrás na manhã de hoje, revogando o decreto.
Diretor do Sintrajufe/RS presente em Brasília, Cristiano Moreira afirma que o ato de ontem foi histórico. Mais de 150 mil pessoas ocuparam as ruas de Brasília, na maior mobilização dos últimos anos na capital federal, “dando mais uma demonstração de força e da indignação da população com as reformas de um governo comprovadamente corrupto e já insustentável. Resistimos inclusive à reação desproporcional, covarde e criminosa da polícia, que abusou de bombas e usou até armas de fogo para reprimir trabalhadores”. Para o dirigente, “!o absurdo decreto de Temer, ao final da tarde, autorizando o uso das Forças Armadas nas ruas, foi mais uma demonstração de fraqueza de um governo cambaleante e prestes a cair. Para que isso se concretize, é mais do que nunca fundamental a convocação de nova greve geral, agora por 48 horas, parando o país mais uma vez para derrubar Temer e suas reformas”.









